Putin quer evitar ter de enviar tropas para a Ucrânia
Ao mesmo tempo que, desde a manhã desta quinta-feira, os quatro principais interessados na crise que assola a parte oriental da Ucrânia mantêm, em Genebra na Suíça, conversas diplomáticas quadripartidas, o Presidente russo Vladimir Putin dava uma entrevista ao canal “Russian TV” onde mostrou duas facetas dificilmente conciliáveis.
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Se, por um lado, sublinhou a convicção de que Kiev e Moscovo poderão atingir um acordo de “mútuo entendimento”, por outro lado quis deixar claro que apesar de não ter como objectivo enviar tropas para a Ucrânia, dando preferência “à via diplomática e política”, esse é um “direito” do qual é titular na decorrência da “permissão concedida” pelo Parlamento russo.
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Numa entrevista em que Putin assumiu que a anexação da região da Crimeia foi acelerada, de facto, pelo processo de expansão da NATO para o leste europeu, o líder russo concedeu que a Rússia enviou mesmo tropas russas para aquela região, assegurando, porém, que os homens armados que tomaram a Crimeia eram “forças locais de autodefesa”, cita a “BBC”. Seguramente Moscovo não encara com bons olhos a decisão da NATO, desta quarta-feira, de aumentar os dispositivos militares na Europa de leste.
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A posição do Kremlin permanece indefinida. Aquilo que foi dado como garantido é que se a campanha eleitoral para as eleições presidenciais ucranianas, antecipadas para 25 de Maio, continuar a “ser conduzida de forma inaceitável”, Moscovo não irá “certamente reconhecer a legitimidade” de um Presidente eleito desta forma.
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O primeiro-ministro interino ucraniano, Arseny Yatseniuk, em declarações aos jornalistas já respondeu a Putin: “A Rússia apenas pretende agravar a situação porque o objectivo de Putin passa somente por deslegitimar a eleição presidencial de 25 de Maio”.
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No leste da Ucrânia surgem relatos da morte de um rebelde pró-Rússia e de 13 feridos resultantes de confrontos com o exército ucraniano na cidade de Mariupol no sudeste do país.
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Num dia em que as notícias e os relatos se sobrepõem, o “The Guardian” adianta que em Genebra estará a ser preparado um comunicado conjunto, o que poderá ser um indício positivo de que o encontro desta quinta-feira poderá significar a adopção da diplomacia enquanto via para a resolução do conflito.
Sabe-se que Moscovo defende a federalização das regiões ucranianas o que, defende o Kremlin, permitiria garantir maior autonomização e capacidade de integração das várias comunidades dentro de cada Estado. O Presidente em funções da Ucrânia, Oleksandr Turtchynov, de forma algo inesperada, revelou esta semana alguma abertura à possibilidade de um referendo regional sobre a eventual pretensão de independência e, ou, federalização da região leste da Ucrânia.
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