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Tchizé dos Santos prefere exílio à rendição

A filha de José Eduardo dos Santos afirma que não presta "vassalagem ao detrator principal" da sua família, o atual chefe de Estado, João Lourenço.

Lusa
Lusa 10 de Maio de 2020 às 15:02
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A ex-deputada do MPLA e filha do antigo Presidente de Angola, Welwitschea 'Tchizé' dos Santos, afirmou hoje que "o exílio tem mais dignidade do que a rendição" e que não presta "vassalagem ao detrator principal" da sua família.

"Prefiro o exílio do que ficar em Angola para ser enxovalhada com acusações falsas e possível prisão política, por quem não tem um passado nem dignidade para eu respeitar como meu chefe de estado", afirmou, referindo-se ao atual Presidente, João Lourenço.

A filha do antigo Presidente de Angola disse ainda que não vai baixar a cabeça "para ser humilhada e prestar uma hipócrita vassalagem" ao detrator principal da família dos Santos "em troca do silêncio pela manutenção de um cargo no parlamento a qualquer custo, ou integração social com a condição de bajular" quem a "enxovalha".

Tchizé dos Santos reagia às declarações do político angolano e líder do PRA-JA Servir Angola, Abel Chivukuvuku, que defendeu o regresso a Angola dos familiares do ex-Presidente José Eduardo dos Santos para se defenderem das acusações de que são alvo.

"Há um ditado que diz: quem não deve não teme (…) Teria sido bom se eles estivessem aqui e se defendessem aqui, mostrando que têm razão e não temem. Seria muito bom para o país, porque ao estarem longe, as pessoas ficam com a ideia que fugiram", afirmou Chivukuvuku em entrevista à Lusa, questionado sobre alegações de familiares do ex-chefe do Estado, que dizem estarem a ser perseguidos pelo atual Presidente, João Lourenço.

"Eu ia querer ver se o Dr. Abel Chivukuvuku ia ter essa opinião quando foi capturado ferido pelas tropas do governo [MPLA] do então Presidente da República (PR) e comandante em chefe José Eduardo dos Santos, após os confrontos de 1992, se o PR fosse o General João Lourenço e não o dos Santos", afirmou Tchizé dos Santos em mensagem escrita enviada à Lusa.

Na altura, Angola vivia ainda em guerra civil e Abel Chivukuvuku, atual coordenador da comissão instaladora do projeto político PRA-JA, era dirigente da UNITA, o principal partido da oposição angolana, tendo sido ferido em confrontos militares, em Luanda, e mantido sob custódia das autoridades governamentais quase durante um ano.

Tchizé dos Santos, cujo mandato de deputada foi suspenso em outubro passado - tendo sido também afastada do comité central do MPLA, partido no poder em Angola há mais de 40 anos, e suspensa por dois anos da condição de militante -, diz que a UNITA "teve mais sorte do que a famílias dos Santos" pois foi José Eduardo dos Santos que decidiu o destino dos derrotados em combate, e não João Lourenço.

"Se quando o Dr. Jonas Savimbi morreu em combate e a UNITA foi derrotada, em 2002, o PR fosse o Sr. João Lourenço, certamente o Dr. não teria hoje opinião alguma porque provavelmente estaria morto ou em prisão perpétua", respondeu a Tchivukuvuku.


Na entrevista concedida à Lusa, Abel Chivukuvuku sublinhou que "gostaria de ver as coisas discutidas aqui [em Angola]", admitindo no entanto que a justiça é "excessivamente" partidarizada.

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