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Peso de Portugal na carteira de investimento externo de Angola abaixo de 1%. Chineses dominam

"Chairman" da AIPEX revela que os projetos de investimento de empresas chinesas representam 80% do total dos últimos cinco anos. Diz ainda que gostaria que "investimento angolano em Portugal fosse [mais] acarinhado", mas AICEP contrapõe: cresceu 50% e superou o investimento português em Angola.

13:58

carteira do investimento externo em Angola cresceu para cerca de 596 projetos nos últimos cinco anos, os quais totalizaram intenções de investimento de quase 22 mil milhões de dólares. Destes, apenas 72 projetos são portugueses, representando cerca de 93 milhões de dólares, ou seja, nem pesam 1%.

Os dados foram apresentados por Arlindo das Chagas Rangel, presidente do conselho de administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX), na conferência "Radar África - Os Caminhos de Angola", que o Negócios promove esta sexta-feira.

"As empresas portuguesas conhecem melhor o mercado angolano do que os próprios angolanos", comentou o "chairman" da AIPEX, acrescentando que "gostaríamos que, da forma como acarinhamos as empresas portuguesas, o investimento angolano em Portugal também fosse acarinhado".

Arlindo Rangel enfatizou que o conjunto de 72 projetos de empresas portuguesas em Angola nos últimos cinco anos "não significa nada para a relação" entre os dois países.

E a hegemonia continua a pertencer à China, apesar das alterações na forma como as duas economias se relacionam. Do total de quase 600 projetos de investimento externo em Angola, a China representa cerca de 80%. "O que temos visto é que a estrutura da relação com a China mudou", apontou o presidente do conselho de administração da AIPEX.

E concretizou: "A China deixou de ser um credor e passou a ser um investidor e a diferença entre eles e as empresas europeias é que eles tomam as decisões muito rapidamente". "As empresas portuguesas e europeias demoram muito no processo de decisão e acaba-se por perder o 'timing', a decisão deveria ser mais rápida, porque quem olha para Angola apenas pelos desafios perde o momento", concluiu.

A China deixou de ser um credor e passou a ser um investidor. A diferença entre eles e as empresas europeias é que eles tomam as decisões muito rapidamente. Arlindo das Chagas Rangel, Presidente do conselho de administração da AIPEX

A administradora executiva da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Joana Gaspar, contrapôs as palavras iniciais da AIPEX, apontando que"os investimentos angolanos em Portugal cresceram 50% no último ano e ultrapassaram os investimentos portugueses em Angola". 

"A aproximação institucional e haver boas relações políticas é logo um ponto de partida para haver confiança da parte das empresas e o anúncio do aumento da linha de crédito portuguesa para Angola aumentou a confiança das empresas e existe uma maior vontade e apetência das empresas portuguesas pelo mercado angolano", sublinhou.

Os investimentos angolanos em Portugal cresceram 50% no último ano e ultrapassaram os investimentos portugueses em Angola. Joana Gaspar, Administradora executiva da AICEP

Alberto Galhardo Simões, sócio de África Lusófona da CMS Portugal disse, por sua vez, que a evolução do investimento privado tem sido “absolutamente notável” em Angola. Sublinha que “a lei atual é muito equilibrada, fomenta muito o investimento, é amiga do investidor e equilibra bem os interesses do Estado angolano com os interesses dos investidores”.

Neste ponto, o advogado destaca que a mudança da lei sobre repatriação dos dividendos é um exemplo desta evolução positiva e “uma questão muito importante com que os investidores se preocupam”. Questionado sobre quais os aspetos mais importantes que deveriam ser alterados em Angola para que os investidores tomassem uma decisão mais rápida sobre apostarem ou não no país, Galhardo Simões notou que “Angola tem feito uma evolução notável no que respeita à parte da flexibilização cambial - invisíveis correntes, operações de capital, mas não só” e que a esse nível já tudo é feito através dos bancos comerciais e não através do Banco Nacional de Angola. Mas ressalva: “há alguns problemas criados ao nível dos bancos comerciais que levam a que esse tipo de transações se prolonguem no tempo”, acrescentando que “a própria disponibilidade de reservas cambiais no país” gera ainda dificuldades na repatriação dos investimentos, que por vezes acontece “com alguma dilação temporal”, conclui.

A lei atual é muito equilibrada, fomenta muito o investimento, é amiga do investidor e equilibra bem os interesses do Estado angolano com os interesses dos investidores. Alberto Galhardo Simões, Sócio da CMS Portugal

Notícia atualizada às 16h52 com informação adicional.

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