Jornalista Nuno Simas vai apresentar queixa-crime por devassa da vida privada

O jornalista Nuno Simas vai apresentar uma queixa-crime ao Ministério Público por devassa da vida privada, na sequência da alegada espionagem feita pelos serviços secretos ao seu telemóvel, em 2010, quando trabalhava no jornal Público.
Lusa 30 de Agosto de 2011 às 15:01

Numa declaração à agência Lusa, Nuno Simas referiu que já deu instruções ao seu advogado para que apresente uma queixa-crime para esclarecer aquilo que parece ser uma devassa da vida privada e que o processo deverá dar entrada no Ministério Público ainda esta semana.

"Pedi ao meu advogado para apresentar uma queixa-crime para esclarecer aquilo que parece ser uma devassa da minha vida privada", disse.

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O semanário Expresso noticiou no sábado que o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) "espiou" o telemóvel de Nuno Simas "com o objectivo de descobrir as eventuais fontes do jornalista", tendo tido acesso à factura detalhada das chamadas e das mensagens.

A queixa do anual director adjunto de Informação da agência Lusa junta-se à do jornal Público, que já anunciou que vai pedir às autoridades competentes a abertura de um inquérito para investigar a alegada espionagem.

"A direcção do Público já reuniu e entende que deve ser aberto um inquérito para apurar responsabilidades. Vamos contactar com as autoridades e perceber quais são os passos concretos que devem ser dados", afirmou no sábado à Lusa a directora do jornal, Bárbara Reis, acrescentando que "um caso destes não pode ficar impune".

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A própria Procuradoria-Geral da República anunciou no sábado que iria abrir um inquérito no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, onde já correm outros processos referentes a escutas.

A alegada espionagem ilegal feita pelo SIED ao telemóvel do jornalista também preocupou o primeiro-ministro, que ordenou ao secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Pereira, a abertura de um inquérito sobre um assunto que considera de "grande gravidade".

De acordo o gabinete de Passos Coelho, o chefe do Governo considera que este assunto deve ser "plenamente e cabalmente investigado e esclarecido".

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A Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) também revelou que vai abrir um processo de averiguações ao caso.

Por sua vez, o Sindicato dos Jornalistas repudiou "veementemente" a alegada espionagem ao jornalista pelos serviços secretos, considerando que foi violada a lei sobre conservação de dados de comunicações por uma autoridade sem competência para aceder a essas informações.

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