EUA com o maior salto nos preços do produtor desde a invasão da Ucrânia
A crise energética desencadeada pelo conflito no Médio Oriente levou a inflação no produtor a registar o maior salto nos EUA desde dezembro de 2022, quando as economias globais se viam a braços com os impactos da invasão da Ucrânia por parte da Rússia. No mês passado, o índice dos preços no produtor acelerou para 6% em termos homólogos, de acordo com dados divulgados esta quarta-feira pelo Gabinete de Estatísticas Laborais norte-americano.
O valor ficou bastante acima do registado em março, quando a economia dos EUA enfrentou os primeiros impactos da guerra no Irão, levando os preços no produtor a subirem para 4%. Os economistas abordados pela Bloomberg antecipavam uma subida no índice de apenas 0,8 pontos percentuais, em abril, para 4,8%.
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Tal como no período após a invasão da Ucrânia, o grande aumento registado no mês passado na inflação no produtor deve-se a uma escalada dos preços dos combustíveis. O estalar do conflito no Médio Oriente levou o Irão e, mais tarde, os EUA a bloquearem o estreito de Ormuz, por onde passa um quinto de todo o crude e gás natural consumidos no mundo. As disrupções fizeram com que os preços do petróleo disparassem no mercado internacional, com o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os norte-americanos - a negociar acima dos 100 dólares por barril.
Na terça-feira, o Gabinete de Estatísticas Laborais já tinha revelado que o índice dos preços no consumidor em abril tinha aumentado para 3,8% - mais 0,5 pontos percentuais do que no mês anterior. O valor também ficou acima do consenso dos economistas, que apontavam para uma inflação de 3,7%. O índice da energia aumentou quase 18%.
A reação no mercado da dívida foi imediata. Os juros das "Tresuries" norte-americana a dez anos, maturidade de referência, chegaram a saltar 4,49 pontos-base e atingiram máximos de julho do ano passado.
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