Sob pressão do embargo petrolífero, Cuba reconhece negociações com EUA
Após meses de pressão económica dos EUA, devido ao embargo da venda de petróleo a Cuba, o Presidente do país caribenho, Miguel Díaz-Canel, reconheceu esta sexta-feira pela primeira vez que existem negociações em curso com a Administração Trump.
Díaz-Canel disse num discurso que as conversações “se destinam a encontrar soluções através do diálogo para as diferenças bilaterais entre as duas nações. Os fatores internacionais facilitaram estas trocas”. Contudo, não especificou que fatores são esses.
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O Presidente cubano disse que o país não recebe carregamentos de petróleo há três meses devido ao bloqueio dos EUA, o que levou à escassez de combustíveis e ao fecho de duas centrais elétricas. O país está a recorrer ao gás natural, às centrais termoelétricas e à energia solar – embora esta seja bastante limitada.
Embora Cuba produza cerca de 40% do petróleo que consome, gerando parte da energia que necessita, a oferta tem sido bastante insuficiente em relação à procura. Díaz-Canel diz que a falta de energia afetou os setores das comunicações, educação, transportes e saúde. “O impacto é tremendo”, admitiu.
Sobre as negociações, Díaz-Canel disse que o objetivo é identificar “problemas bilaterais que exijam soluções baseadas na sua gravidade e impacto”. As conversações pretendem também “determinar a vontade de ambas as partes para tomarem ações concretas para confrontar ameaças e garantir a segurança e paz para ambas as nações e a região”.
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Donald Trump aludiu a negociações com Cuba por várias vezes. Na semana passada, o Presidente dos EUA disse que o país está praticamente no fim da linha e que espera “grandes mudanças” em breve na ilha. Já Díaz-Canel pede respeito pela “autodeterminação e soberania” de Cuba e pelo sistema político de ambos os países.
O discurso de Díaz-Canel surge apenas um dia depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter anunciado a libertação de 51 prisioneiros, medida tomada com a intermediação do Vaticano. “É uma prática soberana, não nos foi imposta”, disse Díaz-Canel.
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