Zona Euro Bruxelas vai "seguir com atenção" impacto das medidas anunciadas por Macron

Bruxelas vai "seguir com atenção" impacto das medidas anunciadas por Macron

O comissário europeu para os Assuntos Económicos, o francês Pierre Moscovici, avisou que a Comissão Europeia vai "seguir com atenção" o impacto que terá o pacote de medidas anunciadas pelo presidente gaulês Emmanuel Macron no défice orçamental de França.
Bruxelas vai "seguir com atenção" impacto das medidas anunciadas por Macron
EPA
Negócios com Lusa 11 de dezembro de 2018 às 15:07
A Comissão Europeia vai "seguir com atenção" o impacto sobre o défice francês das medidas anunciadas na segunda-feira pelo Presidente Emmanuel Macron, advertiu hoje em Estrasburgo o comissário europeu dos Assuntos Económicos.

Numa declaração à agência noticiosa francesa AFP, à margem da sessão plenária do Parlamento Europeu em Estrasburgo, Pierre Moscovici acrescentou que Bruxelas está "em contacto permanente com as autoridades francesas", no quadro dos anúncios de Macron para responder à crise dos "coletes amarelos", escusando-se a fazer mais comentários.

Não sendo ainda conhecido o real impacto das medidas anunciadas pelo presidente gaulês, a imprensa francesa noticia, com base em fonte do executivo gaulês, que o défice orçamental pode sofrer um agravamento de 0,6 pontos percentuais. Tendo em conta que França inscreveu uma meta de 2,8% para o défice em 2019 no esboço orçamental enviado para Bruxelas, o défice poderá então derrapar para entre 3,4%. A confirmar-se, não haverá motivo de regozijo na Zona Euro, porque dessa forma 2019 já não será o primeiro ano, desde a criação da Zona Euro, que todos os países-membros da moeda única apresentam um défice abaixo da meta dos 3%. 

Na segunda-feira, Emmanuel Macron criticou a "inadmissível violência" dos protestos em França, prometeu utilizar "todos os meios para restaurar a calma", e anunciou em simultâneo uma subida do salário mínimo e uma redução nos impostos.

Num discurso dirigido ao país, após várias semanas de contestação do movimento de protesto "coletes amarelos" que alastraram a várias regiões do país e implicaram violentos confrontos com as forças policiais, Macron anunciou um aumento de 100 euros no salário mínimo e uma redução dos impostos para os reformados e trabalhadores.

Hoje, o presidente da Assembleia Nacional francesa, Richard Ferrand, afirmou que o país terá de "aumentar o défice público" para financiar essas medidas, defendendo, todavia, que o aumento do défice será "estritamente temporário", uma vez que não haverá um efeito de acumulação das medidas económicas e fiscais já anunciadas.



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