Trump diz que Papa não compreende o que está a acontecer no Irão
Segundo o Presidente dos EUA, Leão XIV não entende que o Irão representa uma ameaça nuclear. “Ele não compreende e não deveria andar a falar sobre a guerra, porque não faz ideia do que está a acontecer. Não compreende que 42.000 manifestantes foram mortos no Irão no mês passado”.
- 7
- ...
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esta terça-feira que o Papa Leão XIV não compreende o que se passa no Irão, em declarações por telefone ao diário italiano Corriere della Sera.
Em resposta às críticas reiteradas do líder da Igreja Católica à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, Trump afirmou que o Papa “não faz ideia do que se está a passar no Irão”.
Segundo Trump, Leão XIV não entende que o Irão representa uma ameaça nuclear.
“Ele não compreende e não deveria andar a falar sobre a guerra, porque não faz ideia do que está a acontecer. Não compreende que 42.000 manifestantes foram mortos no Irão no mês passado”, argumentou o chefe de Estado norte-americano.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
A 02 de março, Israel iniciou uma guerra com o Líbano, em resposta a um ataque do movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão, o que fez aumentar os receios de alastramento da guerra a todo o Médio Oriente.
Washington e Teerão acordaram na noite de 07 de abril um cessar-fogo de duas semanas, período destinado a negociações assentes num plano de dez pontos apresentado por Teerão para pôr fim a 40 dias de guerra.
O plano iraniano inclui o levantamento das sanções internacionais e a retirada das tropas norte-americanas da região em troca de um compromisso iraniano de não produzir armas nucleares e garantir a passagem segura pelo estreito de Ormuz.
Desde 28 de fevereiro, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos - entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 feridos, mas pararam a 05 de março de atualizar o balanço oficial.
A 12 de abril, forneceram um novo balanço, após 39 dias de guerra: 3.375 mortos, entre os quais 383 crianças.
Segundo o diretor da Organização de Medicina Legal do Irão, Abbas Masyedi, entre as vítimas mortais, há cidadãos de outros países, como Afeganistão, Síria, Turquia, Paquistão, China, Iraque e Líbano.
Já a organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos, que todos os dias atualizou o número total de vítimas mortais no Irão, situou-as no seu último relatório antes da entrada em vigor do cessar-fogo em pelo menos 3.636, entre as quais 1.701 civis.