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Protestos violentos levam França a suspender por seis meses aumento de impostos sobre combustíveis

O primeiro-ministro francês anunciou a suspensão do aumento dos impostos sobre os combustíveis durante seis meses.

Reuters
Negócios jng@negocios.pt 04 de Dezembro de 2018 às 11:58
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Edouard Philippe, primeiro-ministro francês, anunciou, numa declaração televisiva, que o Governo decidiu suspender, durante seis meses, o aumento dos impostos sobre os combustíveis. A decisão surge depois de uma vaga de manifestações violentas dos "coletes amarelos". 

Há "três medidas fiscais que deviam entrar em vigor a 1 de Janeiro: o aumento da taxa de carbono sobre a gasolina, gasóleo e óleo; a convergência da taxa do gasóleo com a da gasolina e o alinhamento da fiscalidade do gasóleo para os profissionais com o que é aplicado aos particulares", explicou o primeiro-ministro. "Suspendo por seis meses a aplicação destas medidas fiscais", anunciou o primeiro-ministro.


"Nenhum imposto merece pôr em perigo a unidade da nação", afirmou o primeiro-ministro durante a sua intervenção, citado pelo Le Figaro.

Além de suspender o aumento dos impostos sobre estes combustíveis, o Executivo francês decidiu também adiar por seis meses o aumento dos preços do gás e da electricidade. Estes impostos "não aumentarão durante o Inverno", garante.


Os impostos deviam aumentar em Janeiro, mas uma onda de manifestações violentas acabou por ditar o adiamento desta decisão. Ainda assim, o primeiro-ministro deixou claro que quem cometeu actos violentos será punido.

"Todos os franceses têm o direito de se manifestar", reconheceu Édouard Philippe. "Mas todos os franceses também têm direito à segurança. O Governo não aceita a violência", sublinhou. "Os perpetradores destes actos serão identificados e serão punidos", garantiu.

O primeiro-ministro diz que agora é "tempo de diálogo" e diz-se confiante de que, quando se regressar à mesa de negociações, será possível encontrar soluções. 

Mas deixa avisos. "É preciso mais transparência. O nosso sistema fiscal é muito complexo e muito criticado, por ser injusto.  Os franceses não querem nem aumento de impostos nem novas taxas. Devemos debater o nível justo de serviços públicos", assumiu. O primeiro-ministro salientou ainda que "se os impostos baixarem" também "a despesa baixará".

França foi palco de manifestações violentas, no âmbito do movimento dos "coletes amarelos". Houve desacatos em Paris e actos de vandalismo no Arco do Triunfo. O monumento, que é símbolo emblemático de Paris e da própria França, foi pintado, o seu museu saqueado e uma estátua partida, à margem dos protestos.

 

Os últimos dados sobre sábado indicam que 136 mil pessoas se juntaram à mobilização dos "coletes amarelos" e que houve 263 feridos, além de centenas de detidos.


(Notícia actualizada às 12:25 com mais declarações)
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