Israel diz que guerra não terminou. Irão ameaça navegação de petroleiros de aliados dos EUA
Teerão ameaça impedir a navegação de petroleiros a países aliados dos EUA
Turquia instala bateria antiaérea ‘Patriot’ no centro do país
Países do Médio Oriente cortam até 6,8 milhões de barris por dia na produção de petróleo
China, Rússia e França entram em contacto para discutir trégua
Trump acusa Teerão de criar novo local para desenvolver armas nucleares
China pede cessar-fogo em conversas com homólogos do Bahrein e Kuwait
Primeiro-ministro de Israel alerta que a guerra contra Teerão não terminou
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse esta terça-feira que Israel está a atingir o regime iraniano desde o início da ofensiva, e frisou que a campanha militar ainda não terminou.
Sobre o curso da guerra contra o Irão, Netanyahu disse que a campanha está a "partir os ossos" do regime de Teerão.
"Não há dúvida de que, com as ações tomadas até agora, estamos a 'partir-lhe os ossos' — e ainda não acabámos", afirmou o primeiro-ministro de Israel.
As declarações de Netanyahu ocorreram hoje durante uma visita a um centro de emergência israelita coordenado pelo Ministério da Saúde.
"Aspiramos a conduzir o povo iraniano a romper o jugo da tirania. Em última análise, isso depende deles", disse ainda o primeiro-ministro de Israel.
Na segunda-feira à noite, o Presidente dos Estados Unidos foi contraditório quanto ao fim da guerra, ameaçando atacar "com mais força" o Irão caso o país bloqueie os carregamentos de petróleo.
Mesmo assim, na mesma declaração antecipou um fim próximo do conflito iniciado no final de fevereiro.
Entretanto, as bolsas europeias recuperaram na abertura de hoje depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter declarado na noite de terça-feira que a guerra no Médio Oriente estava "virtualmente" terminada.
Teerão ameaça impedir a navegação de petroleiros a países aliados dos EUA
A Guarda Revolucionária iraniana disse esta terça-feira que o Irão não vai permitir a exportação de petróleo produzido na região para países aliados dos Estados Unidos e de Israel enquanto a guerra no Médio Oriente se mantiver.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, Ali Mohammad Naini, citado pela agência de notícias Tasnim, disse que as forças iranianas não vão permitir a exportação "de um único litro de petróleo" da região até novas ordens.
A navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, está condicionada desde o início da guerra, a 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
Teerão retaliou com ataques de drones e mísseis contra interesses israelitas e norte-americanos em toda a região e atacou repetidamente petroleiros que utilizam a rota marítima.
Os preços do petróleo aumentaram, ultrapassando os 100 dólares por barril, o nível mais elevado desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
Na segunda-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que as operações militares no Irão vão terminar "em breve" revertendo a tendência de subida do preço do petróleo.
Turquia instala bateria antiaérea ‘Patriot’ no centro do país
As forças armadas da Turquia anunciaram hoje a instalação de uma bateria de mísseis de defesa aérea ‘Patriot’, de fabrico norte-americano, no centro do país, um dia depois da segunda interceção de um míssil alegadamente disparado do Irão.
"Foi instalado um sistema ‘Patriot’ para reforçar a proteção do nosso espaço aéreo, em Malatya", província a leste de Anatólia, informou o ministério da Defesa turco em comunicado.
Naquela região está instalada a base militar norte-americana de Kurecik, que possui um radar de alerta antecipado capaz de detetar lançamentos de mísseis inimigos.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) confirmou na segunda-feira o abate de um míssil destinado à Turquia, sem especificar a sua origem, e afirmou estar preparada para “defender todos os aliados contra qualquer ameaça”.
“A NATO voltou a intercetar um míssil destinado à Turquia. A NATO mantém-se firme na sua prontidão para defender todos os aliados contra qualquer ameaça”, indicou a porta-voz da Aliança Atlântica, Allison Hart, em resposta à agência Lusa.
Segundo o governo da Turquia “fragmentos do míssil caíram em campos em Gaziantep [sudeste da Turquia]”, mas “o incidente não causou vítimas nem feridos”.
Países do Médio Oriente cortam até 6,8 milhões de barris por dia na produção de petróleo
Quatro países da região do Médio Oriente já reduziram a produção petrolífera até 6,8 milhões de barris por dia. A informação é avançada pela agência de notícias financeiras Bloomberg, que cita uma fonte familiarizada com o processo.
O Kuwait terá reduzido a produção diária em 500 mil barris por dia, enquanto os Emirados Árabes Unidos reduziram a produção entre 500 mil e 800 mil barris por dia.
Os maiores cortes vêm da Árabia Saudita, que terá reduzido a produção entre dois milhões a 2,5 milhões de barris por dia, enquanto o Iraque já terá cortado a produção em até 2,9 milhões barris por dia.
Os cortes na produção acontecem numa altura em que os sistemas de armazenamento dos países começam a ficar cheios, devido à falta de escoamento através do Estreito de Ormuz.
Os números são avançados nesta terça-feira, num dia em que os preços do crude estão a reduzir de forma significativa, em reação à promessa do Presidente dos EUA de que o conflito irá terminar muito em breve.
China, Rússia e França entram em contacto para discutir trégua
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que vários países, incluindo a China, a Rússia e a França, contactaram Teerão para discutir um possível cessar-fogo.
"A nossa primeira condição para um cessar-fogo é que a agressão não se repita", declarou ainda Gharibabadi, durante uma entrevista divulgada esta terça-feira pela agência de notícias persa ISNA.
"Não iniciámos a agressão nem a guerra", disse o diplomata, em resposta aos apelos para um cessar-fogo, acrescentando que o país está a defender-se.
As declarações surgem depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, ter rejeitado, na segunda-feira, negociações de paz com os Estados Unidos (EUA).
"Estamos prontos para continuar a atacá-los com mísseis durante o tempo que for necessário e sempre que for necessário", disse o chefe da diplomacia iraniana à emissora norte-americana PBS News.
Araqchi acrescentou que as negociações com Washington "já não estão na agenda" e que o Irão está preparado para lutar "pelo tempo que for necessário".
No domingo, o ministro já tinha rejeitado apelos para um cessar-fogo imediato, durante uma entrevista com uma outra emissora norte-americana, a NBC.
Trump acusa Teerão de criar novo local para desenvolver armas nucleares
O Presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, alegou que a guerra com o Irão começou porque o país estava a iniciar a construção de um novo local para o desenvolvimento de material para armas nucleares.
Numa conferência de imprensa realizada na segunda-feira, Trump diz que o Irão tinha um novo local para desenvolver armas nucleares protegido por granito, para substituir as instalações bombardeadas no ano passado pelos EUA.
“Mas estavam a começar a trabalhar noutro local, um local diferente, um tipo diferente de local — e esse estava protegido por granito”, disse Trump.
O Presidente acrescentou que o Irão queria utilizar a “ameaça crescente dos mísseis balísticos para tornar praticamente impossível impedi-los de obter uma arma nuclear”.
Trump garantiu ainda que o Irão teria sido capaz de dominar o Médio Oriente se os EUA e Israel não tivessem lançado a atual campanha de ataques aéreos.
"Se eu não os atacasse primeiro, eles atacariam primeiro os nossos aliados. Acredito nisso com base em informações", disse o Presidente, antes de acrescentar: "Eles iriam tomar conta do Médio Oriente".
O republicano disse aos jornalistas estava desapontado com a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irão, suceder ao pai, o 'ayatollah' Ali Khamenei, que foi morto em ataques dos EUA e de Israel.
A escolha de Mojtaba Khamenei levaria a "mais do mesmo" para um país que Trump procura mudar, lamentou o chefe de Estado.
Ainda assim, o Presidente disse que "não seria correto" dizer se o novo líder do Irão seria alvo de um ataque letal, como aconteceu com o pai, o 'ayatollah' Ali Khamenei.
Trump disse que gostou da ideia de um líder interino, escolhido a partir de um grupo de candidatos locais, afirmando que este processo "funcionou bem" com a nova líder da Venezuela, Delcy Rodríguez, após a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas.
"Acho que mostrámos isso até agora na Venezuela. Temos uma mulher, Delcy Rodríguez, que é muito respeitada e está a fazer um grande trabalho", disse o republicano.
China pede cessar-fogo em conversas com homólogos do Bahrein e Kuwait
O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, pediu esta terça-feira um cessar-fogo imediato e diálogo para resolver a crise no Médio Oriente, em conversas telefónicas com os homólogos do Kuwait e do Bahrein.
Wang indicou na conversa com o homólogo do Kuwait, Yarrah Yaber al Ahmad al Sabah, que o conflito atual “constitui uma guerra que nunca deveria ter eclodido e que não beneficia nenhuma das partes”, de acordo com um comunicado publicado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
O diplomata chinês sublinhou que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irão sem autorização do Conselho de Segurança da ONU e enquanto as negociações entre Washington e Teerão ainda estavam em andamento, o que constitui uma “violação do direito internacional”.
Wang afirmou que a soberania, a segurança e a integridade territorial dos países do Golfo devem ser plenamente respeitadas, ao mesmo tempo que sublinhou que qualquer ataque contra civis ou alvos não militares “deve ser condenado”.
“A prioridade imediata é parar as operações militares e evitar que o conflito se alastre ainda mais”, acrescentou o ministro.
O chefe da diplomacia chinesa afirmou ainda que vários países do Golfo têm defendido a resolução das tensões através do diálogo, uma posição que Pequim aprecia, e reiterou que a China continuará a promover esforços diplomáticos para reduzir as tensões na região.
Wang indicou que o enviado especial do Governo chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, já se encontra na região para realizar esforços de mediação e que manterá contactos com os países envolvidos.
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