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Ao minuto28.03.2026

Houthis entram na guerra e lançam míssil contra Israel

Acompanhe os desenvolvimentos do dia no conflito no Médio Oriente.

27 de Março de 2026 às 23:06
28.03.2026

Houthis entram na guerra e lançam míssil contra Israel

O grupo rebelde Houthi, do Iémen, afirmou ter lançado este sábado um ataque com mísseis contra Israel, na sua primeira intervenção direta no conflito entre Israel e o Irão.

De acordo com a imprensa internacional, o míssil foi abatido pela defesa aérea israelita.

Na sexta-feira, o porta-voz dos Houthis tinha garantido que o grupo estava preparado para uma intervenção militar caso a ofensiva contra o Irão continue.

27.03.2026

Militares dos EUA feridos e aviões danificados em ataque a base na Arábia Saudita

Um ataque de mísseis iranianos a uma base aérea na Arábia Saudita feriu esta sexta-feira vários soldados norte-americanos e danificou aviões ali estacionados, noticiou a agência AP. 

Um responsável militar disse à AP sob anonimato que o ataque à Base Aérea Príncipe Sultan durante o dia envolveu um míssil iraniano e ‘drones’. 

Várias aeronaves de reabastecimento americanas foram danificadas, estando por apurar quantos soldados ficaram feridos e a gravidade dos ferimentos. 

Fontes oficiais norte-americanas e árabes disseram ao Wall Street Journal que 10 militares norte-americanos ficaram feridos, dois deles em estado grave. 

Anteriormente, foram publicadas em contas nas redes sociais imagens de satélite parecendo mostrar a zona de estacionamento de aeronaves da base saudita, antes e depois do ataque. 

27.03.2026

Enviado especial dos EUA diz que serão realizadas reuniões com Teerão nos próximos dias

O enviado especial norte-americano Steve Witkoff insistiu esta sexta-feira que estão em curso "negociações com o regime iraniano" para resolver o conflito no Médio Oriente e que ainda "esta semana" deverão ter lugar reuniões entre as partes.

Na véspera de se completar um mês desde o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irão, que desencadeou uma retaliação contra vários países da região, Witkoff afirmou "esperar sinceramente" que haja reuniões esta semana.

"Acho que o Presidente (Donald Trump) quer um acordo de paz", afiançou o enviado especial para O Médio Oriente.

Respondendo a questões durante um fórum empresarial em Miami (sul), Witkoff afirmou ainda que um "sinal muito, muito bom" de condições para resolução da crise é que "os navios estão a passar" pelo Estreito de Ormuz, bloqueado por Teerão em retaliação pelos ataques, e por onde passa mais de um quinto das exportações globais de petróleo e gás.

O responsável norte-americano não esclareceu quais os navios que estão a passar pelo Estreito de Ormuz, num dia em que o serviço de monitorização Marine Traffic indicou que dois cargueiros chineses que tentaram atravessá-lo acabaram por recuar por não terem garantias de passagem por parte do Irão, cujo regime é próximo de Pequim.

Neste contexto, o barril de petróleo Brent para entrega em maio fechou a semana acima dos 112 dólares, o nível mais alto desde julho de 2022, indicando que o mercado não vê sinais de distensão no Golfo.

O enviado norte-americano para o Médio Oriente destacou como um sinal positivo para o mercado o adiamento por Trump até 06 de abril de um eventual ataque contra as instalações petrolíferas iranianas, dando espaço para negociações.

"Algumas pessoas negaram que estejamos a negociar. Penso que todos aqui sabemos que estamos a negociar. É evidente que alguns navios estão a passar. É possível que tenhamos uma definição diferente de 'negociar' da que eles têm", afirmou Witkoff.

O Irão tem rejeitado a existência de negociações com Washington, embora não negue que haja contactos.

27.03.2026

Irão promete vingança por ataques a instalações estratégicas

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano prometeu que Teerão vai cobrar “um preço elevado” pelos “crimes israelitas”, referindo-se aos ataques aéreos de hoje a siderurgias e instalações nucleares civis iranianas.

“Israel atacou duas das mais importantes siderurgias do Irão, uma central elétrica e instalações nucleares civis, entre outras infraestruturas, em coordenação com os Estados Unidos”, declarou Abbas Araghchi.

A Guarda Revolucionária, exército ideológico da República Islâmica, também reagiu aos bombardeamentos, instando os responsáveis de instalações industriais da região do Médio Oriente ligadas aos Estados Unidos e a Israel a evacuarem esses locais, porque o Irão vai retaliar.

Por seu lado, o diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), Rafael Grossi, reiterou o “apelo para a contenção militar, para evitar qualquer risco de acidente” no Irão, após os ataques israelitas e norte-americanos a instalações nucleares.

“A AIEA foi informada pelo Irão” de um ataque contra a central de Arkadan, na província de Yadz, no centro do país, declarou a agência especializada da ONU nas redes sociais.

“Não foi registado qualquer aumento nos níveis de radiação fora da central”, acrescentou.

O ataque aéreo à unidade de processamento de urânio de Ardakan foi inicialmente anunciado pela Organização Iraniana de Energia Atómica e logo confirmado pelo Exército israelita.

As forças israelitas “atacaram a única instalação deste tipo no Irão utilizada para produzir materiais necessários ao processo de enriquecimento de urânio”, indicou o Exército num comunicado, acrescentando que Israel “não permitirá” que o Irão “avance com o programa de armas nucleares”.

O complexo de processamento de água pesada de Khondab (novo nome do reator de Arak), situado a duas horas da capital, foi também “alvo de um ataque, em duas fases, orquestrado pelo inimigo norte-americano e sionista”, informou a agência de notícias Fars, citando uma fonte local.

Foram igualmente bombardeados dois importantes complexos siderúrgicos iranianos, na região de Isfahan, no centro do Irão, e na província de Cuzistão, no sudoeste.

27.03.2026

Rubio diz que guerra poderá terminar em "semanas, não meses". Objetivos podem ser alcançados "sem tropas no terreno"

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após uma reunião com os homólogos do G-7, afirmou que a maioria dos objetivos da ofensiva no Irão “estão adiantados” em relação ao previsto e que o conflito poderá terminar numa questão de “semanas, não meses”. Rubio terá falado na reunião num prazo de “duas a quatro semanas”, de acordo com o site Axios e o Channel 12 israelita.

Rubio também afirmou que os objetivos “podem ser alcançados sem tropas no terreno”.  Em relação a este ponto, Rubio afirmou que o Presidente dos EUA, Donald Trump, “tem de estar preparado para várias contingências” e que as forças militares estão disponíveis para dar a “opcionalidade máxima” e a “oportunidade para se ajustar às contingências caso estas emerjam”. Vários media noticiaram que milhares de militares norte-americanos estão a caminho do Médio Oriente.

Além disso, Rubio reconheceu que assegurar que o estreito de Ormuz continua aberto à navegação deve representar um “desafio imediato” mesmo depois de os EUA alcançarem os seus objetivos na guerra contra o Irão.

O chefe da diplomacia norte-americana comentou que a intenção do regime de Teerão de cobrar uma portagem aos navios que pretendem atravessar a via marítima pode causar danos económicos muito significativos a vários países e pediu cooperação internacional para manter o estreito aberto depois do fim do conflito.

“Não apenas isto é ilegal, como é inaceitável. É perigoso para o mundo”, disse Rubio sobre as taxas a cobrar pelo Irão. “É importante que o mundo tenha um plano”.

*Com agências

27.03.2026

EUA e Israel atingem instalações nucleares e de aço do Irão. Teerão diz que vai responder

Os EUA e Israel bombardearam uma série de infraestruturas nucleares e fábricas de aço no Irão esta sexta-feira, numa altura em que Teerão continua a atacar os países do Golfo Pérsico e a rejeitar as exigências - cada vez mais insistentes - de se sentar à mesa com Washington para discutir um possível fim ao conflito. As ofensivas aéreas atingiram um reator de águas pesadas que faz parte do complexo nuclear de Arak, uma fábrica de processamento de urânio na província de Yazd e ainda duas das maiores fábricas de aço do país, de acordo com os meios de comunicação locais. A Organização de Energia Atómica do Irão diz que os ataques não representam riscos de contaminação radioativa, de acordo com os media estatais.

Os ataques surgiram em reposta à ofensiva de Teerão esta sexta-feira no Golfo Pérsico, que acabou por danificar dois portos no Kuwait, levou o Catar a acionar os alarmes na sua capital e a Arábia Saudita a intercetar vários mísseis e drones em Riade. O regime liderado por Mojtaba Khamenei já prometeu vingar-se dos ataques dos EUA e Israel e está agora a considerar as fábricas de aço israelitas, dos Emirados Árabes Unidos, do Catar, do Kuwait e de Bahrain como alvos legítimos

Já o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, prometeu escalar ainda mais o conflito com um intensificar dos ataques contra a República Islâmica, em resposta a ataques do Irão que acusa de terem atingido civis. Esta sexta-feira, o Wall Street Journal noticiou que o Pentágono está a enviar mais 10 mil tropas para a região, apesar de os EUA terem sinalizado aos aliados de que não planeiam avançar com uma invasão terrestre, embora essa opção não esteja excluída, de acordo com a Bloomberg.  

27.03.2026

Teerão volta a ameaçar navios que tentem atravessar estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária do Irão reiterou hoje que o estreito de Ormuz continua fechado e ameaçou que qualquer embarcação que atravesse esta rota vital "enfrentará consequências graves".

"A circulação de qualquer embarcação 'de e para' os portos de origem de aliados e inimigos por qualquer corredor é proibida", advertiu a Guarda Revolucionária iraniana num comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim.

A mesma fonte afirmou que três navios porta-contentores de diferentes nacionalidades, não especificadas, tentaram seguir em direção ao "corredor designado para embarcações autorizadas", mas foram obrigados a regressar depois de receberem avisos da Marinha do corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.

A guerra no Médio Oriente entra na quarta semana após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão, a 28 de fevereiro, aos quais Teerão respondeu com vagas de mísseis e drones contra Israel e alvos estratégicos no golfo Pérsico, além de manter um bloqueio de facto do estreito de Ormuz, uma importante via marítima por onde passa 20% do petróleo e gás natural do mundo.

O Estado persa permite apenas a passagem naquele canal de navios de países amigos.

Os Estados Unidos não descartaram uma operação terrestre na República Islâmica, apesar de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter prorrogado a suspensão dos ataques contra as infraestruturas energéticas do Irão até 06 de abril, alegadamente "a pedido do Governo" iraniano.

27.03.2026

Chefe da diplomacia britânica criticou o controlo iraniano sobre Ormuz

A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, Yvette Cooper, apelou esta sexta-feira a uma resolução rápida para o conflito no Médio Oriente e criticou o controlo do Irão sobre a economia global.

No segundo dia da reunião do G7, nos arredores da capital francesa, Cooper sublinhou a necessidade de uma resolução que restaure a segurança e a estabilidade regional e que permita a reabertura do Estreito de Ormuz.

Por outro lado, Yvette Cooper disse que o Irão não deveria poder manter a economia global como "refém através de um estreito por onde passam rotas marítimas internacionais".

Hoje, os ministros dos Negócios Estrangeiros do Grupo dos Sete (G7), com a participação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, vão abordar as guerras no Irão e na Ucrânia.

As sessões sobre as guerras no Irão e na Ucrânia são os últimos pontos da agenda de hoje.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, foi também convidada para discutir os conflitos em curso no mundo, incluindo as situações no Sudão, Venezuela, Cuba e Haiti.

Durante a sessão dedicada à guerra no Irão e ao impacto na região do Médio Oriente, Marco Rubio deve informar os homólogos do G7 sobre os últimos desenvolvimentos do conflito que começou com os bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel no dia 28 de fevereiro.

A Presidência francesa prevê que os países do G7 adotem uma declaração de apoio ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), cuja conferência de revisão vai realizar-se em abril em Nova Iorque.

O grupo dos sete países mais industrializados do mundo é constituído pela Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e o Reino Unido.

27.03.2026

Pentágono avalia envio de 10 mil soldados para o Médio Oriente

O Pentágono estará a ponderar enviar até 10 mil soldados adicionais para o Médio Oriente. Segundo o Wall Street Journal, o objetivo é dar mais opções militar ao Presidente Trump, mesmo com as negociações de paz com Teerão em primeiro plano.

A informação e avançada por fontes do Departamento de Defesa, que indicam ainda que o contingente deverá incluir infantaria e veículos blindados, juntando-se aos cerca de 5.000 fuzileiros navais e aos milhares de paraquedistas que já foram destacados para a região.


27.03.2026

Alemanha diz que US e Irão vão encontrar-se em breve para negociar

O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, diz que delegações dos EUA e do Irão vão encontrar-se em breve no Paquistão para negociar o fim da guerra - até agora, garante, têm tido negociações indiretas.

"Com base na minha informação tem havido contactos indiretos, e foram feitos preparativos para um encontro direto. Vai ser muito em breve no Paquistão, aparentemente", disse o ministro à rádio alemã Deutschlandfunk.

27.03.2026

Eurogrupo debate hoje medidas de alívio com alertas para apoios limitados

Os ministros das Finanças da Zona Euro reúnem-se hoje, por videoconferência, num encontro extraordinário para debater o impacto do conflito no Médio Oriente nos preços da energia e na situação macroeconómica dos países da moeda única.

A ideia é que, nesta reunião virtual do Eurogrupo, os governantes avaliem os efeitos da crise no Médio Oriente sobre a economia da União Europeia (UE), nomeadamente no que toca ao aumento da volatilidade dos mercados energéticos, aos riscos de subida dos preços do petróleo e do gás e às potenciais perturbações das cadeias de abastecimento.

Quando muitos países da Zona Euro e da UE, incluindo Portugal, avançam com medidas de apoios às suas economias e famílias, os ministros vão tentar coordenar respostas políticas e mitigar impactos económicos negativos, quando já existem várias revisões em baixa do crescimento para 2026 e 2027.

Falando na antevisão do encontro, fontes europeias lembraram que as respostas dadas à crise energética de 2022, aquando da invasão russa da Ucrânia, tiveram custos orçamentais significativos e, neste momento, não existe margem orçamental para o repetir.

Há quatro anos "vimos todo o tipo de medidas a nível nacional que, na prática, não foram tão temporárias, ajustadas e direcionadas como deveriam ter sido e a esperança é que desta vez haja melhor coordenação", precisou uma dessas fontes.

O Eurogrupo defende, assim, que os países da moeda única avancem com apoios para aliviar dificuldades económicas das famílias e ajudar as empresas, mas mantenham a sustentabilidade orçamental.

De acordo com as fontes europeias ouvidas pela Lusa, ainda não se fala muito da ativação da cláusula de salvaguarda no âmbito das regras orçamentais da UE, mas essa é uma das medidas em cima da mesa, que foi usada durante a pandemia de covid-19 e permitiu a suspensão dos apertados tetos de 3% do PIB para o défice e de 60% do PIB para a dívida pública.

As próximas previsões económicas da Comissão Europeia serão divulgadas em 21 de maio.

O Eurogrupo reuniu-se em meados de março pela primeira vez em Bruxelas desde o início da guerra iniciada por Israel e por Estados Unidos contra o Irão e marcada pela resposta iraniana.

Nessa altura, após uma análise aos impactos económicos do conflito ao nível energético e inflacionista, o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, alertou que a Zona Euro se deve "preparar para longa instabilidade", que pode afetar cadeias de abastecimento e pressionar os preços da energia e a inflação.

Já o comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, considerou que um conflito mais alargado e duradouro no Médio Oriente poderá "ter implicações mais profundas e de longo prazo" na economia comunitária, mas destacou o "ponto de partida sólido".

Portugal esteve representado na ocasião pelo ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que admitiu que Portugal possa registar défice em 2026 "se as circunstâncias o impuserem", dado o impacto das tempestades e, agora, do conflito no Médio Oriente.

Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços.

Teme-se na Europa que se volte à situação de crise energética de 2022, após a invasão russa da Ucrânia, já que o espaço comunitário depende fortemente das importações provenientes de mercados globais, muitos dos quais estão direta ou indiretamente ligados ao Médio Oriente.

27.03.2026

Dois navios da chinesa COSCO Shipping começam a atravessar estreito de Ormuz

Dois navios da transportadora chinesa COSCO Shipping começaram hoje a atravessar o estreito de Ormuz, dois dias após a empresa ter retomado as reservas de contentores com destino a vários países da região, informou a imprensa local.

Segundo o portal privado chinês Caixin, que cita fontes anónimas, os navios Indian Ocean e Arctic Ocean navegaram para fora do estreito, após terem ficado "retidos" no interior do Golfo Pérsico, exibindo o identificador "China Owner" e transportando maioritariamente contentores vazios.

As duas embarcações tinham previsto partir para a Malásia em meados de março, mas os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, bem como as represálias de Teerão, acabaram por resultar num bloqueio de facto do estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo e do gás natural consumidos a nível mundial.

A informação indica, contudo, que os navios não seguirão a rota habitual, atravessando o estreito, mas sim um "corredor seguro" disponibilizado pelas autoridades iranianas, que implica um desvio para águas territoriais do país, entre as ilhas de Larak e Qeshm, na zona norte de Ormuz.

Uma das fontes citadas pela Caixin afirma que a COSCO deu prioridade ao regresso de cargueiros vazios, uma vez que, em caso de ataque durante a travessia, sofreriam menos danos do que os navios petroleiros da empresa presentes no Golfo Pérsico, que se encontram totalmente carregados.

Segundo o mesmo meio, ainda não é claro se será permitido a embarcações com carga atravessar aquelas águas, acrescentando que os navios aguardam os resultados das negociações entre Pequim e Teerão sobre essa possibilidade.

Um responsável de uma transportadora chinesa explicou que qualquer navio que pretenda utilizar o referido "corredor seguro" tem de contactar, através de intermediários, a Guarda Revolucionária iraniana e negociar o pagamento de uma taxa ou a prestação de serviços de transporte de bens.

De acordo com a consultora Lloyd's List Intelligence, pelo menos dois navios já terão pago essa taxa, alegadamente na moeda chinesa, o yuan.

Na quarta-feira, a COSCO anunciou que voltaria a aceitar novas reservas de contentores com destino a vários países do Médio Oriente, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Kuwait e Iraque.

No dia seguinte, o cargueiro Aquarius atracou no porto de Sohar, em Omã, a cerca de 240 quilómetros a sul do estreito de Ormuz, transportando quase 200 mil toneladas de mercadorias destinadas aos países do Golfo.

Nas últimas semanas, os ataques e ameaças na região perturbaram a navegação comercial e fizeram aumentar os custos logísticos, contribuindo para a subida dos preços do petróleo nos mercados internacionais, com impacto também na China, onde os combustíveis registaram uma das maiores subidas recentes.

27.03.2026

Estratégia energética torna China mais resiliente a crise no Médio Oriente, diz MERICS

A aposta estratégica da China na segurança energética está a permitir ao país resistir melhor ao choque petrolífero provocado pela guerra no Médio Oriente, segundo uma análise do Mercator Institute for China Studies (MERICS), divulgada hoje.

O grupo de reflexão, com sede em Berlim, refere que "anos de reforço da resiliência do sistema energético tornaram a China notavelmente resistente" à subida dos preços do petróleo desencadeada pelo conflito no Médio Oriente e pelo impacto no estreito de Ormuz.

Apesar de continuar fortemente dependente de importações de crude da região, Pequim beneficiou de uma estratégia de diversificação e de investimento em tecnologias energéticas que aumentaram a sua autossuficiência para cerca de 85%, de acordo com dados citados no documento.

O relatório sublinha que a política energética chinesa tem sido orientada sobretudo por preocupações de segurança, mais do que por metas climáticas, indicando que o principal objetivo é "minimizar riscos e volatilidade" num contexto internacional cada vez mais instável.

Entre os fatores que reforçaram a resiliência do país estão a expansão das energias renováveis, a eletrificação da economia, a diversificação das fontes de importação de combustíveis fósseis e o aumento da capacidade de produção de carvão.

A análise surge num momento em que a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão está a provocar uma das maiores perturbações nos mercados energéticos globais das últimas décadas, com forte impacto nos fluxos de petróleo através do estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais.

Segundo o MERICS, esta conjuntura valida a estratégia chinesa de longo prazo, permitindo ao país enfrentar melhor choques externos face a outras economias asiáticas mais dependentes de importações energéticas.

O instituto alerta, contudo, que o aumento contínuo da procura energética chinesa, impulsionado pela expansão industrial e tecnológica, continuará a colocar pressão sobre o sistema, apesar das medidas adotadas para reforçar a segurança de abastecimento.

Em 2025, a China tornou-se o primeiro país do mundo a ultrapassar uma procura de 10 biliões de quilowatt-hora de eletricidade, excedendo o consumo combinado da União Europeia, da Rússia, da Índia e do Japão.

O carvão continua a ser a principal fonte de energia da China, mas Pequim está a impulsionar a transição energética e a aumentar as suas capacidades de energia limpa mais rapidamente do que qualquer outro país.

"Até agora, o cálculo de Pequim parece confirmar-se: o verde é positivo para a segurança, para o clima e para os negócios. Um sistema energético limpo, com fontes diversificadas, é uma aposta inteligente para minimizar o impacto de choques externos como a guerra no Médio Oriente e um ambiente energético global cada vez mais volátil", escreveu Nis Grünberg, analista principal do MERICS.

27.03.2026

Trump prolonga prazo para Irão reabrir estreito de Ormuz até 6 de abril

O Presidente dos EUA, Donald Trump, prolongou o prazo para que o Irão reabra o estreito de Ormuz até 6 de abril, alegando novamente que as negociações estão em curso entre os dois países. Trump tinha dado na segunda-feira cinco dias para que Teerão normalizasse o tráfego, caso contrário destruiria as centrais energéticas iranianas.      

“A pedido do governo iraniano, por favor deixem esta declaração servir para representar que estou a pausar o período de destruição das centrais elétricas por 10 dias até 6 de abril de 2026”, escreveu Trump na rede Truth Social. O prazo termina às 20:00 de Washington (01:00 de terça-feira em Lisboa).

“As conversações estão em curso e, apesar das declarações erróneas em contrário pelos media das notícias falsas, e outros, estão a correr muito bem”, afirmou Trump, apesar dos vários desmentidos das autoridades iranianas de que estejam sequer a decorrer negociações.    

Esta é a segunda extensão do prazo dada por Donald Trump, depois de a 21 de março ter ameaçado inicialmente atacar as centrais energéticas do Irão caso o país não reabrisse o estreito à navegação em 48 horas, passando o ultimato na segunda-feira a cinco dias, devido às alegadas “conversações produtivas” com Teerão.

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