Irão avisa EUA sobre retaliação, enquanto os protestos entram na terceira semana

Presidente do Parlamento iraniano reagiu às palavras de Trump de que os EUA estão prontos para ajudar. Ghalibaf responde e avisa que o Irão poderá agir preventivamente contra potenciais ameaças.
Irão avisam EUA sobre retaliação, enquanto os protestos entram na terceira semana
AP
Negócios com Bloomberg 09:59

Teerão avisou os Estados Unidos e Israel contra qualquer intervenção relativa aos protestos nacionais no Irão, numa altura em que as manifestações entram na sua terceira semana e o número de vítimas mortais continua a aumentar.

A agência de notícias Human Rights Activists, sediada nos EUA, afirmou que as mortes ligadas à recente agitação - que teve início a 28 de dezembro devido a uma crise cambial - atingiram as 116, tendo a maioria das vítimas sido morta por munições reais ou tiros de chumbinhos. O sábado marcou a terceira noite de intensificação das demonstrações a nível nacional, após apelos de Reza Pahlavi, o filho exilado do antigo Xá do Irão, para a ocupação de centros urbanos e a realização de greves em setores-chave.

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O Presidente Donald Trump tem alertado repetidamente o regime iraniano para não disparar sobre os manifestantes, afirmando inclusive, no sábado, que os EUA “estão prontos para ajudar!!!”. O presidente foi informado nos últimos dias sobre novas opções para ataques militares, informou o New York Times, citando vários funcionários norte-americanos.

"No caso de um ataque militar dos EUA, tanto os territórios ocupados como os centros militares e de navegação dos EUA serão alvos legítimos para nós", afirmou o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, em declarações transmitidas pela televisão estatal.

Ghalibaf reiterou o aviso de que o Irão poderá agir preventivamente contra potenciais ameaças. “No âmbito da legítima defesa, não nos limitamos a responder apenas após um ataque”, declarou.

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Ao final do dia de sábado, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, acusou os EUA e Israel de alimentarem a agitação violenta e alertou contra qualquer ação contra Teerão.

“O único aspeto ‘delirante’ da situação atual é a crença de que o fogo não acaba por queimar os próprios incendiários”, disse Araghchi.

Para além dos mortos, outras 2.638 pessoas foram detidas, segundo a organização Human Rights Activists. Algumas das vítimas mortais incluíam pessoal médico e sete das vítimas tinham menos de 18 anos, acrescentou a organização.

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A Rádio do Exército de Israel informou este domingo que as autoridades de segurança do país consideram improvável que o Irão ataque Israel nesta fase. "Não se identifica tal intenção imediata em Israel — mas sim um foco iraniano em questões internas", noticiou aquele meio citando autoridades de defesa não identificadas.

Imagens de cidades iranianas sugerem que centenas de milhares de pessoas, incluindo muitos idosos, estão a desafiar as severas advertências das autoridades para que permaneçam fora das ruas, apesar do bloqueio nacional da Internet e das severas restrições às telecomunicações que bloqueiam chamadas e mensagens de texto desde quinta-feira.

O grupo de monitorização da internet NetBlocks afirmou numa publicação na rede social X, no início deste domingo, que a conectividade à Internet no Irão "continua estável em cerca de 1% dos níveis normais".

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Ainda assim, vários vídeos nas redes sociais, supostamente gravados num armazém no sul de Teerão, mostram pessoas a vasculhar dezenas de cadáveres em sacos mortuários, alinhados no chão e em macas. É possível ouvir gritos enquanto as pessoas se debruçam sobre os sacos, tentando identificar os seus entes queridos.

No mês passado, eclodiram protestos entre grupos de comerciantes em Teerão devido à deterioração das condições económicas e de vida, mas desde então transformaram-se nas maiores manifestações antirregime a abalar o país desde 2022, quando a morte de Mahsa Amini sob custódia policial desencadeou a ira nacional e protestos em massa.

(Notícia atualizada às 10h27 com mais informação da agência Bloomberg)

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