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Governo moçambicano avança com dois novos ramais ferroviários em Maputo

O Presidente moçambicano reconheceu em 15 de maio "grandes desafios" na mobilidade urbana em Maputo, garantindo esforços para a construção do metro de superfície.

Governo moçambicano avança com dois novos ramais ferroviários em Maputo
Governo moçambicano avança com dois novos ramais ferroviários em Maputo Lusa
08:48

O Governo moçambicano prevê dois novos ramais ferroviários em Maputo, somando mais de 22 quilómetros, conforme concurso para a elaboração do projeto, a que a Lusa teve acesso nesta segunda-feira.

Em causa está um concurso para a contratação de serviços de consultoria para elaboração do projeto executivo e do Estudo de Impacto Ambiental e Social da construção dos novos ramais ferroviários, em Maputo e Matola, as duas maiores cidades do país.

Lançado pelo Ministério dos Transportes e Logística e pela Agência Metropolitana de Transportes de Maputo (AMT), o concurso prevê a apresentação de manifestações de interesse até 29 de junho e pretende o "reforço da rede ferroviária, promovendo o transporte ferroviário e incentivando a transferência modal, como uma solução eficiente, segura e sustentável".

O edital do concurso explica que "para o alcance destes objetivos, prevê-se a construção de dois novos ramais ferroviários na Área Metropolitana de Maputo", designadamente entre o bairro Luís Cabral e o Estádio da Independência Nacional, na Machava, com extensão de 8,3 quilómetros, e entre Albasine e o Estadio Nacional do Zimpeto, com uma extensão de 14 quilómetros.

A Lusa já tinha noticiado que o Governo moçambicano também prevê construir um Sistema de Transporte Rápido Autónomo em Maputo, através de uma parceria com privados, incluindo uma linha de 30 quilómetros entre a capital e Boane.

A medida consta de um edital publicado pelo Ministério dos Transportes e Logística e pela AMT para selecionar uma empresa de assistência técnica à contratação da entidade que vai desenhar e operar o sistema ART (Autonomous Rapid Transit).

A empresa a selecionar terá de apresentar a conceção detalhada do projeto, fornecer o material circulante e sistemas tecnológicos, construir as infraestruturas, implementar o sistema ART - solução híbrida de transporte público urbano semelhante a metro de superfície, cruzando comboio e autocarro articulado - e garantir operação inicial, transferida depois, progressivamente, para o Governo.

O edital deste concurso, que permite a manifestação de interesse até 03 de junho, especifica, nomeadamente, a linha 2 desta rede, ligando Maputo a Matola, as duas maiores cidades moçambicanas, e depois Boane, numa extensão de aproximadamente 30 quilómetros.

O Presidente moçambicano reconheceu em 15 de maio "grandes desafios" na mobilidade urbana em Maputo, garantindo esforços para a construção do metro de superfície.

"Em relação à mobilidade urbana da cidade de Maputo, nós entregamos cerca de 200 viaturas (...) na segunda-feira passada, mas temos consciência que não é tudo. Ainda continuam grandes desafios da mobilidade urbana na cidade de Maputo", disse Daniel Chapo.

Acrescentou que o Governo está agora a trabalhar "a todo o gás" para que as obras do metro de superfície arranquem em breve, no âmbito do programa integrado de mobilidade urbana para a capital, que prevê também soluções complementares recorrendo a Autocarros de Trânsito Rápido (BRT, na sigla em inglês) e outros sistemas.

"Nós temos consciência de que os 'machimbombos' [autocarros], BRT, incluindo, portanto, o metro de superfície, os três sistemas a trabalharem juntos, aí, sim, (...) podemos considerar a mobilidade urbana da cidade de Maputo resolvida", afirmou.

Em 11 de maio, Chapo anunciou que Moçambique vai lançar este ano um Programa Nacional de Massificação de Gás Veicular, ao entregar mais de 190 novos autocarros movidos a gás, garantindo que esse recurso, moçambicano, já muda a vida do povo.

"Todos estes autocarros funcionam a gás natural, para minimizar o preço. Isto significa que Moçambique começa, de forma cada vez mais concreta, a transformar os seus próprios recursos naturais em soluções para reduzir o custo de vida do seu povo", sublinhou.

Tratou-se da entrega de 190 autocarros movidos a gás, que vão servir 2,8 milhões de habitantes da cidade e província de Maputo, incluindo 40 para reforçar o transporte escolar.

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