Leão responde às críticas: "A meio do ano já concretizámos mais de metade do OE"
"A meio do ano já concretizámos mais de metade das medidas previstas no Orçamento do Estado", disse esta quarta-feira, 7 de julho, o ministro das Finanças, João Leão. O governante está a ser ouvido na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças e fez questão de responder às críticas que têm sido deixadas pela oposição sobre a execução das medidas previstas no OE 2021.João Leão enunciou uma lista de mais de dez medidas no âmbito do atual orçamento que já chegaram ao terreno, como por exemplo o pagamento dos salários a 100% para quem está em layoff, o prolongamento extraordinário por seis meses do subsídio de desemprego, o aumento do salário mínimo ou o reforço de assistentes operacionais nas escolas públicas e de profissionais de saúde.
PUB
O ministro fez questão também de sublinhar que o apoio às empresas e às famílias foi possível devido à "responsabilidade dos partidos de viabilizar o Orçamento do Estado quando o país e os portugueses mais precisavam", e sublinhou que o documento tem "marcas do PS, PCP, PEV e PAN e das deputadas não inscritas".
Estas declarações chegam num contexto em que o PCP e o PAN têm colocado como condição prévia às negociações do Orçamento do Estado para 2022 o balanço do que foi concretizado das medidas deste ano. Ambos os partidos consideram que o trabalho tem sido insuficiente em várias matérias e as negociações dos planos orçamentais do próximo ano têm estado em banho-maria.
PUB
Sobre o OE 2022, João Leão admitiu que "não será mais fácil nem menos exigente". Reconheceu que a ativação da válvula de escape das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento permitem não ter de cumprir o limite de 3% para o défice orçamental, nem ter de avançar com a redução acelerada da dívida pública, mas defendeu que o país não se pode "afastar do caminho de sustentabilidade".
Aliás, o ministro deixou mesmo um aviso, notando que "o foco na recuperação" da economia "não é incompatível com a responsabilidade na gestão das finanças públicas". E reforçou: "Só com uma estratégia orçamental responsável podemos promover de forma sustentada a melhoria das condições de vida aos portugueses."
PUB
Medidas no terreno são fruto da ação do PCP, contrapõe Duarte Alves
Perante a intervenção do ministro, Afonso Oliveira, deputado do PSD, notou "o namoro à esquerda" que João Leão veio fazer. Mas a aproximação do governante não parece ter sido muito bem sucedida. Mais tarde, foi a vez de Duarte Alves, deputado do PCP, contrapor: "As medidas que referiu são de aplicação direta, não dependem da execução do orçamento, mas sim da ação do PCP de aprovar essas medidas aqui no parlamento."
PUB
O deputado comunista lembrou que há "trabalhadores que trabalham diretamente com o risco covid e que não estão a ser abrangidos pelo subsídio de risco", dando como exemplo um eletricista que trabalhe nos hospitais mas não é considerado profissional da saúde. Quis também saber se a Autoridade Tributária já tinha emitido um despacho que dispensa certos contribuintes do pagamento por conta.
O ministro disse que o despacho já está emitido e mostrou-se disponível para corrigir os casos em que os trabalhadores não estejam a ser abrangidos pelo subsídio de risco, de forma indevida.
Ao Negócios, fonte oficial do PCP fez questão se frisar a insuficiência de outras medidas no terreno, por responsabilidade do Governo. Os comunistas argumentam que as contratações não foram concretizadas no prazo nem na dimensão prometida, e que os investimentos nos cuidados de saúde primários e nos hospitais tardam em chegar.
PUB
(Notícia atualizada às 11:37 com mais informação)
Saber mais sobre...
Saber mais Ministro das Finanças João Leão Assembleia da República Parlamento Economia Orçamento do EstadoNão nos tomem por tolos, sff
Depois da tempestade
Mais lidas
O Negócios recomenda