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Moscovo vai preparar legislação para receber a Crimeia

Com o aproximar da realização do referendo na Crimeia, a Rússia posiciona-se para a integração desta região no seu território, enquanto a Europa e os Estados Unidos pretendem reforçar as sanções contra Moscovo. Tudo parece encaminhar-se para o endurecimento das posições.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 11 de Março de 2014 às 11:56
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A câmara baixa do Parlamento russo vai discutir, no próximo dia 21 deste mês, a introdução de alterações legislativas que permitam a anexação da região autónoma da Crimeia no território russo, segundo noticia a “CNN”. Esta notícia mostra que Moscovo está já a antecipar o mais do que provável resultado, favorável à adesão à Rússia, do referendo do próximo domingo.

 

A Crimeia é uma região com uma população maioritariamente russófona e está sob controlo de manifestantes armados pró-russos há cerca de duas semanas. A realização deste referendo é considerada “ilegal e inconstitucional” pelas autoridades de Kiev, pela Europa e pelos Estados Unidos. O embaixador norte-americano em Kiev, Geoffrey Pyatt , já admitiu que Washington vai recusar-se a reconhecer o “dito referendo”.

 

Caso se concretize a consulta popular a União Europeia (UE) ameaça com mais sanções. O “Financial Times” escreve que a UE já está a preparar mais um conjunto de sanções contra Moscovo e, paralelamente, um pacote adicional de ajuda financeira à Ucrânia.

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, admite a imposição de sanções já esta semana no caso de Moscovo não aceitar as condições propostas pelo ocidente para a resolução da crise na Crimeia. Esta segunda-feira o primeiro-ministro inglês David Cameron avisou que o Governo londrino poderia avançar com a revisão das condições relativas à exportação de armas britânicas para a Rússia.

 

Moscovo recusa-se negociar nos termos ocidentais

 

Os Estados Unidos apresentaram a Moscovo um plano inicial de negociações que contempla um conjunto de pressupostos, entre os quais o imediato regresso às bases militares das forças do exército russo estacionadas no Kremlin. Washington considera que a realização do referendo é “inconstitucional” mas reconhece plenamente a legitimidade do novo Governo ucraniano que sucedeu ao ex-Presidente Viktor Yanukovych.

 

Todavia Moscovo não admite estes termos e, por essa razão, já está a preparar um conjunto de contrapropostas ao plano norte-americano. O chefe da diplomacia russo, Sergey Lavrov, defende que as propostas apresentadas por Washington “não são adequadas” e “não nos satisfazem”. A Casa Branca pretende que Moscovo reconheça as autoridades de Kiev mas o Kremlin insiste na “ilegitimidade” deste Governo constituído por “um gangue fascista” que chegou ao poder através de uma “insurreição armada”. Moscovo continua a reconhecer Yanukovych como o Presidente de direito da Ucrânia.

 

Entretanto o secretário de Estado John Kerry recusou nova possibilidade de conversações com o Presidente russo Vladimir Putin até que o Kremlin aceite como base das negociações o documento proposto pelos norte-americanos. Assim se chegou a uma oposição de posições que parece impossível dirimir até à realização do referendo este domingo. A chanceler alemã, Angela Merkel, j´advertiu que "o tempo para conversações e para uma aproximação é curto".

 

A menos de uma semana do referendo, que deverá ditar a aprovação, pelo povo da Crimeia, da anexação à Rússia, Moscovo já aumentou o dispositivo militar na região da Crimeia ao mesmo tempo que prepara um novo plano de negociações segundo os pressupostos defendidos pelo Kremlin. Parece endurecer a posição russa. Vários órgãos de comunicação reportaram que na última madrugada as tropas russas, na península da Crimeia, terão efectuado vários disparos de advertência.

 

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