Wall Street mergulha no vermelho com "sell-off" das tecnológicas. Nasdaq tomba 4% e Nvidia perde 6%
Num sentimento generalizado de fuga ao risco, as bolsas de Nova Iorque desvalorizaram de forma significativa, com os mercados a apontarem para uma subida das taxas de juro da Fed.
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A sequência semanal de ganhos histórica de Wall Street chegou ao fim. As bolsas norte-americanas mergulharam no vermelho na última sessão da semana, com os investidores a procederem a mais-valias das ações ligadas à tecnologia, que vinham a beneficiar de uma onda de otimismo. Além disso, a perspetiva de aumento das taxas de juro da Reserva Federal (Fed) está também a pressionar os índices. O aumento das taxas de rendibilidade das Treasuries dos EUA também limitaram o apetite por ações.
Neste contexto, o índice de referência mundial, o S&P 500, deslizou 2,65% para 7.383,74 pontos, não conseguindo assim fechar a décima semana consecutiva de ganhos. O industrial Dow Jones perdeu 1,35% para 50.866,78 pontos. O maior perdedor foi mesmo o índice tecnológico Nasdaq Composite, que tombou 4,18% para 25.709,43 pontos, a maior queda desde abril de 2025.
Os dados da criação de emprego na maior economia do mundo vieram colocar uma "nuvem negra" sobre Nova Iorque. Em maio, os EUA criaram 172 mil empregos, o dobro daquilo que era esperado pelos economistas consultados pela Bloomberg. O relatório publicado esta sexta-feira demonstra a resiliência desta economia, com o mercado laboral a dar sinais de que está a sair de um período longo de poucas contratações. Este cenário acontece ao mesmo tempo que o país luta para manter a inflação em níveis estáveis, já que os preços da energia não param de subir, consequência da guerra com o Irão.
Os números sólidos reforçam ainda as apostas de que o próximo movimento da Reserva Federal em matéria de taxas de juro será um aumento. Antes da guerra, apostava-se em descidas. "A surpresa positiva de hoje sublinha a resiliência económica em curso, mas também provavelmente vai manter a Fed - e os mercados - focados nas pressões inflacionistas”, disse Ellen Zentner da Morgan Stanley Wealth Management, citado pela Bloomberg.
“Em última análise, se a Fed está a aumentar as taxas devido à expansão dos dados do emprego, eu não assumiria necessariamente que isso seja mau para as perspetivas do mercado de ações”, disse Neil Dutta, da Renaissance Macro Research. “A estagflação é má para as ações, mas um 'boom' inflacionista não é”, acrescentou.
O banco central norte-americano reúne-se a 16 e 17 de junho, sob a liderança do novo presidente Kevin Warsh. "Se o presidente Warsh insistir em cortes na sua primeira reunião, estará a ir contra os dados, O nosso cenário base continua a ser que a Fed mantenha as taxas inalteradas este ano, mas se os dados do emprego continuarem a seguir o ritmo de maio, aumentos entram definitivamente em jogo", afirmou ainda Seema Shah, da Principal Asset Management.
O relatório veio ainda colocar uma renovada pressão sobre as ações de tecnologia, que viveram um verdadeiro dia negro esta sexta-feira. Os mercados reavaliaram a tendência do setor da inteligência artificial (IA), que tinha liderado uma subida desde os mínimos deste ano. Têm crescido as preocupações quanto à sustentabilidade de uma recuperação impulsionada pela IA, depois de uma impressionante época de resultados trimestrais deste setor. No entanto, segundo Mark Hackett, da Nationwide, os investidores começam a questionar-se se já não terão atingido o pico do crescimento.
"Estamos a assistir a mais uma forte correção no setor tecnológico", afirmou o estratega Louis Navellier. "Parece tratar-se de uma tomada de mais-valias no setor dos semicondutores. A subida das taxas de juro também está a afetar o mercado hoje", explicou.
Entre as ações das “sete magníficas”, a Nvidia perdeu 6,2%, a Apple caiu 1,25%, a Tesla tombou 6,56%, a Alphabet perdeu 0,95%, a Amazon desvalorizou 3,06%, a Meta deslizou 5,51% e a Microsoft cedeu 2,66%.