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Primeira-ministra da Dinamarca serve-se de tensões com Trump para convocar novas eleições

O confronto diplomático entre Trump e Frederiksen por causa da Gronelândia fez disparar a popularidade da primeira-ministra dinamarquesa. O país vai agora a votos, mas um reforço da maioria relativa dos sociais-democratas não é certo.

Mette Frederiksen quer reforçar a maioria relativo do seu partido no Parlamento.
Mette Frederiksen quer reforçar a maioria relativo do seu partido no Parlamento. Ida Marie Odgaard/EPA
17:31

A Dinamarca vai a eleições antecipadas. Não porque enfrenta uma crise política, mas porque a primeira-ministra do país, Mette Frederiksen, parece querer aproveitar o crescimento da sua popularidade nas sondagens para reforçar a maioria dos sociais-democratas no Parlamento, capitalizando sobre a melhoria na imagem interna da líder após um grande confronto diplomático com Donald Trump, Presidente dos EUA, em torno da Gronelândia. 

"Será uma eleição decisiva, porque nos próximos quatro anos, nós, como dinamarqueses e como europeus, teremos realmente de nos manter firmes", afirmou Frederiksen, de 48 anos, num discurso proferido na quinta-feira no Parlamento do país. "Temos de definir a nossa relação com os EUA. Temos de nos rearmar para garantir a paz no nosso continente. Temos de manter a Europa unida e temos de salvaguardar o futuro do Reino da Dinamarca", acrescentou ainda, ao anunciar eleições antecipadas. 

A decisão não é surpreendente. Nas últimas semanas, o Governo do país tem preparado terreno para levar os dinamarqueses de novo às urnas, apressando a aprovação de subsídios para contrariar o aumento dos preços nos alimentos, endurecendo a narrativa em torno da imigração e apresentando planos para reformar o ensino. Mas a estratégia de Frederiksen durante a campanha deverá mesmo passar por se agarrar às ameaças de Trump à soberania do país, que acabaram por reforçar a imagem da primeira-ministra como uma líder disciplinada e constante durante momentos de tensão. 

"[Apesar de o conflito] não estar encerrado, conseguimos superá-lo até agora", afirmou, garantindo que o Governo vai trabalhar para gerir esta situação durante a campanha, o que pode passar por realizar reuniões internacionais de forma a "salvaguardar os interesses do reino". No entanto, esta decisão de ir a votos mais cedo pode tornar-se um desafio para os sociais-democratas, já que uma sondagem recente dá ao partido de Frederiksen apenas 22,1% dos votos - acima dos 18% registados antes do estalar das tensões com os EUA, mas abaixo do resultado de 2022, quando atingiu 27,5%. 

O atual Executivo dinamarquês resulta de uma coligação entre sociais-democratas, liberais e moderados - este último um novo partido ao centro, criado apenas em 2021. Caso consiga uma nova vitória, Frederiksen servirá o país como primeira-ministra pelo terceiro termo consecutivo, depois de se ter tornado líder do Governo em 2019 ao adotar uma posição mais dura contra a imigração. No entanto, o entusiasmo inicial foi esmorecendo com o tempo e o partido acabou mesmo por perder Copenhaga no ano passado - um bastião social-democrata há mais de cem anos. 

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