Miranda Sarmento: Excedente de 2025 ficou acima da previsão, mas já encurtou neste início de ano
O ministro das Finanças confirmou esta terça-feira, 10 de março, que o excedente do ano passado ficou acima dos 0,3% projetados pelo Governo no Orçamento do Estado, mas admite que com o "comboio" de tempestades e a guerra no Irão a margem se esgotou nestes primeiros dois meses do ano.
"O superávite [de 2025] ficará acima do 0,3% [do PIB] que o Governo estava a projetar", começou por referir Joaquim Miranda Sarmento à margem da reunião do Ecofin, em Bruxelas, em declarações transmitidas pela RTP Notícias. O ministro reconheceu que se o valor do ano passado acima do estimado "tornavam o caminho um bocadinho menos estreito", com os acontecimentos do início deste ano e mesmo com um desempenho melhor, o espaço de manobra ficou mais curto. O valor final do saldo ornamental será conhecido no dia 26 de março, com a publicação da estimativa pelo Instituto Nacional de Estatística.
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O Governo - pela voz do titular das Finanças e do próprio primeiro-ministro - já tinha admitido que o saldo positivo das contas públicas seria melhor do que esperado. Agora, Miranda Armento já o diz como sendo definitivo.
"Aconteceram duas coisas muito importantes nestes primeiros dois meses e meio do ano", referiu. "Por um lado, o comboio de tempestades que teve um impacto muito significativo numa parte do território nacional e que vai ter um impacto orçamental significativo", começou por indicar Miranda Sarmento. Em segundo lugar, prosseguiu, "este conflito no Irão - que também não sabemos quanto tempo vai durar e, portanto, os seus impactos ainda são relativamente difíceis de estimar." Assim, concluiu "o caminho voltou a ficar bastante estreito."
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Questionado sobre a necessidade de um orçamento retificativo, o ministro das Finanças voltou a afastar, nesta fase, essa solução, reconhecendo que mais à frente pode vir a ser equacionado.
"Não vemos, à data de hoje, 10 de março, a necessidade de um orçamento retificativo", começou por referir, reconhecendo que tal "não significa que mais à frente, se as circunstâncias o impuserem, não se tenha que reequacionar essa questão, mas neste momento não há necessidade de um orçamento retificativo."
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O ministro das Finanças insistiu que o Governo mantém o "compromisso de manter o equilíbrio das contas públicas e continuar a reduzir a dívida pública", advertindo que tudo pode mudar nas próximas semanas.
Miranda Sarmento lembrou, por outro lado, que qualquer governo vai ao Parlamento pedir três coisas: uma autorização para cobrar receita; uma autorização para um tecto de endividamento e uma autorização para um tecto de despesa" e, neste momento, garante, nenhuma destas condicionantes está em causa. "Olhando para aquilo que é a projeção do IGCP (agência que gere a dívida pública) de emissão de dívida e aquilo que é a nossa projeção de despesa pública, mesmo considerando aqui alguns efeitos do comboio de tempestades (...), não temos indicação de qualquer necessidade de um orçamento retificativo", insistiu.
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Quanto ao desconto no imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) que o Governo determinou para o gasóleo depois da subida história desta semana, o ministro das Finanças mantém a confiança de que está dentro das regras de Bruxelas. Em causa a notícia avançada nesta terça-feira pela agência Lusa de que a Comissão Europeia vai "monitorizar de perto" o impacto orçamental do desconto do ISP no gasóleo, tomando nota da adoção de tal medida.
"Fomos muito claros e transparentes com os portugueses e também com a Comissão. Este é um desconto temporário e extraordinário", respondeu Miranda Sarmento quando questionado pelos jornalistas, garantindo que "quando a situação voltar à normalização daquilo que eram os preços a 6 de março, reverteremos este desconto."
O ministro voltou a esclarecer que o desconto "ajustar-se-á a cada semana. Se agora na sexta-feira soubermos que na próxima segunda os preços voltam a aumentar (...) voltaremos a atualizar o desconto, aumentando se os preços aumentarem", garantindo que quando os preços regressarem aos patamares de 6 de março a "borla" que existia desde 2022 será retirada aos poucos como estava previsto.
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(Notícia atualizada às 13:00 com mais informação; título alterado para corrigir que excedente "encurtou" e não "esgotou", como inicialmente escrito)
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