Europa FMI elogia recuperação grega, mas deixa avisos aos "legados da crise"

FMI elogia recuperação grega, mas deixa avisos aos "legados da crise"

São vários os elogios que o Fundo deixa à Grécia após mais uma missão de monitorização a Atenas. Contudo, os técnicos do FMI deixam avisos quanto aos "legados da crise".
FMI elogia recuperação grega, mas deixa avisos aos "legados da crise"
"A Grécia vai sair da era do programa tendo eliminado largamente os desequilíbrios macroeconómicos", diz o FMI depois de uma nova missão a Atenas.
EPA
Tiago Varzim 29 de junho de 2018 às 15:05
Após o acordo alcançado na Grécia na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a missão a Atenas ao abrigo do artigo IV com rasgados elogios: "A Grécia vai sair da era do programa, tendo eliminado largamente os desequilíbrios macroeconómicos". O comunicado após a missão, divulgado esta sexta-feira, 29 de Junho, valoriza as medidas de alívio da dívida, mas recorda que os "legados da crise" vão continuar a pesar no país.

"A Grécia percorreu um longo caminho, mas ainda enfrenta vários desafios", começa por dizer o comunicado do Fundo. Por um lado, foram implementadas reformas "importantes", o crescimento económico regressou e a taxa de desemprego está a cair, ainda que continue "muito elevada" (20%).

Além disso, o pacote de alívio da dívida pública grega acordado no Eurogrupo de 22 de Junho "vai assegurar a sustentabilidade a médio-prazo". 

Contudo, existem "legados da crise significativos" assim como várias reformas "incompletas" que continuarão a "dificultar" o crescimento económico a médio e longo prazo. A isto acresce uma imposição europeia dos excedentes primários que "limita" as opções políticas das autoridades gregas. 

"A equipa [do FMI] está preocupada que, no entanto, esta melhoria nos indicadores da dívida só seja sustentável a longo prazo dentro de assumpções que parecem ser muito ambiciosas sobre o crescimento do PIB e sobre a capacidade da Grécia de ter grande excedentes orçamentais primários, sugerindo que isso poderá dificultar o acesso aos mercados a longo prazo sem um maior alívio da dívida", alerta o Fundo. 

Para o FMI, é preciso continuar a reparar o sector financeiro, liberalizar o mercado de trabalho e reforçar a eficiência do sector público. A prioridade para os técnicos é que o "mix" de medidas de política orçamental seja favorável ao crescimento da economia. 

Depois de crescer 1,4% em 2017, os técnicos do Fundo projectam subidas do PIB na ordem dos 2% em 2018 e 2,4% em 2019. A concretizar-se, a Grécia irá acelerar num período em que a Zona Euro deverá desacelerar.

Após o acordo no Eurogrupo, o Fundo aceitou participar no processo de vigilância pós-programa em parceria com as instituições europeias. 



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