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"É impossível". Taiwan rejeita transferir 40% da produção de chips para os EUA.

O domínio de Taiwan no segmento dos semicondutores resulta de um ecossistema construído ao longo de décadas e não pode ser transferido, defende Cheng Li-chiun.

Taiwan rejeita transferência de 40% da produção de 'chips' para os Estados Unidos
Taiwan rejeita transferência de 40% da produção de 'chips' para os Estados Unidos Getty Images
08:40

A vice-primeira-ministra de Taiwan afirmou esta segunda-feira ser "impossível" transferir 40% da produção de semicondutores da ilha para os Estados Unidos, defendendo que a investigação e desenvolvimento de tecnologias avançadas deve continuar a ser feita em Taiwan.

As declarações de Cheng Li-chiun surgem após o secretário norte-americano do Comércio, Howard Lutnick, ter indicado no mês passado que a Administração do Presidente Donald Trump pretende deslocar para os Estados Unidos cerca de 40% da cadeia de fornecimento de semicondutores de Taiwan, no seguimento de um acordo comercial assinado entre Washington e Taipé.

"Disse claramente à parte norte-americana que isso é impossível", declarou Cheng no domingo, durante uma entrevista ao canal de televisão CTS.

A governante salientou que os processos avançados de fabrico de 'chips' em Taiwan, essenciais para o desenvolvimento de dispositivos de inteligência artificial, representam cerca de 90% do valor da produção mundial. Este domínio resulta de um ecossistema de semicondutores construído ao longo de décadas e "não pode ser transferido".

Cheng sublinhou que, embora não seja possível "redistribuir a capacidade", poderá haver expansão da presença industrial nos Estados Unidos. Para que a cooperação bilateral na construção da cadeia de fornecimento seja viável, o modelo taiwanês deve ser adotado, algo que, segundo afirmou, foi bem acolhido por Washington.

A vice-primeira-ministra garantiu também que os parques científicos existentes em Taiwan não terão equivalente nos Estados Unidos, assegurando que a capacidade da indústria taiwanesa de fabrico e embalagem avançada de 'chips' será "muito superior" às instalações nos Estados Unidos ou noutros países.

"É essencial primeiro estabelecer fábricas em Taiwan e confirmar a viabilidade da produção em massa. Só depois as empresas expandirão com novos investimentos no estrangeiro", defendeu Cheng, reiterando que a inovação tecnológica deve continuar a ser feita em solo taiwanês.

Desde o seu regresso à Casa Branca, o Presidente Donald Trump tem insistido na necessidade de "repatriar" a produção de semicondutores para os EUA, que durante anos dependeram de fabricantes estrangeiros e cadeias globais de fornecimento vulneráveis.

Contudo, analistas consideram que replicar a capacidade de produção de Taiwan será um desafio, dada a experiência acumulada, a força laboral altamente qualificada e a rede completa de fornecedores e logística que sustentam a elevada eficiência do setor na ilha.

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