Líderes europeus pedem a Bruxelas medidas para conter preços da energia
Os preços elevados da energia já estavam no topo da lista de prioridades dos líderes europeus antes do estalar do conflito no Médio Oriente. A mais recente escalada veio tornar ainda mais urgente a necessidade de medidas de contenção e um pedido oficial à Comissão Europeia deverá ser feito na próxima cimeira.
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A escalada de preços no petróleo e gás natural liquefeito (GNL) deixou o mundo à porta de uma crise energética e os líderes europeus querem que a Comissão Europeia adote medidas para conter este impacto. O pedido deverá ser endereçado a Bruxelas na cimeira europeia que se realiza entre 19 e 20 de março, avança a Bloomberg. Os chefes de governo vão pedir ao braço executivo da UE para examinar todos os componentes dos preços grossistas e de retalho da eletricidade, de acordo com um documento consultado pela agência.
Os preços elevados da energia já estavam a subir na lista de prioridades dos líderes europeus, mesmo antes do ataque do estalar do conflito no Médio Oriente. O ataque dos EUA e Israel ao Irão veio agravar a situação, mas há muito que a indústria pesada da União Europeia (UE) tem pressionado o bloco a adotar medidas para diminuir os preços, face à rivalidade cada vez mais acirrada com a China - onde a energia é muito mais barata.
Os líderes também deverão exigir a Bruxelas, de acordo com a Bloomberg, que a próxima revisão das regras do mercado de carborno da UE leve a uma redução da volatilidade dos preços. Em causa está o Comércio Europeu de Licenças de Emissão - um mecanismo de regulação das emissões de gases com efeito de estufa - que estabelece limites para atividades que são responsáveis por cerca de 45% das emissões no bloco. O sistema permite a comercialização de licenças entre empresas, para que a queda nas emissões de um negócio possa levar à subida de emissões por outro.
No entanto, alguns Estados-membro, bem como vários "players" da indústria intensiva, associam a subida nos preços da energia na Europa a este mecanismo. No mês passado, o ministro italiano da Indústria, Adolfo Urso, apelou à suspensão do programa de limitação e comercialização até que o mesmo seja revisto e reformulado. O Governo liderado por Georgia Meloni está mesmo a preparar uma reformulação do seu mercado energético, embora várias das medidas propostas precisem da aprovação de Bruxelas.
A mais recente escalada nos preços da energia está a deixar os decisores políticos apreensivos em relação ao impacto na inflação e crescimento económico. De acordo com uma análise do banco ING, a Zona Euro é a grande economia mundial que está mais exposta e vulnerável a um conflito prolongado que limite o comércio de petróleo e gás natural e, por arrasto, abale as cadeias de abastecimento. Caso o barril de petróleo ultrapasse os 100 dólares por um período sustentado, a Bloomberg Economics antecipa um "impacto significativo na inflação, quebra no crescimento económico e uma reação dos vários bancos centrais" - incluindo do Banco Central Europeu.
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