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IGF detecta indícios de burla e abuso de poder no Cofre de Previdência dos funcionários públicos

Uma auditoria divulgada esta quinta-feira aponta para a prática de actos ilegais por parte  de membros dos órgão sociais, que indiciam a prática de vários crimes. O Cofre desenvolve actividades que não estão previstas nos estatutos e em violação da lei, concluem os auditores.

Finanças
Finanças Bruno Simão
16 de Julho de 2015 às 17:07

A Inspecção-Geral de Finanças (IGF) detectou "indícios da prática de actos ilegais por parte dos membros dos órgãos sociais" do Cofre de Previdência dos Funcionários e Agentes do Estado,  "designadamente burla, participação económica em negócio e abuso de poder, os quais podem originar responsabilidades criminal e financeira".

Estas são as principais conclusões de uma auditoria a esta entidade de previdência  dos funcionários públicos, divulgadas esta quinta-feira na página da internet da IGF.

Além de sublinharem a existência de "actos administrativos com vícios susceptíveis de afectar a respectiva validade", os auditores concluíram que o Cofre "apresenta um desvio significativo da principal finalidade para que foi criado". Nesse contexto, "desenvolve actividades diversas e não previstas nos respectivos estatutos, incluindo de natureza imobiliária, turística e financeira, esta última em violação da lei".

Sem detalhar o que poderá estar em causa, as conclusões da auditoria sublinham que foram detectados "actos que colocam em causa os interesses patrimoniais dos associados e que conduzem ao acréscimo significativo dos custos de funcionamento". Exemplos: o aumento do número de trabalhadores e respectivas remunerações ou o crescimento dos encargos com imóveis e dos custos com empréstimos.

Face à actividade financeira de concessão de crédito e à prática de ilícitos criminais, a IGF efectuou participações ao Banco de Portugal e à Polícia Judiciária, lê-se ainda na página da IGF.

O Cofre de Previdência dos Funcionários e Agentes do Estado foi, aliás, objecto de buscas por parte da PJ e do Ministério Público na passada semana. A Procuradoria-Geral da República confirmou que as mesmas se realizaram "no âmbito de um inquérito que corre termos no DIAP de Lisboa".

O Cofre "é uma instituição de previdência social, de utilidade pública, constituída por associados, que são ou foram trabalhadores da função pública", pode ler-se no site daquela instituição.

A actual direcção é presidida por Américo Tomé Jardim, eleito em Dezembro de 2013 para um mandato de quatro anos.

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