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Trump reitera prazo para destruir infraestruturas do Irão, mas diz que há hipótese de acordo

O Presidente dos EUA reiterou o prazo para que Teerão chegue a acordo e reabra o estreito de Ormuz, ameaçando "destruir o país inteiro", embora admita que estão a decorrer negociações e que há vontade do outro lado para chegar a um entendimento.

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“O país inteiro pode ser destruído”: Trump volta a ameaçar o Irão
06 de Abril de 2026 às 19:48

O Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irão esta segunda-feira, assinalando que "o país inteiro pode ser destruído apenas numa noite e isso pode acontecer amanhã à noite", aludindo ao prazo dado - marcado para a 01:00 de quarta-feira (hora de Lisboa) - para a destruição das centrais energéticas e outras infraestruturas do país, caso o estreito de Ormuz não seja reaberto à navegação.

As declarações foram proferidas numa conferência de imprensa para abordar o salvamento do segundo tripulante do F-15 abatido pelos iranianos. Trump reiterou a mensagem de que os EUA “não podiam deixar o Irão ter uma arma nuclear” e que a operação resultou numa “mudança de regime”. Os líderes iranianos são “mais espertos e menos radicais”, garantiu Trump. “Temos um grupo muito diferente de pessoas”, referiu.

Sobre as negociações com os iranianos, Trump garantiu que “estamos a lidar com eles”, reiterando o prazo das 20:00 (hora de Washington) de terça-feira. “Acho que está a correr bem”, acrescentou, dizendo que o enviado especial Steve Witkoff e o vice-presidente, JD Vance, estão envolvidos na negociação. Sobre a proposta de tréguas, Trump disse “não poder falar de cessar-fogo”, mas que os EUA têm “um participante ativo disposto do outro lado”. “Eles gostariam de poder chegar a um acordo.”

Trump disse também que os iranianos estão a “negociar de boa-fé” e que, esgotado o prazo, “veremos o que acontece”, lembrando que se não houver acordo “não terão pontes, centrais elétricas e voltarão à Idade da Pedra”. Deu mesmo um prazo de quatro horas para que as pontes e as centrais sejam destruídas. Sobre o estreito de Ormuz, Trump refere que continua a ser “uma grande prioridade”. “Temos de ter um acordo que permita o tráfego de petróleo”, assinalou. O Presidente dos EUA também rejeitou as críticas que não tem um plano para o conflito. “Foi tudo planeado ao pormenor, mas não vou dizê-lo aos media”, referiu.

Na mesma ocasião, o secretário da “Guerra”, Pete Hegseth, acrescentou que, por ordem de Trump, “hoje será o dia com mais ataques ao Irão desde o primeiro dia da guerra”. Hegseth acrescentou que “amanhã serão ainda mais do que hoje”. "O Irão tem uma escolha. Escolham sensatamente, porque este Presidente não está a brincar”, referiu.

Pouco antes, Trump comentou o plano de cessar-fogo de 45 dias apresentado por um conjunto de países mediadores para terminar com o conflito no Médio Oriente. “Ainda não é suficiente, mas é um passo muito significativo”, afirmou Trump em declarações aos jornalistas à margem de uma cerimónia de Páscoa na Casa Branca, em Washington, reiterando o prazo de terça-feira para desencadear ataques ao Irão caso não seja alcançado um acordo e desbloqueado o estreito de Ormuz.

Horas antes, a Casa Branca tinha confirmado que mediadores internacionais propuseram uma trégua temporária no conflito com o Irão, mas salientou que o Presidente dos EUA não endossou formalmente a iniciativa. “É apenas uma ideia entre muitas, e o Presidente não a endossou. A operação militar continua”, declarou um alto responsável norte-americano, referindo-se à ofensiva em curso, designada Operação Fúria Épica.

Segundo avançou o portal norte-americano Axios, a proposta foi apresentada por mediadores do Paquistão, Egito e Turquia e prevê uma pausa de 45 dias nas hostilidades para permitir negociações diplomáticas. O plano inclui uma primeira fase de cessar-fogo temporário, passível de prorrogação, seguida de negociações destinadas a alcançar um acordo de paz duradouro entre Washington e Teerão. Apesar de reconhecer a relevância da proposta, Trump não indicou qualquer compromisso imediato com a sua implementação, mantendo em aberto a continuidade das operações militares.

Teerão também respondeu na segunda-feira, frisando que rejeita o plano apresentado pelo grupo de mediadores, que inclui o Paquistão, Egito e Turquia, exigindo antes o fim definitivo da guerra que entrou na sexta semana. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão afirma que a proposta de cessar-fogo é "ilógica" e inaceitável, já que os EUA e Israel "não têm linhas vermelhas" e que o país não pode participar em nenhuma negociação ao mesmo tempo que está sob ameaça. O responsável acrescentou ainda que a segurança nacional do país é o principal fator para concordar com quaisquer negociações e que o Irão se está a defender "com todas as suas forças".

A agência estatal iraniana Irna avançou ainda que a resposta do Irão ao plano apresentado consiste em dez cláusulas, em linha com as considerações do país e ainda um protocolo para a passagem segura pelo estreito de Ormuz, bem como para a reconstrução e suspensão das sanções.

A proposta de cessar-fogo foi enviada pelo Paquistão na noite de domingo ao ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, e ao enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, de acordo com dois funcionários do Médio Oriente, citados pela Associated Press.

*Com Bárbara Cardoso e Lusa

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