Irão e EUA recebem plano para cessar-fogo de 45 dias. Trump ameaça centrais elétricas iranianas
Acompanhe os desenvolvimentos do dia no conflito no Médio Oriente.
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Irão e EUA recebem plano para cessar-fogo de 45 dias
O Irão e os Estados Unidos receberam um plano de cessar-fogo de 45 dias que poderá entrar em vigor já esta segunda-feira e reabrir o estreito de Ormuz. Os esforços para travar as hostilidades estão a ser liderados por um grupo de mediadores, que inclui o Paquistão, Egito e Turquia.
O plano de cessar-fogo foi avançado pelo portal Axios, que cita quatro fontes próximas das negociações. A notícia já foi, entretanto, replicada por outros meios de comunicação internacionais, citando igualmente fontes não identificadas próximas nas negociações - é o caso da Reuters e do Wall Street Journal.
O financeiro norte-americano diz que as probabilidades de uma resolução para o conflito permanecem, no entanto, curtas.
A proposta em cima da mesa tem duas fases: um cessar-fogo imediato em troca da abertura do estreito de Ormuz, e um acordo mais amplo que incluiria uma solução regional permanente para o estreito, no prazo de três semanas.
O jornal diz que os mediadores iranianos acreditam que os EUA usariam os 45 dias para preparar mais ataques ao pais. No entanto, ainda não foi dada uma resposta oficial.
Guarda da Revolução anuncia que Ormuz não voltará a "ser o que era" para EUA e Israel
O Comando da Força Naval da Guarda da Revolução Islâmica iraniana (IRGC) anunciou este domingo que o Estreito de Ormuz "nunca mais voltará a ser o que era, especialmente para os Estados Unidos e Israel".
O IRGC fez ainda saber que a Força Naval "está a finalizar os preparativos operacionais do plano anunciado pelas autoridades iranianas para a nova ordem no Golfo Pérsico", numa declaração publicada na rede social X.
A declaração foi divulgada na sequência da recente ameaça do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de atacar infraestruturas iranianas na próxima terça-feira, data em que expira o ultimato que impôs ao país persa para reabrir o Estreito de Ormuz ou enfrentar "o inferno".
"Se não fizerem nada antes de terça-feira à noite, não terão nenhuma central elétrica e não lhes restará nenhuma ponte de pé", afirmou Trump numa entrevista ao The Wall Street Journal.
Em resposta, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmaeil Baghaei Hamaneh, assegurou que "caso as infraestruturas do Irão sejam atacadas", o país reagirá "da mesma forma".
O encerramento de Ormuz, por onde transita cerca de 20 % do petróleo mundial, é uma das consequências da guerra no Médio Oriente, iniciada no passado dia 28 de fevereiro após bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
A agência noticiosa Fars, associada ao IRGC, informou este domingo que "quinze navios atravessaram o estreito de Ormuz com autorização do Irão nas últimas 24 horas". Segundo a notícia, o tráfego marítimo nesta via estratégica "é 90 % inferior ao registado antes do início da guerra".
Dias antes, uma comissão parlamentar iraniana aprovou um projeto de lei para impor taxas de trânsito aos navios que atravessarem esta importante via navegável.
Segundo meios de comunicação iranianos, a proposta inclui taxas de passagem a pagar na moeda nacional do Irão, a proibição de trânsito para os Estados Unidos e Israel, e restrições para os países que participam em sanções unilaterais contra o Irão.
Chefes da diplomacia chinesa e russa pedem "cessar-fogo imediato" no Médio Oriente
O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, manteve este domingo uma conversa telefónica com o homólogo russo, Serguei Lavrov, na qual ambos defenderam "um cessar-fogo imediato" no Médio Oriente e o diálogo para resolver o conflito.
Wang indicou que "a China sempre defendeu a resolução política de questões internacionais e regionais críticas através do diálogo e da negociação", de acordo com um comunicado publicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
O diplomata chinês lamentou ainda que "a situação no Médio Oriente continue a deteriorar-se e os combates se intensifiquem".
Wang afirmou que "a China está disposta a continuar a cooperar com a Rússia no Conselho de Segurança da ONU, a comunicar oportunamente sobre assuntos importantes e a envidar esforços para reduzir a tensão e salvaguardar a paz e a estabilidade regionais".
"A solução fundamental para o problema da navegação no Estreito de Ormuz é um cessar-fogo imediato e a cessação das hostilidades", acrescentou o ministro chinês, que indicou que o seu país "sempre defendeu a resolução política de questões críticas internacionais e regionais através do diálogo e da negociação".
Por seu lado, Lavrov declarou que "a Rússia está extremamente preocupada com a contínua escalada da situação no Médio Oriente", de acordo com o comunicado do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.
O diplomata russo afirmou que "as operações militares devem cessar imediatamente e que o conflito deve regressar à via política e diplomática para abordar as suas causas profundas", para o que, na opinião do chefe da diplomacia russa, o Conselho de Segurança da ONU "deve desempenhar um papel construtivo".
O conflito opõe, desde o final de fevereiro, o Irão a Israel e aos Estados Unidos, numa escalada que incluiu ataques a infraestruturas energéticas e afetou o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde transita, em circunstâncias normais, cerca de 20% do petróleo mundial e cerca de 45% das importações energéticas da China.
A China tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, mas também tem sublinhado a necessidade de se "respeitar a soberania" dos Estados do Golfo, com os quais mantém laços políticos, comerciais e energéticos estreitos e que têm sido alvo de ataques iranianos.
Primeira-ministra do Japão admite possibilidade de cimeira com Teerão
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, admitiu hoje a possibilidade de realizar uma cimeira com Teerão, apesar do prazo de Trump para atacar as infraestruturas energéticas iranianas, caso o Irão não reabra o Estreito de Ormuz.
"Estão a ser feitos preparativos para manter conversações com os líderes iranianos quando for oportuno", afirmou a chefe do Governo durante uma sessão parlamentar, em declarações recolhidas pelos meios de comunicação japoneses.
Takaichi afirmou ainda que o seu país se está a preparar para "qualquer situação", incluindo um conflito prolongado no Médio Oriente e o seu possível impacto no abastecimento de petróleo bruto.
Este fim de semana, a líder nipónica garantiu que o Japão dispõe de reservas de petróleo suficientes para aproximadamente oito meses e que a aquisição de crude a fornecedores alternativos "avança constantemente", numa mensagem publicada na rede social X.
O arquipélago importa do Médio Oriente cerca de 90% do petróleo que consome, e o encerramento do Estreito de Ormuz na sequência da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão obrigou o país a libertar milhões de barris das reservas estratégicas e a subsidiar as petrolíferas para reduzir os preços dos combustíveis.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar no domingo submeter o Irão ao "inferno" quando expirar o ultimato que deu à República Islâmica para desbloquear o estreito, embora tenha posteriormente dado a entender que irá prolongar o prazo por mais 24 horas, até às 20:00 de terça-feira, dia 07, em Washington (00:00 TMG de quarta-feira).
Teerão diz que toda a região queimará e acusa Trump de ações imprudentes
O presidente do parlamento do Irão alertou este domingo o líder dos Estados Unidos que "toda a região queimará" por causa das "ações imprudentes" norte-americanas.
"As suas ações imprudentes estão a arrastar os Estados Unidos para um inferno na Terra, um inferno para todas as famílias", escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf numa mensagem publicada em inglês numa rede social.
O líder iraniano acrescentou ainda: "E toda a nossa região queimará porque [Donald] Trump insiste em seguir as ordens de [Benjamin] Netanyahu", escreveu, referindo-se ao primeiro-ministro israelita, aliado dos Estados Unidos na guerra.
Para o presidente do parlamento do Irão “a única solução real é respeitar os direitos do povo iraniano. E pôr fim a esse jogo perigoso”.
O Presidente dos Estados Unidos voltou a ameaçar o Irão com ataques a centrais elétricas e pontes na terça-feira, caso o estreito de Ormuz não seja reaberto.
“Terça-feira será dia das centrais energéticas e dia das pontes, juntos num único, no Irão. Nunca haverá algo assim”, escreveu Donald Trump na sua rede social.
“Abram o raio do estreito, seus loucos, ou irão viver no inferno”, acrescentou mesma publicação, em que também escreveu “glória a Alá”.
A 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva militar contra o Irão, que retaliou com o encerramento do Estreito de Ormuz e ataques contra alvos israelitas, bases norte-americanas na região e infraestruturas civis e energéticas de países vizinhos, como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
A atual situação provocou um aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas.