Operação Marquês: Medidas de coacção de Armando Vara serão divulgadas pela PGR
O Tribunal Central de Investigação Criminal (TCIC) anunciou esta noite que o juiz Carlos Alexandre está a preparar o despacho com as medidas de coacção a aplicar ao antigo ministro socialista Armando Vara, detido no âmbito da Operação Marquês.
De acordo com uma oficial de justiça do TCIC, não será este este tribunal a divulgar as medidas de coacção, mas sim a Procuradoria-Geral da República, através de uma nota à comunicação social, a enviar ainda hoje.
Armando Vara, que é defendido por Tiago Bastos, foi detido na quinta-feira, por suspeitas de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, informou a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Após o interrogatório judicial, que começou hoje pelas 12:00 e terminou cinco horas e meia mais tarde, é agora a vez de o Ministério Público propor as medidas de coacção que entender adequadas, sendo, porém, o juiz o responsável por as determinar.
Armando Vara, de 61 anos, foi, nos governos socialistas de António Guterres, ministro-adjunto do primeiro-ministro, com os pelouros da juventude, toxicodependência e comunicação social, e ministro da Juventude e Desporto.
Posteriormente, foi administrador da Caixa Geral de Depósitos e do Millennium BCP.
Em Setembro do ano passado, Armando Vara foi condenado a cinco anos de prisão efectiva, no processo Face Oculta, por tráfico de influências. Esta decisão está em recurso no Tribunal da Relação do Porto.
A 'Operação Marquês' já conta com nove arguidos, sendo que o ex-primeiro ministro José Sócrates é o único que se encontra preso preventivamente, indiciado por fraude fiscal qualificada, corrupção e branqueamento de capitais.
O empresário Carlos Santos Silva, o administrador do grupo Lena Joaquim Barroca, o ex-motorista de Sócrates João Perna, o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda de Castro, a mulher de Carlos Santos Silva, Inês do Rosário, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o presidente da empresa que gere o empreendimento de Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira, são os outros arguidos no processo.
Entretanto hoje, os advogados de defesa de José Sócrates emitiram uma nota de esclarecimento, na qual indicam que o ex-primeiro-ministro "não tem [...] qualquer tipo responsabilidade, participação ou contributo em qualquer ato que seja sequer suspeito de ter beneficiado directamente quaisquer interesses privados, designadamente do empreendimento Vale do Lobo ou dos seus proprietários ou clientes".
Indicam também ser "absolutamente falso" que alguma vez Sócrates tenha recebido vantagem "patrimonial ou financeira" e que não tem "conhecimento do relacionamento entre o referido empreendimento turístico e as indicadas pessoas [Armando Vara] e quaisquer instituições bancárias".