União Europeia acredita que EUA vão respeitar acordo comercial já assinado
"Estamos a trabalhar com base no pressuposto de que este acordo que concluímos em julho do ano passado deve ser respeitado por ambas as partes", considerou o comissário europeu.
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O comissário europeu para o Comércio afirmou que a União Europeia (UE) está convencida de que os EUA respeitarão o acordo comercial assinado com Bruxelas em julho de 2025.
"É claro que acredito que os Estados Unidos respeitarão o acordo, porque essa foi a garantia que recebi dos meus parceiros americanos", afirmou Maros Sefcovic quando questionado pela agência de notícias EFE sobre as novas tarifas, que poderão entrar em vigor nos próximos dias.
Em fevereiro passado, o Presidente Donald Trump anunciou que aumentaria as tarifas para 15% depois do Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidir anular as taxas globais de 10% que a Administração norte-americana tinha implementado usando poderes especiais de emergência.
Sefcovic disse que o representante para o Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou isso publicamente.
"Estamos a trabalhar com base no pressuposto de que este acordo que concluímos em julho do ano passado deve ser respeitado por ambas as partes. Um acordo é um acordo e ambos devemos respeitá-lo", acrescentou o comissário europeu durante um evento em Toronto com o ministro do Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu.
Por sua vez, Sidhu afirmou que o Canadá está em negociações com os EUA para a revisão do tratado de comércio livre da América do Norte, T-MEC. "O ministro [canadiano para o Comércio Canadá-EUA] LeBlanc estará lá dentro de alguns dias para continuar a conversa sobre o T-MEC e sobre o que mais podemos fazer juntos", revelou.
Sidhu também indicou que o Canadá está a expandir as suas relações comerciais para reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos face às novas políticas de Washington.
O ministro canadiano deu como exemplo a ampliação do acordo de comércio livre com a UE, conhecido como CETA, que assinou esta quinta-feira com Sefcovic, ou a decisão do Canadá e da Índia de iniciarem negociações para a assinatura de um novo tratado comercial.
À semelhança do que Sefcovic reiterou esta quinta-feira em Toronto, no passado dia 25 de fevereiro, a Comissão Europeia afirmou que a Administração de Donald Trump garantiu que vai cumprir o acordo comercial UE-EUA assinado no verão e que a fase atual é transitória.
"Os Estados Unidos deram indicações claras de que vão respeitar os termos dos acordos comerciais - como a Declaração Conjunta UE-EUA -, pelo que a União Europeia continua a colaborar com os EUA para garantir que isso se verifica e para obter clareza", indicou então, numa nota, o porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, Olof Gill.
O porta-voz referiu na altura que as tarifas anunciadas por Trump na sequência da decisão do Supremo Tribunal tinham entrado em vigor no dia anterior, 24 de fevereiro, e traduziam-se numa taxa de 10%, a que acresciam as tarifas padrão da Organização Mundial do Comércio (OMC), conhecidas como taxas de "nação mais favorecida" (MFN, na sigla em inglês).
"No que se refere às exportações da UE para os Estados Unidos, as taxas MFN são, na maioria dos casos, inferiores a 5%. No entanto, para uma percentagem limitada de exportações (7%), essa taxa é superior a 5%", explicou então o porta-voz, sugerindo que, nesses casos limitados, as exportações seriam taxadas a uma tarifa total superior aos 15% estabelecidos no acordo comercial assinado em julho.
Gill referiu também que os EUA indicaram que a situação atual é "transitória, com uma duração até 150 dias", e garantiu que a UE vai continuar a falar com os parceiros norte-americanos para que esclareçam, "o mais rapidamente possível", o que pretendem fazer após esse prazo.
Gill reiterou na mesma altura declarações de Sefcovic em 24 de fevereiro, segundo as quais a UE manter-se-ia "comprometida com o acordo" e garantiria que "o processo [de ratificação] continua[va] a avançar", depois do Parlamento Europeu ter decidido na véspera suspender a ratificação do acordo comercial da UE com os EUA, na sequência da decisão do Supremo Tribunal norte-americano sobre as tarifas e pedido "clareza jurídica" a Washington.
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