EUA com o maior salto nos preços do produtor desde a invasão da Ucrânia

A inflação no produtor disparou para 6% em abril, um valor que ficou bastante acima dos 4,8% previstos pelos analistas. Tal como na evolução dos preços no consumidor, o grande aumento nos preços da energia justificam esta escalada.
Escalada nos preços da energia foram o grande impulsionador da subida na inflação no produtor.
Jim Lo Scalzo/EPA
Ricardo Jesus Silva 15:51

A crise energética desencadeada pelo conflito no Médio Oriente levou a inflação no produtor a registar o maior salto nos EUA desde dezembro de 2022, quando as economias globais se viam a braços com os impactos da invasão da Ucrânia por parte da Rússia. No mês passado, o índice dos preços no produtor acelerou para 6% em termos homólogos, de acordo com dados divulgados esta quarta-feira pelo Gabinete de Estatísticas Laborais norte-americano.

O valor ficou bastante acima do registado em março, quando a economia dos EUA enfrentou os primeiros impactos da guerra no Irão, levando os preços no produtor a subirem para 4%. Os economistas abordados pela Bloomberg antecipavam uma subida no índice de apenas 0,8 pontos percentuais, em abril, para 4,8%.

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Tal como no período após a invasão da Ucrânia, o grande aumento registado no mês passado na inflação no produtor deve-se a uma escalada dos preços dos combustíveis. O estalar do conflito no Médio Oriente levou o Irão e, mais tarde, os EUA a bloquearem o estreito de Ormuz, por onde passa um quinto de todo o crude e gás natural consumidos no mundo. As disrupções fizeram com que os preços do petróleo disparassem no mercado internacional, com o West Texas Intermediate (WTI) - de referência para os norte-americanos - a negociar acima dos 100 dólares por barril

Na terça-feira, o Gabinete de Estatísticas Laborais já tinha revelado que o . O valor também ficou acima do consenso dos economistas, que apontavam para uma inflação de 3,7%. O índice da energia aumentou quase 18%. 

A reação no mercado da dívida foi imediata. Os juros das "Tresuries" norte-americana a dez anos, maturidade de referência, chegaram a saltar 4,49 pontos-base e atingiram máximos de julho do ano passado. 

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