Rússia aumenta dispositivo militar na Crimeia em semana de referendo
De um lado a Rússia e do outro a Ucrânia, a Europa e os Estados Unidos. A divergência prende-se com a região autónoma da Crimeia. No próximo domingo os habitantes desta península são chamados a decidir, em referendo, se querem passar a fazer parte do território russo.
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Enquanto a comunidade internacional considera este referendo um “acto ilegítimo” e ameaça Moscovo com sanções económicas, o Presidente russo Vladimir Putin mostra-se irredutível e repetiu, desta feita a Angela Merkel, chanceler alemã, e David Cameron, primeiro-ministro inglês, que "os passos dados pelas autoridades legítimas da Crimeia baseiam-se na lei internacional". Mas Putin não se fica pela retórica e, de acordo com o “El País”, nos últimos três dias chegaram, provenientes da Rússia, dezenas de camiões militares russos com o objectivo de parar o avanço de paraquedistas ucranianos no norte da península autónoma. A passagem fez-se pelo estreito de Kerch onde está prevista a construção de uma ponte que ligará, por via terrestre, a Rússia à Crimeia.
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Este domingo na conversa entre Putin e os congéneres inglês e alemã a retórica ocidental, de acordo com um comunicado do Kremlin, insistiu na necessidade “de reduzir as tensões e normalizar a situação o mais rapidamente possível”. Mas se a Europa e os Estados Unidos consideram “ilegal e inconstitucional” a convocação de referendo na Crimeia, Putin insistiu, na conversa com Merkel e Cameron, que "os passos dados pelas autoridades legítimas da Crimeia sustentam-se na lei internacional". O Presidente russo indicia que aceitará a decisão do povo da Crimeia.
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O Kremlin voltou ainda a insistir na ideia de que “o Governo ilegítimo” de Kiev nada tem feito para controlar e interromper as acções de extrema direita que colocam em causa os direitos dos cidadãos descendentes russos que vivem na Ucrânia.
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Domingo realiza-se o referido referendo e até lá deverão continuar os protestos e manifestações que opõem ucranianos pró-russos e defensores da unidade e integridade territorial da Ucrânia. A Reuters escreve que durante o fim-de-semana milhares de manifestantes das duas facções se enfrentaram um pouco por todo o território ucraniano.
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A Crimeia, que tem uma população maioritariamente russófona, é controlada há cerca de duas semanas por vários homens armados que defendem a integração à Rússia. Se no domingo o povo desta região aprovar a adesão à Rússia este dever-se-á processar com facilidade, segundo afirma, citado pela Lusa, o primeiro-ministro da Crimeia, Serguei Axionov: “Se a consulta popular disser que sim, que a Crimeia deve formar parte da Rússia, começaremos a trabalhar 24 horas por dia". Axionov garante que a anexação à Rússia ficaria concluída “em meses”.
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Até lá Putin deverá aguardar mantendo as posições russas na Crimeia e ao largo do Mar Negro. Neste período de tempo a pressão internacional também deverá manter a pressão e as ameaças a Moscovo. O Presidente norte-americano Barack Obama convidou, para uma visita a Washington, o primeiro-ministro em funções da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, num claro sinal de apoio da Casa Branca às autoridades ucranianas. Mas Putin parece pouco disposto a mudar de posição e foi isso que tentou, uma vez mais, deixar claro na conversa telefónica deste domingo a Angela Merkel e David Cameron.
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