Moody’s tira “rating” da Irlanda de “lixo”

Agência decidiu aumentar a notação financeira perante os sinais positivos da economia que deverão fazer inverter os níveis de dívida. Com esta decisão, a dívida da Irlanda passa a ser um “investimento de qualidade” nas três maiores agências. E a notação atribuída pela Moody’s pode voltar a subir, uma vez que o “outlook” é positivo.

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Paulo Moutinho 17 de Janeiro de 2014 às 22:52

A Moody’s elevou a classificação da dívida irlandesa em um nível, retirando-a de um patamar considerado de “lixo”. A notação aumentou de “Ba1” para “Baa3”, decisão que a agência suporta no “potencial de crescimento da economia” do país, que contribuirá para reduzir o nível de endividamento, mas também “a saída no prazo previsto do programa de ajustamento”, num contexto de pleno acesso aos mercados.

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“O primeiro factor que explica esta revisão [em alta do ‘rating’] é a aceleração no ritmo de crescimento da economia, que sinaliza uma maior probabilidade do país garantir um crescimento sustentado de longo prazo para conseguir dar a volta às contas públicas. Um sinal positivo chave é o ritmo mais rápido de aumento de emprego jovem”, refere a Moody’s na nota emitida esta sexta-feira.

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A Moody’s destaca ainda que “espera um crescimento mais forte das exportações nos próximos anos”. “A melhoria da competitividade tem sido uma marca da viragem da economia irlandesa desde a recessão de 2009, contribuindo para uma mudança de grandes défices antes da crise para superavits”, nota a agência que acredita que, assim, será possível “baixar o rácio de dívida” da Irlanda.

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Acesso aos mercados

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“O segundo catalisador para o aumento da notação [financeira da dívida da Irlanda] é a saída do programa de ajustamento. A sua capacidade para o fazer sem recurso a um programa cautelar revela que a agenda de reformas do governo manteve-se ao longo de todo o programa, apesar das condições económicas piores do que o esperado a nível doméstico e externo”, diz a Moody’s.

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“O governo superou sempre os objectivos, o que o ajudou a reconquistar e manter a confiança dos mercados”, remata a agência. A Moody’s dá nota do facto de a Irlanda ter regressado aos mercados em meados de 2012, acrescentando que as emissões realizadas posteriormente lhe permitiram “criar reservas substanciais que tornarão o seu programa de financiamento mais flexível”. Ou seja, tem uma “almofada” que poderá permitir-lhe superar algum momento de maior volatilidade nos mercados.

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“Rating” pode subir

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Com a revisão em alta do “rating”, a dívida da Irlanda passa a ter uma classificação de “investimento de qualidade” junto das três maiores agências internacional: Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s. A notação de “Baa3” é a primeira acima daquilo que se classifica como “investimento especulativo”, ou seja, “lixo”, mas a Moody’s admite voltar a aumentar o “rating”.

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“O ‘outlook’ positivo do ‘rating’ de ‘Ba3’ reflecte a expectativa da Moody’s de que uma recuperação sustentável da economia irlandesa, numa altura em que as contas públicas estão a caminhar para um excedente, bem como a convicção de que a estabilidade nos mercados de dívida do euro será sustentável. Estão também a surgir sinais de um crescimento mais forte no resto da Europa e nos EUA, acompanhados de uma melhoria na confiança dos consumidores e das empresas. Estas tendências suportarão a economia da Irlanda”. 

 

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