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Colapso económico de Porto Rico produz êxodo em massa

É uma escolha dolorosa: ficar para ajudar outras famílias ou ir-se embora para ajudar a sua própria.

Bloomberg / Reuters / Getty Images
04 de Junho de 2017 às 18:09

Este é o cálculo que milhares de porto-riquenhos estão a fazer. O pedido de concordata do território associado dos EUA após anos de declínio provocou um êxodo que está a agravar os problemas económicos da ilha.

"Eu tive que escolher a minha família", disse Aledie Amariah Navas Nazario, de 39 anos, uma pneumologista infantil que deixou para trás jovens pacientes com asma quando se mudou com o marido e duas filhas pequenas para Orlando, Flórida.

A redução populacional é impressionante. A ilha perdeu 2% da sua população em cada um dos últimos três anos. Um êxodo comparável dos 50 estados americanos equivaleria à saída de 18 milhões de pessoas desde 2013. Em comparação com há uma década, quando a economia começou a contrair, cerca de menos 400.000 porto-riquenhos moram na ilha que hoje tem 3,4 milhões de habitantes.

O êxodo deixou Porto Rico atolado numa espiral descendente. Uma recessão dura, com uma taxa de desemprego de 11,5%, e uma montanha de dívidas de 74 mil milhões de dólares, que levou a ilha à insolvência, a cobrança de impostos passou a ser fundamental para a recuperação económica. Ao mesmo tempo, mais porto-riquenhos estão a abandonar a ilha para melhorar de vida, o que significa que a receita pública está a diminuir.

Êxodo

O governo não parece ter percebido o fluxo de saída. O plano de recuperação de Porto Rico – um caminho para a sustentabilidade aprovado por um conselho de supervisão dos EUA – pressupõe que a população diminuirá apenas 0,2% por ano durante o próximo decénio. O governo utiliza este número como base nas suas projecções de receita fiscal e crescimento económico.

O êxodo não se limita a profissionais. Entre as massas que abandonam a ilha há trabalhadores da construção e taxistas. Um estudo da Reserva Federal de Nova Iorque concluiu que pessoas com diploma universitário representam aproximadamente a mesma proporção de emigrantes que da população total da ilha, o que sugere que as saídas afectaram todos os cantos de Porto Rico.

"Se as pessoas continuarem a sair da ilha ao ritmo observado nos últimos anos, o potencial económico de Porto Rico só vai continuar a deteriorar-se", escreveram para a Fed de Nova Iorque autores como Jaison Abel e Giacomo De Giorgi.

Declínio

É verdade que a população de Puerto Rico diminui há 12 anos e que outros episódios de declínio acabaram em períodos semelhantes. Alguns exemplos são os ciclos de subidas e descidas das "commodities", que diminuíram as populações do Wyoming e da Virgínia Ocidental na década de 1980, e a fuga da cidade de Nova Iorque durante uma onda de criminalidade na década de 1970. No fim de contas, as populações parecem parar de se contrair quando quem queria e podia sair já foi embora.

Mas nenhum desses exemplos é uma analogia directa com Porto Rico, cujos moradores têm passaporte dos EUA, mas vivem em condições socioeconómicas mais parecidas com as da América Latina.

Para Navas Nazario, a escolha acabou por ser óbvia. "As pessoas dizem: ‘Você não lutou. Você desistiu’", disse ela. "Não é assim quando se tem um filho pequeno. É preciso escolher por eles."

Título original em inglês: ‘I Had to Choose for My Family’: Thousands Fleeing Puerto Rico

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