BAI: Carteira de crédito bancário em Angola tem vindo a degradar-se
Um administrador executivo do Banco Angolano de Investimentos (BAI) afirmou esta quarta-feira em Luanda que a carteira de crédito da maior parte da banca angolana "tem vindo a degradar-se".
Luís Filipe Lélis, que falava à imprensa para comentar a primeira notação atribuída pela Moody's ao banco, anunciada terça-feira, disse que no caso do BAI, a carteira de crédito mal parado é actualmente de 7%.
No primeiro 'rating' ao BAI, a Moody's considerou que o nível de crédito está abaixo do nível de investimento ('lixo') com uma perspectiva estável, reflectindo a "fraca qualidade e os elevados custos do crédito".
No encontro de hoje com a imprensa, Luís Filipe Lélis reconheceu que o crédito malparado é um dos problemas com que se debate a banca angolana, sobretudo nos últimos dois anos, mas salientou não concordar com a notação da Moody´s.
"Não entendemos assim, porque é preciso entender como a notação é feita (...) A carteira de crédito da maior parte dos bancos, nos últimos dois anos, tem-se vindo a degradar, resultado do contexto macroeconómico. Mas nós estamos muito optimistas em relação àquilo que será 2014 e os anos vindouros", disse.
O administrador-executivo do BAI acrescentou que "mais importante" é o grau de cobertura constituído pelo banco a nível de provisões para o crédito mal parado. "O BAI tem 166% de grau de cobertura, com um rácio de solvabilidade acima dos 13%", frisou, manifestando que o Banco Nacional de Angola exige um mínimo de 10%.
"Estes números indicam a solidez do banco, um banco essencialmente com uma liquidez significativa. Nós estamos preparados para financiar a economia, para financiar os desafios que os empreendedores nos coloquem no futuro", vincou.
Na nota de imprensa divulgada terça-feira pela Moody's, a avaliação que foi dada ao BAI, que tem activos líquidos superiores a 11 mil milhões de dólares, de acordo com a informação que consta no seu site, é alicerçada na "actividade bem estabelecida em Angola, com um balanço financiado por depósitos e com elevada liquidez, fornecendo uma forte base para que o banco beneficie do crescimento da economia angolana".
A agência destaca também que o banco tem "fundos próprios adequados para absorver perdas inesperadas, conforme indicado pelo elevado rácio de cobertura de crédito por provisões e a capacidade de geração de receita".
Na parte final do encontro com os jornalistas, Luís Filipe Lélis destacou que o BAI tem disponíveis cerca de 100 milhões de dólares (cerca de 73,8 milhões de euros) para crédito ao abrigo do programa Angola Invest, criado pelo Ministério da Economia para diversificação da economia angolana, ainda muito dependente do petróleo.
O administrador-executivo do BAI destacou ainda que o banco conta actualmente com mais de meio milhão de clientes, que dispõem de 130 agências e com 1.800 colaboradores, e que entre as metas para 2014 figura a manutenção da média de crescimento anual alcançada nos últimos dois anos, captar 24 mil novos clientes.