Centeno alerta que despesa pública está "descontrolada" e critica "foguetório" do Governo
Num artigo de opinião publicado esta terça-feira no Público, Mário Centeno, ex-governador do Banco de Portugal (BdP) e antigo ministro das Finanças, alerta que a despesa pública está "descontrolada" e rejeita o "foguetório" do Governo em torno do excedente orçamental de 0,7% em 2025. O ex-governador do Banco de Portugal sustenta que o resultado foi conseguido graças a um crescimento "surpreendente" da receita, criticando ainda as acusações dirigidas às previsões da instituição.
"O resultado orçamental de 2025 foi, tem mesmo de se dizer, um excelente resultado para o país, num contexto europeu difícil. Mas em vez de nos concentrarmos no resultado e depois em entender a evolução da despesa, o foguetório foi utilizado para atacar as instituições que acompanham a política orçamental, porque supostamente erraram", escreve Mário Centeno, no artigo de opinião, respondendo às críticas do Ministério das Finanças de que o BdP tinha falhado as previsões.
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Segundo o ex-ministro, o desvio médio entre a despesa orçamentada e executada nos últimos dois anos (2.408 milhões de euros) foi "cinco vezes mais" do que o registado entre 2016 e 2019 (471 milhões). "A política orçamental deve ser credível. A credibilidade requer a definição de políticas corretas e que sejam executadas sem surpreender os eleitores", defende.
"Como a despesa excedeu o orçamentado, foi a surpreendente receita que salvou o saldo". Mas essa resulta de uma "constante da vida", avisa. "Teria sido mais eficaz, perante um excelente resultado e um quadro de incerteza, agradecer aos portugueses pela receita fiscal e explicar por onde anda a despesa pública. O que nos tem de ser pedido no futuro", remata, lembrando que a despesa efetiva líquida é agora o indicador a que Bruxelas está mais atenta.
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