Fitch mantém "rating" de Angola em B-. Perspetiva é estável mas há riscos na despesa
A agência de notação financeira Fitch Ratings decidiu manter o "rating" de Angola em B-, com perspetiva de evolução estável, salientando o risco de haver uma "derrapagem na despesa" devido às eleições do próximo ano.
"A perspetiva estável reflete a nossa opinião de que os riscos para o rating estão, em geral, equilibrados; preços mais elevados do petróleo podem gerar receitas extraordinárias, apoiando a consolidação orçamental e as reservas externas, mas este potencial de valorização é contrabalançado pelo risco de derrapagem nas despesas, particularmente no contexto de aproximação das eleições" de 2027, diz a Fitch numa nota hoje divulgada.
PUB
Na nota, os analistas alertam ainda que "a recuperação esperada da produção de petróleo permanece incerta, podendo potencialmente anular alguns dos ganhos".
A Fitch Ratings decidiu manter a opinião sobre a credibilidade do país para honrar os compromissos financeiros, mantendo a nota de B-, abaixo do nível de credibilidade, ou em 'lixo', como é geralmente referido, devido a "indicadores de governação fracos, inflação elevada, níveis elevados de dívida pública em moeda estrangeira e uma das maiores dependências de matérias-primas entre os países avaliados".
Por outro lado, acrescenta, "estas limitações são compensadas por excedentes da balança corrente e reservas internacionais acima da média dos pares, bem como por um rácio da dívida pública em declínio".
PUB
Com os protestos de julho de 2025 contra o preço dos combustíveis "a destacarem o potencial de agitação social, vemos um risco acrescido de derrapagem das despesas pré-eleitorais em transferências sociais e despesas de capital, mas esperamos uma ampla continuidade política, independentemente do resultado das eleições", dizem os analistas.
A Fitch prevê que as reservas internacionais aumentem em 2026, proporcionando uma reserva externa adequada, apesar das grandes amortizações da dívida externa de 3% a 4% do PIB previstas até 2027 e de um pico ainda maior, em 2028.
O excedente da balança corrente deve "aumentar significativamente em 2026, face aos 0,4% registados em 2025, devido aos preços e à produção de petróleo mais elevados, à medida que novos campos petrolíferos entram em produção".
PUB
A nível orçamental, a Fitch prevê que o défice das contas públicas do ano passado tenha ficado nos 4,5% do PIB, com um pequeno défice primário de 0,4%, e antevê que o saldo orçamental primário (descontando o pagamento de juros da dívida) seja positivo este ano, devido a um aumento das receitas do petróleo.
A dívida pública de 51% do PIB no final de 2025 deverá melhorar para menos de 46% este ano, graças aos excedentes primários e ao forte crescimento do PIB nominal, dizem os analistas, acrescentando que a dívida externa vale 72% do total, o que expõe o país ao risco da trajetória cambial.
Por último, a inflação deste ano deverá melhorar de 12,4%, em março, para 10% em dezembro, "sustentada pela estabilidade do kwanza, por política monetária restritiva mantida através de um ritmo cauteloso e gradual de novos cortes nas taxas de juro e pelos subsídios aos combustíveis, que protegem os consumidores do impacto do preço do petróleo nos preços de retalho".
PUB
Mais lidas
O Negócios recomenda