Europa Tsipras diz que Grécia aplica políticas de esquerda apesar do resgate

Tsipras diz que Grécia aplica políticas de esquerda apesar do resgate

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirmou hoje que o seu Governo teve capacidade para impor uma marca de esquerda e aplicar políticas sociais apesar das adversidades do programa de resgate imposto pelos credores internacionais.
Tsipras diz que Grécia aplica políticas de esquerda apesar do resgate
Reuters
Lusa 13 de outubro de 2016 às 20:17

No seu discurso de abertura do II Congresso do Syriza, Tsipras defendeu ter assinado o resgate como a única opção viável para evitar a saída do euro e salvar um país que tinha perdido um quarto do seu poder económico e se confrontava com uma taxa de desemprego de 27%.

 

"A saída da Grécia do euro não era e não é um plano progressivo", sublinhou numa alusão às correntes mais à esquerda que defendem esse caminho e que entretanto abandonaram a formação.

 

"Desencadeámos um programa para a gestão da crise humanitária... um programa para combater o desemprego com o destaque no respeito pelos direitos laborais... o acesso aos hospitais aos que não têm seguro de saúde, e defendemos o carácter público da segurança social", assinalou, mas sem aludir às medidas de austeridade que o seu executivo também aplicou.

 

O Congresso do Syriza decorre sob o lema "Com a esquerda até à Grécia que merecemos: Justiça social -- Democracia -- Crescimento equitativo".

 

Até domingo, cerca de 3.000 mil delegados reunidos no estádio Tae Kwon Do de Atenas -- que integrou o complexo olímpico nos Jogos de 2004 -- vão debater a redefinição de um partido que apenas há três anos era uma formação minoritária mas que em Janeiro de 2015 venceu as eleições legislativas com 32,6% dos votos. Hoje, indicam as sondagens, é de novo um partido em recuo.

 

Uma das questões em discussão será a relação com o Movimento Socialista Pan-Helénico (Pasok) e com a social-democracia europeia. No Parlamento europeu os deputados do Syriza integram o grupo da Esquerda Unida Europeia (GUE/NGL) mas Tsipras já foi convidado a participar em reuniões do grupo Socialistas e Democratas (S&D).

 

Outra questão central reside na definição do caminho a seguir por um partido proveniente da fusão de diversas organizações da esquerda radical mas que está a pagar o preço do poder sacrificando promessas eleitorais, erosão interna e desilusão do eleitorado.

 

Após três importantes vitórias eleitorais em 2015 (legislativas de Janeiro e Setembro e no referendo de julho sobre as medidas de austeridade impostas pelos credores internacionais), e a formação de um governo de coligação com os populistas conservadores dos Gregos Independentes, as recentes sondagens referem-se a um recuo para cerca de 20% das intenções de voto, e um regresso da Nova Democracia (ND, direita) como partido mais votado.

 

A contradição entre o programa do partido, assente numa política anti-austeridade, e a sua prática governativa, muito dependente das exigências dos credores após a aplicação do terceiro resgate em meados de Julho -- e que tem implicado sucessivas e contestadas vagas de privatizações --motivaram cisões internas e debates acalorados, mas a reeleição de Tsipras para a liderança do partido não parece em risco apesar de uma contínua erosão política. 

 

Uma recente sondagem do instituto Public Issue e publicada pelo diário do Syriza "Avyí" indica que 90% dos inquiridos se afirmam insatisfeitos com trabalho do Governo, mas 80% também mantém a mesma opinião em relação à oposição.

 

Ao tentar contrariar esta tendência, e ainda no seu discurso de abertura de hoje, Tsipras referiu que o Governo tem um plano com objectivos concretos de crescimento económico e de medidas sociais para conseguir reduzir o desemprego a 10% até 2021.

 

O chefe do Governo grego disse ainda que a maior arma de Atenas nas negociações com os credores internacionais é o respeito pelo acervo comunitário, numa alusão ao conflito entre o FMI e os credores europeus da Grécia sobre a liberalização dos despedimentos e as restrições do direito à greve.

 

Tsipras sublinhou ainda a importância de formar uma "frente comum" no sul da Europa que contrarie as disparidades regionais e garante uma convergência económica entre todos os países, para forjar uma "alternativa progressista" no continente. 




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