Guerra no Irão arrisca provocar "choque estagflacionista"
Comissário europeu para a Economia sublinha que tudo vai depender da duração e extensão regional do conflito, mas avisa para os riscos de um impacto negativo no crescimento da economia e num período de inflação elevada.
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O comissário europeu da Economia alertou esta segunda-feira para o risco de a economia europeia e mundial poder entrar num período de estagflação em resultado da guerra no Irão, reconhecendo que tudo vai depender da duração e extensão do conflito na região do Médio Oriente.
"Caso [o conflito] se torne mais prolongado, com a disrupção da navegação no estreito de Ormuz e ataques a infraestruturas energéticas nos países do Golfo, poderá resultar num substancial choque estagflacionista na economia europeia e mundial com os preços de energia mais altos a arrastarem-se para uma inflação alargada, efeitos negativos na confiança, disrupções nas cadeias de abastecimento e condições financeiras mais restritivas", afirmou Valdis Dombrovskis à entrada para a reunião do Eurogrupo.
O comissário responsável pela pasta da Economia reconheceu, no entanto, que há variáveis não controláveis que podem mudar qualquer previsão. "Obviamente, o impacto económico dependerá muito da duração e da extensão regional do conflito", acrescentando que um "cenário benigno", em que a guerra, que já dura há 10 dias, termine "dentro de algumas semanas", não teria um impacto significativo na atividade económica global e europeia.
A crise energética atual traz à memória o choque de 1973 quando, na sequência da guerra do Yom Kippur, se registou um corte no abastecimento de petróleo, causando o racionamento de combustíveis. De resto, foi neste período que o termo estagflação ganhou destaque.
Também à entrada para a reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, Joaquim Miranda Sarmento admitiu que as reservas que Portugal tem atualmente dão "uma pequena margem no curto prazo", lembrando que ao contrário de 1973 "não há um problema de abastecimento, mas antes de preço”. “As reservas servem para situações de emergência em que há um corte de abastecimento”, sublinhou o ministro português das Finanças, esperando um impacto pouco duradouro.
Os ministros da Zona Euro estão reunidos esta segunda-feira com uma agenda alargada que inclui precisamente "a turbulência nos mercados energéticos mundiais, impulsionada pela crescente instabilidade geopolítica e pela crise no Médio Oriente".
Nesta segunda-feira, 9 de março, o barril de brent superou os 100 dólares, mas já está abaixo desse valor depois de os países do G7 terem admitido libertar reservas de matéria-prima para estancar a subida de preços.
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