Três mil milhões anuais de receita com mercado de carbono? Nigéria quer atingir essa meta

O Governo quer explorar o potencial de redução de emissões de carbono, ao colocar um preço na poluição, nos setores de energia, agricultura, silvicultura, resíduos e indústria.
Chefe de Estado da Nigéria, Bola Tibunu.
AP / Eraldo Peres
Bárbara Cardoso 18 de Janeiro de 2026 às 14:00

Colocar um preço na poluição? A Nigéria acredita que sim. O país, que é uma das maiores economias de África, quer entrar na negociação em grande escala de licenças de emissão de gases de efeitos de estufa e acaba de criar uma estrutura de mercado de carbono. 

O presidente nigeriano, Bola Tinubu, aprovou na noite de segunda-feira a implementação e operacionalização deste sistema, que pode vir a gerar receitas de, pelo menos, três mil milhões de dólares anuais até ao final da década. 

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A ideia de um mercado de carbono é simples: quem polui paga, e quem poluir menos ganha ainda mais dinheiro. Para tal, a Nigéria vai criar um registo nacional de carbono, obrigando ainda as empresas a discriminar as emissões via relatórios, bem como "mecanismos de conformidade faseados que se alinham ao plano climático atualizado do país", explicou o diretor-geral do Conselho Nacional de Mudanças Climáticas da Nigéria, Tenioye Majekodunmi. 

O potencial da redução de CO2 vai incidir nos setores de energia, agricultura, silvicultura, resíduos e indústria, fulcrais para cumprir as metas nigerianas: acabar com as emissões até 2035 e emissões líquidas zero até 2060. 

Numa primeira fase, o plano passa por priorizar a participação no mercado voluntário de carbono e no comércio internacional, além de implementar um sistema doméstico de comércio de emissões. Só depois, um imposto sobre carbono.

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O Governo dá ainda um "bónus". Quem evitar uma tonelada métrica de CO2 com os projetos - que representará um crédito -, terá direito a uma isenção fiscal sobre as receitas até dez anos. 

A política "verde", fundamental para a estratégia da economia nigeriana, servirá assim para atrair capital estrangeiro até ao país, “apoiando a transição energética e consolidando o papel da África no financiamento climático global”, disse Majekodunmi. 

No entanto, o Governo de Bola Tinubu pode enfrentar dificuldades com o risco de as ambições ficarem pelo caminho. Segundo a Bloomberg, a confiança nos mercados mundiais de carbono está a cair: encolheram em mais de dois terços desde 2021. Em causa estão as crescentes preocupações com a qualidade dos projetos de carbono, assim como uma redução mais alargada das ações empresariais em relação ao clima. 

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