Restrição da China às exportações de combustíveis e fertilizantes gera receios

Brasil, Índia, Vietname e Filipinas entre os países que mais podem sair prejudicados com tomada de posição chinesa.
Xi Jinping, Presidente da China
Vincent Thian / Pool / Lusa - EPA
Lusa 07:28

A China está a restringir as exportações de combustíveis refinados e fertilizantes, decisão que está a fazer aumentar os receios de escassez em países dependentes destes produtos, incluindo o Brasil, face à instabilidade provocada pela guerra no Médio Oriente.

Segundo o jornal britânico Financial Times, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), principal órgão de planeamento económico chinês, ordenou recentemente a produtores de fertilizantes a suspensão de envios para o exterior. A medida segue-se a instruções anteriores dirigidas a grandes refinarias estatais para interromper exportações de combustível de aviação, gasóleo e querosene.

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Embora Pequim não tenha anunciado oficialmente controlos às exportações, fontes da indústria, diplomatas e analistas confirmaram a adoção das restrições, segundo o jornal. A China é o segundo maior exportador mundial de fertilizantes, atrás da Rússia, e o sexto maior exportador de combustível de aviação.

O Brasil é o principal destino das exportações chinesas de fertilizantes azotados, fertilizantes fosfatados e fertilizantes compostos.

As restrições estão já a ter impacto noutros países. A Índia, que obtém cerca de 10% das suas importações de fertilizantes da China, poderá enfrentar constrangimentos. As Filipinas procuram fornecedores alternativos, enquanto o Vietname, fortemente dependente de importações de combustível de aviação, alerta para possíveis ruturas a partir de abril.

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Na Austrália, a situação também se agrava. O país depende da China para cerca de um terço do combustível de aviação e é um dos principais importadores de gasóleo chinês. O Governo australiano já alertou para o risco de subida da inflação e convocou uma reunião de emergência para responder à crise.

Analistas indicam que o objetivo das autoridades chinesas passa por preservar reservas energéticas e agrícolas e proteger o mercado interno, numa altura em que a instabilidade no Médio Oriente, nomeadamente o encerramento do estreito de Ormuz, limita o acesso a matérias-primas essenciais, como o enxofre.

Especialistas consideram provável que as restrições venham a ser alargadas. "Há um esforço total para garantir que os agricultores chineses têm acesso suficiente a fertilizantes antes de qualquer exportação", afirmou Even Pay, da consultora Trivium China, citada pelo FT.

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A ausência de anúncio formal reflete, segundo analistas, a rapidez com que as medidas foram implementadas. A consultora S&P Global Energy considera improvável a concessão de exceções para exportações de combustíveis enquanto persistirem perturbações na navegação no Golfo Pérsico.

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