Administração Trump avalia enviar reforços militares para o Médio Oriente
Depois de Israel ter atacado um campo de gás iraniano e Teerão ter retaliado contra infraestruturas energéticas de países vizinhos, agravando os preços do crude, os EUA ponderam enviar mais tropas para a região, de forma a assegurar a passagem de navios pelo estreito de Ormuz, avançou a Reuters.
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- Administração Trump avalia enviar reforços militares para o Médio Oriente
- Irão ataca instalações de gás natural no Catar
- China perto de libertar reservas de petróleo, diz consultora
- Administração Trump vai reunir-se com CEO de gigantes petrolíferas para discutir preços dos combustíveis
- Trump suspende "Jones Act" durante 60 dias para conter subida do petróleo
- Teerão ameaça infraestruturas energéticas de Arábia Saudita, Qatar e Emirados
- Europa e G7 devem "guardar munições" de petróleo
- Líder da OMI considera situação no Estreito de Ormuz "inaceitável e insustentável"
- Ministro dos Serviços de Informação do Irão foi morto, avança Israel
- Mais explosões no Curdistão iraquiano junto a interesses dos EUA
- Teerão e Moscovo afirmam que central nuclear de Bushehr foi atingida por projétil
- Pelo menos 19 mortos em novos ataques de Israel contra o Líbano
- Embaixada dos EUA no Iraque sofre novo ataque
- Estados Unidos atacam instalações de mísseis próximas do Estreito de Ormuz
- Casa Branca rejeita argumento anti-guerra de demissão de diretor de contraterrorismo
- Seul diz ser "a prioridade" dos EAU, que vão fornecer 24 milhões de barris de petróleo
- Tóquio insta Teerão a cessar ações que ameacem navegação no Estreito de Ormuz
Num momento em que se prepara para os próximos passos na ofensiva contra o Irão, a administração Trump está a considerar o destacamento de milhares de soldados para reforçar a operação no Médio Oriente, avançou a agência Reuters, citando um responsável norte-americano e três pessoas com conhecimento do assunto.
Com a guerra no Irão já na terceira semana, o destacamento dos militares daria ao Presidente dos EUA, Donald Trump, mais opções para a expansão das operações dos EUA na região, diz a agência.
Além de assegurar a passagem segura dos petroleiros pelo estreito de Ormuz, que seria conseguida principalmente através de forças navais e aéreas, a operação poderá também implicar a colocação de tropas na costa iraniana, diz a agência, citando quatro fontes.
Em discussão, está também o envio de forças terrestres para a ilha de Kharg, o principal centro de exportação de crude iraniano, uma operação que seria muito arriscada, uma vez que a ilha pode ser alcançada pelo Irão com mísseis e drones, diz a agência.
O Irão atacou com mísseis esta quarta-feira o complexo de gás natural liquefeito de Ras Laffan, no Catar, causando um incêndio que provocou danos “extensos”, confirmou a petrolífera estatal do emirado.
O ministerio da Defesa do Catar disse que entretanto o incêndio causado pelo ataque está sob controlo.
O Irão lançou cinco mísseis balísticos em direção ao Qatar, anunciou o ministério, tendo quatro projéteis sido intercetados, e o restante atingido as instalações de Ras Laffan.
"O Qatar expressa a sua firme condenação e repúdio do brutal ataque iraniano contra a zona industrial de Ras Laffan", indicou o ministério dos Negócios Estrangeiros, criticando uma "escalada perigosa, uma violação flagrante da [sua] soberania e uma ameaça direta à segurança nacional".
Na Arábia Saudita, as autoridades afirmaram ter intercetado quatro mísseis balísticos que se dirigiam para Riade.
Também as autoridades dos Emirados Árabes Unidos anunciaram que o seu sistema de defesa aérea estava a intercetar mísseis iranianos.
"A defesa antiaérea está atualmente a agir contra ameaças de mísseis e drones provenientes do Irão", informou o Ministério da Defesa de Abu Dhabi, precisando "que os ruídos ouvidos são o resultado da interceção de mísseis e drones".
Teerão tinha prometido retaliar os ataques contra o campo de gás de South Pars/North Dome, que é a maior reserva de gás conhecida no mundo, que o Irão partilha com o Qatar.
"A partir desta noite, as linhas vermelhas mudaram. Se o inimigo pensava que com estes ataques poderia aumentar a pressão sobre o Irão para o obrigar a recuar, cometeu um erro fatal de cálculo", alertaram fontes militares citadas pela agência noticiosa Fars.
Teerão acusa os países do Golfo de permitirem que as forças norte-americanas utilizem os seus territórios para lançar os seus bombardeamentos e, no rescaldo do ataque ao campo de gás de South Pars, colocou sob ameaça "as infraestruturas de combustíveis, energia e gás" dos seus vizinhos na região, segundo um comunicado do Centro de Comando Conjunto, Khatam al-Anbiya.
Momentos antes dos ataques, tanto o Qatar como os Emirados Árabes Unidos tinham condenado o ataque contra instalações iranianas que servem o campo de gás de South Pars/North Dome.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, criticou o ataque hoje realizado como um passo "perigoso e irresponsável" e uma ameaça à "segurança energética global", bem como à população da região.
Al-Ansari pediu que se "evitem ataques a instalações vitais" e apelou a todas as partes para que atuem com moderação e "em conformidade com o direito internacional".
Ao mesmo tempo, destacou a necessidade de uma redução das tensões "para que a segurança e a estabilidade da região sejam preservadas".
Os Emirados Árabes Unidos dirigiram também palavras ao ataque contra as instalações energéticas ligadas ao campo de gás de South Pars, "que constitui uma extensão de North Dome no Estado irmão do Qatar", advertindo para "uma escalada perigosa".
*Com Lusa
Num momento em que os condicionamentos ao tráfego de petroleiros no estreito de Ormuz continuam a restringir a oferta de crude a nível global, a China, o maior importador de petróleo do mundo, está perto de recorrer às suas reservas de crude, de acordo com a consultora para a área petroquímica FGE NexantECA, citada pela Bloomberg.
As reservas comerciais e operacionais a libertar seriam de até 1 milhão de barris por dia durante as próximas quatro a seis semanas, o que representaria um total entre 30 e 45 milhões de barris, de acordo com o cenário base da consultora. O objetivo é que as refinadoras possam recorrer aos “stocks” comerciais para impedir interrupções ou paragens no processamento.
A Administração de Donald Trump, onde se inclui o vice-presidente dos EUA, JD Vance, vai convocar esta quinta-feira uma reunião com vários executivos do setor petrolífero, de forma a arranjar medidas para conter a escala dos preços dos combustíveis. A reunião terá lugar no American Petroleum Institute (API), em Washington, e contará com a participação de membros do conselho de administração, segundo avançou esta tarde a Bloomberg.
"Estamos ansiosos por reunir altos responsáveis - incluindo o vice-presidente JD Vance, o secretário da Energia Wright, líderes bipartidários do Congresso e governadores - para debater o papel do petróleo e do gás natural norte-americanos no apoio a um abastecimento energético fiável num contexto de volatilidade global", afirmou Andrea Woods, porta-voz do API, num comunicado cirado pela agência. "O nosso setor está focado em fornecer informações sobre a dinâmica do mercado e reforçar a liderança e a resiliência energéticas americanas a longo prazo", acrescentaram.
O encontro acontece numa altura em que Trump enfrenta pressão política para pôr fim à guerra no Irão e dar resposta aos consumidores à escala de preços dos combustíveis, sobretudo em ano de eleições intercalares (em novembro).
O sucesso da Administração no "teste" vai depender da atitude dos norte-americanos em relação ao custo de vida, sendo que as sondagens apontam para uma nota baixa do Presidente, que, segundo os analistas, não deverá ter muitas opções para resolver o problema dos preços dos combustíveis.
Até agora, a Administração já libertou 172 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência. Esta quarta-feira, Trump suspendeu durante 60 dias a legislação sobre o transporte marítimo, que visa reduzir o custo do transporte de petróleo, autorizando ainda navios com bandeira estrangeira a transportar uma variedade de mercadorias entre portos dos EUA.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu esta quarta-feira por 60 dias a legislação de transporte de produtos petrolíferos e flexibilizou sanções à Venezuela, para aumentar a oferta global e conter a subida de preços.
A Casa Branca (presidência) informou que a decisão de Donald Trump visa mitigar "interrupções de curto prazo no mercado petrolífero", numa altura em que o conflito no Médio Oriente e o bloqueio do Estreito de Ormuz estão a pressionar os preços.
A suspensão temporária da chamada "Lei Jones" permitirá o transporte de combustível entre portos dos Estados Unidos em navios não norte-americanos, alterando uma regra em vigor desde a década de 1920 e frequentemente apontada como fator de encarecimento dos combustíveis.
Em paralelo, o Departamento do Tesouro norte-americano (equivalente ao Ministério das Finanças) autorizou, com limitações, a retoma de transações com a petrolífera estatal venezuelana PDVSA, permitindo a venda de petróleo a empresas norte-americanas e nos mercados globais.
A medida representa uma mudança significativa na política de Washington, que durante anos bloqueou o setor energético venezuelano através de sanções.
Segundo fontes do Governo norte-americano, a licença pretende incentivar o investimento na indústria petrolífera da Venezuela e aumentar a oferta mundial de crude, contribuindo para estabilizar os mercados energéticos.
As novas regras permitem operações a empresas já existentes antes de janeiro de 2025, mas mantêm restrições a determinados países e formas de pagamento, não eliminando totalmente o regime sancionatório.
A televisão estatal iraniana anunciou hoje que Teerão ameaçou atacar infraestruturas petrolíferas e de gás no Qatar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU), após Israel e Estados Unidos terem atingido a maior refinaria do Irão.
A ameaça é idêntica a outros avisos de ataque emitidos pelo Irão durante a guerra, imitando o estilo utilizado pelas Forças Armadas israelitas, de acordo com a agência de notícias Associated Press (AP).
O Irão ameaçou especificamente a refinaria Samref, na Arábia Saudita, e o complexo petroquímico de Jubail. Também ameaçou o campo de gás Al-Hassan, nos EAU, bem como instalações petroquímicas e uma refinaria no Qatar.
A ameaça surgiu depois de o Irão ter afirmado que o campo de gás South Pars e infraestruturas associadas foram atacados por Israel e Estados Unidos. O ataque desencadeou um incêndio, que está a ser combatido pelos bombeiros locais, desconhecendo-se, para já, se há vítimas.
O ataque ao campo de South Pars envolveu as fases 3, 4, 5 e 6, noticiou a televisão estatal iraniana.
As autoridades iranianas responsabilizaram Israel e os Estados Unidos pelo ataque, acrescentando que essas fases do campo foram encerradas para evitar a propagação do incêndio.
"Há instantes, algumas partes das instalações de gás" da refinaria estratégica South Pars, situada na cidade portuária de Kangan, "foram atingidas por projéteis do inimigo americano-sionista", declarou a televisão, citando o vice-governador da província meridional de Bushehr.
A estação acrescentou que equipas de bombeiros foram enviadas para o local para controlar o incêndio.
A ameaça de lançar uma campanha ainda mais ampla contra instalações energéticas de Estados árabes do Golfo surgiu apenas algumas horas antes de os ministros dos Negócios Estrangeiros da região se reunirem na capital saudita para discutir a guerra.
O imenso campo de gás de South Pars-North Dome é a maior reserva de gás conhecida no mundo, que o Irão partilha com o Qatar, cujas autoridades consideraram o ataque "perigoso e irresponsável".
A instalação fornece cerca de 70% do gás natural consumido no Irão, que o explora desde o final da década de 1990.
Israel já tinha atacado instalações iranianas neste local durante a guerra dos 12 dias, em junho de 2025.
O país lançou novos ataques contra o Irão a 28 de fevereiro, em conjunto com os Estados Unidos, desencadeando uma guerra que se alastrou a todo o Médio Oriente.
O ministro da Economia francês, Roland Lescure, afirmou esta quarta-feira que a Europa e o G7 devem "guardar munições" nas suas reservas estratégicas de petróleo, face à guerra no Médio Oriente que, segundo ele, corre o risco de se prolongar.
Roland Lescure foi entrevistado pelo canal americano CNBC Europe sobre a possibilidade de uma perturbação de longa duração no transporte de hidrocarbonetos importados do Médio Oriente.
"O que temos de garantir é que nos preparamos para estes cenários. Estamos a acompanhá-los, a monitorizá-los e a assegurar que reagimos de forma adequada, nem demasiado depressa, nem com demasiada força, pois, como sabem, temos de guardar munições para fazer face a outros potenciais choques", respondeu.
Quanto à possibilidade de uma guerra que fosse "intensa, mas efémera", "esse cenário provavelmente já se esfumou", referiu o ministro.
Questionado sobre a possibilidade de uma nova utilização das reservas estratégicas, tal como decidido pelo G7 em 11 de março, Lescure respondeu que ainda não chegaram a esse ponto.
"Sabemos que a única forma de libertar o mercado do petróleo é garantir que o estreito de Ormuz deixe passar petróleo. Não se pode substituir os fluxos por reservas. Trata-se de uma medida pontual", sublinhou o ministro.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez, criticou os ataques a navios no Estreito de Ormuz que já provocaram a morte de pelo menos sete tripulantes e declarou a situação "inaceitável e insustentável".
Na abertura da sessão extraordinária do Conselho da OMI, que decorre esta quarta e na quinta-feira em Londres, Dominguez afirmou que cerca de 20 mil tripulantes continuam retidos dentro do Golfo Pérsico a bordo das suas embarcações.
"Apelo a todas as companhias de navegação para atuarem com a máxima cautela ao operar na região afetada e, sempre que possível, evitem atravessá-la. Qualquer ataque contra marítimos inocentes ou embarcações civis é totalmente inaceitável", sublinhou o responsável da agência especializada das Nações Unidas.
Dominguez afirmou ainda que os tripulantes "não devem tornar-se vítimas das tensões geopolíticas" e apelou a "todas as partes envolvidas para trabalharem no alívio do conflito e permitirem a saída segura das tripulações do Golfo".
"O transporte marítimo tem demonstrado repetidamente a sua resiliência, mas a geopolítica está a pô-lo à prova. Sempre que a navegação é usada como dano colateral nestes conflitos, todo o mundo é afetado, desde a economia global à segurança alimentar", alertou.
A reunião extraordinária do Conselho da OMI foi convocada com caráter de urgência para analisar o impacto da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão iniciada em 28 de fevereiro.
Como retaliação, Teerão lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região, incluindo navios internacionais no estreito de Ormuz.
Mais uma baixa de elevado perfil do lado do Irão. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, avançou que o ministro dos Serviços de Informação do Irão, Esmaeil Khatib, foi morto num ataque.
A informação está a ser avançada pela agência de notícias financeiras Bloomberg.
A confirmar-se, esta será mais uma baixa de peso do lado iraniano. O Irão ainda não confirmou a morte.
Na terça-feira, foi confirmada a morte do secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Ali Larijani, considerado como o braço-direito do anterior líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que também já foi morto nos ataques militares dos EUA e Israel contra o território iraniano.
Pelo menos quatro fortes explosões foram ouvidas esta quarta-feira em Erbil, no Curdistão iraquiano, segundo a agência noticiosa francesa AFP, após registo de ataques pró-iranianos com drones nos últimos dias contra interesses dos Estados Unidos da América (EUA) naquela zona.
Os jornalistas da AFP descreveram colunas de fumo nos arredores daquela cidade do Iraque, onde se situa o consulado dos EUA e estão estacionadas tropas da coligação internacional liderada pelos norte-americanos contra os grupos jihadistas, junto ao aeroporto.
Na passada semana, também bases militares italianas e francesas foram atacadas nesta região norte do Iraque, tendo sido morto um soldado do contingente da França ali destacado, além de outros sete feridos.
Os EUA e Israel lançaram em 28 de fevereiro uma ofensiva militar contra o Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Teerão e Moscovo afirmam que um projétil atingiu as instalações da central nuclear de Bushehr, no Irão, levantando o espetro de um incidente radioativo, quando se intensifica a guerra de Israel e Estados Unidos contra a República Islâmica.
Nem o Irão nem a Rússia afirmam que tenha havido qualquer libertação de material nuclear no incidente, ocorrido na terça-feira, mas este sublinha mais uma vez uma preocupação de longa data dos vizinhos do Irão — que a central, situada nas margens do Golfo Pérsico, possa ser atingida por um ataque ou por um terramoto.
A agência de notícias estatal russa Tass citou na terça-feira à noite o CEO da Rosatom, Alexey Likhachev, que afirmou que "um ataque atingiu a área adjacente ao edifício do serviço de metrologia localizado no local da Central Nuclear de Bushehr, nas imediações da unidade de energia em funcionamento". Técnicos russos da Rosatom operam a central, utilizando urânio pouco enriquecido de fabrico russo.
"Não houve vítimas entre o pessoal da Corporação Estatal Rosatom", disse Likhachev. "A situação de radiação no local é normal", acrescentou o gestor.
A Organização de Energia Atómica do Irão emitiu posteriormente um comunicado afirmando que "não ocorreram danos financeiros, técnicos ou humanos e nenhuma parte da central foi danificada".
A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) emitiu hoje uma declaração segundo a qual revela ter sido "informada pelo Irão de que um projétil atingiu as instalações da central nuclear de Bushehr na terça-feira à noite".
O Exército de Israel anunciou esta quarta-feira novos ataques contra o Líbano, que registou, pelo menos, 19 mortos devido a bombardeamentos ocorridos durante esta madrugada.
"As Forças de Defesa de Israel (FDI) começaram a atacar alvos terroristas do Hezbollah no sul do Líbano", comunicou o Exército israelita na rede de mensagens Telegram.
O anúncio surge depois de as FDI terem recomendado a retirada de civis na região de Tiro, no sul do Líbano e solicitado, horas depois, também a evacuação do bairro de Bashoura, em Beirute, a capital do país.
A Agência Nacional de Notícias (ANN) libanesa, citando o Ministério da Saúde, noticiou a morte de, pelo menos, 19 pessoas nas últimas horas.
Oito pessoas morreram num ataque contra a localidade de Haboush, enquanto outras quatro, todas de nacionalidade síria, morreram num bombardeamento em Jibchit, ambos os locais no distrito de Nabatia, no sul do Líbano.
Além destas mortes, um bombardeamento contra Baalbek, a nordeste de Beirute, matou mais quatro pessoas, segundo a ANN.
A agência de notícias libanesa noticiou ainda três vítimas mortais em Qanarit, no distrito de Sidon, na costa do país.
A embaixada norte-americana em Bagdade foi esta quarta-feira alvo de novo ataque, enquanto se registaram ataques de ‘drones’ e ‘rockets’ na Arábia Saudita e Kuwait, no 19.º dia do conflito no Médio Oriente, noticiou a agência AP.
A embaixada dos Estados Unidos na capital iraquiana, que já tinha sido atacada várias vezes nos últimos dias, por disparos provenientes do Irão, foi "atingida diretamente por um ‘drone’", disse à AFP fonte dos serviços de segurança, sem especificar se houve ou não danos.
Um segundo responsável de segurança indicou que o ‘drone’ caiu "perto da vedação de segurança da embaixada".
Também esta madrugada, ‘rockets’ e ‘drones’ atingiram territórios da Arábia Saudita e do Kuwait anunciaram as autoridades dos dois países do Golfo.
Na Arábia Saudita, um porta-voz do Ministério da Defesa escreveu no portal X que o exército destruiu seis ‘drones’ no leste do país.
"As defesas aéreas do Kuwait estão a intercetar ataques hostis com ‘rockets’ e ‘drones’", afirmou também o exército do emirado no portal X.
Os Estados Unidos atacaram esta noite várias instalações de mísseis do Irão, estrategicamente localizadas perto do Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos Estados Unidos divulgou, nas suas páginas oficiais, um mapa com vários locais de mísseis anti navio que afirma terem sido atacados com sucesso.
De acordo com esse comando tutelado pelo Departamento de Defesa norte-americano, os mísseis guardados nessas instalações representavam “um risco” à navegação internacional no estreito.
O anúncio ocorre poucas horas depois de Teerão confirmar a morte do secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, na sequência de um ataque aéreo israelita, e de o presidente norte-americano, Donald Trump, criticar vários membros da NATO por recusarem colaborar no esforço para a reabertura do Estreito de Ormuz.
O Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo, está temporariamente fechado pelo Irão desde 15 de março devido às tensões militares em curso.
A Casa Branca classificou esta noite como "falsas" e "absurdas" as razões invocadas pelo diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo para se demitir, em protesto contra a ofensiva norte-americana-israelita em curso contra o Irão.
Numa longa publicação nas redes sociais, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, argumentou que a carta de demissão de Joe Kent "contém muitas afirmações falsas", nomeadamente negar que o Irão represente uma ameaça iminente para os Estados Unidos - argumento utilizado pelo Presidente Donald Trump e pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para justificar a sua ofensiva surpresa contra Teerão.
"Esta é a mesma afirmação falsa que os democratas e alguns órgãos de comunicação social liberais têm vindo a repetir inúmeras vezes", afirmou Leavitt.
O Centro Nacional de Contraterrorismo, pertencente ao Gabinete de Serviços Secretos Nacionais dos Estados Unidos, é um organismo criado após os atentados de 11 de setembro de 2001, para coligir informação sobre terrorismo internacional.
Leavitt adiantou que Trump "tinha provas sólidas e irrefutáveis de que o Irão atacaria os Estados Unidos primeiro" e "jamais tomaria a decisão de mobilizar recursos militares contra um adversário estrangeiro sem considerar todos os fatores".
O Irão "é o principal patrocinador estatal do terrorismo no mundo" e "matou orgulhosamente americanos e fez guerra contra" os Estados Unidos, que "ameaçou abertamente até ao lançamento da Operação Fúria Épica", a 28 de fevereiro.
A Coreia do Sul afirmou esta quarta-feira que os Emirados Árabes Unidos (EAU) darão prioridade a Seul no fornecimento petrolífero, após Abu Dhabi garantir fornecer 24 milhões de barris de crude, no contexto do bloqueio do Estreito de Ormuz.
Os Emirados prometeram que "nenhum país receberá petróleo bruto antes da Coreia do Sul", afirmou o chefe de gabinete do Presidente da República sul-coreano, Kang Hoon-sik, numa conferência de imprensa realizada em Seul para informar sobre os resultados da sua visita ao país da Ásia Ocidental.
Abu Dhabi afirmou que Seul é "a sua prioridade número um" dos EAU no fornecimento de petróleo, acrescentou.
O acordo prevê a importação de 18 milhões de barris adicionais, que se somam aos seis milhões anunciados anteriormente.
O responsável salientou que, face ao bloqueio efetivo do estreito de Ormuz, é necessário garantir as importações através de rotas de abastecimento alternativas para superar a atual crise energética.
A Coreia do Sul depende em grande medida do abastecimento energético desta região em guerra, de onde importa cerca de 70% do petróleo bruto e cerca de 20% do gás natural liquefeito.
Tóquio instou na terça-feira Teerão a cessar ações que ameacem a navegação no estreito de Ormuz, quando se intensifica o debate sobre uma intervenção internacional para proteger o tráfego marítimo naquela via fundamental para o comércio energético.
O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, fez o apelo na terça-feira à noite durante um telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com um comunicado do chefe da diplomacia nipónica.
"O ministro Motegi instou veementemente o Irão a cessar imediatamente os ataques contra instalações civis e infraestruturas nos países do Golfo, bem como as ações que ameaçam a segurança da navegação no estreito de Ormuz", revelou o comunicado.
O ministro japonês expressou profunda preocupação com a continuação da troca de "ataques de retaliação" desde a anterior chamada telefónica que mantiveram em 9 de março, e com a extensão dos danos, que afetaram inclusivamente países vizinhos.
Além disso, Motegi manifestou preocupação com o elevado número de navios ligados ao Japão que se encontram atualmente retidos no Golfo Pérsico e solicitou ao Irão que adotasse as medidas necessárias para garantir a segurança de todos os navios no Estreito de Ormuz, "incluindo os do Japão e de outros países asiáticos".
Por seu lado, Araghchi expôs a posição do Irão e ambos os ministros concordaram em manter uma comunicação estreita com vista a um rápido alívio das tensões, de acordo com o comunicado japonês.
A conversa ocorre dias depois de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter solicitado aos aliados da NATO e a outros países que participassem numa operação para escoltar navios comerciais no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo bruto mundial.