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Ministro das Finanças admite défice "se as circunstâncias o impuserem"

Tempestades e crise no Irão podem levar a um défice orçamental, afirmou Miranda Sarmento, em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas antes da reunião do Eurogrupo.

Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças
Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças Mariline Alves
16:15

O ministro das Finanças admitiu esta segunda-feira que Portugal possa registar défice em 2026 "se as circunstâncias o impuserem", dado o impacto das tempestades e, agora, do conflito no Médio Oriente, mas rejeitou uma crise energética como em 2022.

"Nós mantemos o compromisso de ter as contas públicas equilibradas. Nós não podemos excluir situações de défice se as circunstâncias assim o impuserem, mas continuamos com o compromisso do equilíbrio das contas públicas, da redução da dívida pública", afirmou Joaquim Miranda Sarmento, em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas antes da reunião do Eurogrupo.

No dia em que se registam aumentos acentuados dos preços do gás natural e do petróleo, o ministro português das Finanças apontou que "os bons resultados de 2025 [....] permitiam olhar para 2026 com um caminho [macroeconómico] um bocadinho menos estreito, mas agora, com o comboio de tempestades e este conflito, o caminho voltou a ficar bastante estreito".

Esse "caminho estreito" deve-se ao pagamento dos juros relacionados com os empréstimos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), acrescentou.

"É importante que o país [...] faça escolhas e o equilíbrio das contas públicas é muito importante, mas também é importante acudir às pessoas que foram atingidas pelas tempestades, recuperar a economia e tentar proteger o país dos choques externos que este conflito provoca", elencou Joaquim Miranda Sarmento.

Salientando que o impacto da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão será maior "quanto mais tempo ele durar e quanto mais se estender a outros países da região", o governante apontou porém diferenças face à crise energética e inflacionista de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que nessa altura houve "simultaneamente um choque do lado da oferta" e "um choque do lado da procura" pelo pós pandemia de covid-19.

"Creio que é, em todo o caso, ainda cedo e até talvez um bocadinho precipitado falar já daquilo que podem ser os impactos desta crise na inflação e, consequentemente, nas taxas de juros. Creio que há, também, uma diferença importante desta crise, face àquilo que foi a crise de 2022, aquando da invasão da Ucrânia", vincou.

Ainda assim, Joaquim Miranda Sarmento recordou que as agências de notação financeira Fitch e S&P melhoraram recentemente as perspetivas de Portugal, apesar de todos estes impactos.

O ministro português escusou-se ainda "a especular" sobre qual será a decisão do Banco Central Europeu (BCE) sobre a atuação de política monetária face ao contexto atual.

Os ministros das Finanças da zona euro, reunidos hoje pela primeira vez em Bruxelas desde o início da guerra entre Israel e Estados Unidos e Irão, vão discutir os impactos económicos do conflito, ao nível energético e inflacionista.

Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.

Qualquer escalada militar que afete a produção ou o transporte de energia - especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial - tende a gerar choques nos mercados energéticos internacionais e a elevar os preços.

O BCE, responsável pela estabilidade dos preços na área da moeda única, já veio alertar que a subida dos preços da energia pode gerar pressões inflacionistas na zona euro.

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