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Renzi fica a ver "estrelas" nas municipais italianas

O movimento do humorista Beppe Grillo conquistou 19 câmaras, incluindo Roma e Turim. A quatro meses do decisivo referendo constitucional, no partido do primeiro-ministro já se afiam as facas.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 20 de Junho de 2016 às 15:39
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O Partido Democrático (PD), liderado pelo primeiro-ministro, Matteo Renzi, perdeu 13 das 20 grandes cidades que governava em Itália. Incluindo Roma e Turim para as candidaturas protagonizadas pelo Movimento 5 Estrelas (M5S), criado há apenas sete anos e inspirado pelo comediante anti-sistema Beppe Grillo.

 

A segunda volta das municipais, realizada este domingo, 19 de Junho, confirmou a vitória de Virginia Raggi (na foto) frente a Roberto Giachetti, do partido de centro-esquerda, que na primeira votação chegou mesmo a ter o segundo lugar em risco. A advogada de 37 anos recolheu agora 67,15% dos votos e vai ser a primeira mulher a dirigir a capital italiana.

 

Dos restantes municípios que são capitais regionais, a grande surpresa chegou de Turim, no Norte do país, onde outra mulher do M5S derrotou o candidato do PD, Piero Fassino, um ex-ministro da Justiça que até partiu com vantagem de dez pontos. A contagem está fechada e deu 54,56% dos votos a Chiara Appendino, uma economista de 31 anos.

 

 

E foi por muito pouco que o PD não perdeu também Milão, a capital financeira do país. Giuseppe Sala obteve 51,7% dos votos, mantendo a direita na oposição. O partido pode também festejar em Bolonha, que reconduziu Virginio Merola. Mais a Sul, destaque ainda para Nápoles, que continuará a ser liderada por Luigi de Magistris, um independente populista e da ala esquerda.

 

A dois anos das eleições legislativas, os analistas transalpinos antecipam que o M5S, que conquistou um total de 19 câmaras, pode ter papel decisivo no futuro Parlamento. Já no PD, a hora é de reflexão – está já marcada para sexta-feira uma reunião directiva para discutir os resultados – e também de facas afiadas. O deputado Roberto Speranza já avisou que a fórmula de ter Renzi a liderar o Governo e o PD "não funciona, não faz bem ao partido e não o ajuda".

 

Sem renovação interna, insistiu o parlamentar que já tinha sido uma voz crítica noutras alturas, o partido "arrisca-se a cometer um erro irrecuperável". "Das urnas chega um sinal fortíssimo que requer uma resposta política e a resposta deve ser uma mudança de rota", detalhou Speranza, citado pelo Corriere della Sera.

 

Chegado ao poder em Fevereiro de 2014 sem ter ido às urnas – sucedeu a Enrico Letta na sequência de uma crise partidária interna –, Renzi já tinha admitido que estas seriam "umas eleições difíceis". E o que se segue não é um desafio menor. Para Outubro está agendado um referendo constitucional e o ex-autarca de Florença já ameaçou que se demite caso a "mãe de todas as reformas", que passou em Janeiro pela câmara baixa do Parlamento, não seja aprovada.

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