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Edição especial do Charlie Hebdo com elevada procura em Portugal

Dois dias depois de ser publicada em França, a edição especial do Charlie Hebdo após o atentado chegou a Portugal e na papelaria Sunrise Press, nos Restauradores, em Lisboa, os poucos exemplares distribuídos já estão todos vendidos.

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Lusa 16 de Janeiro de 2015 às 16:08
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Vitor Túlio, dono da tabacaria especializada em imprensa internacional, explicou à agência Lusa que das 180 encomendas que lhe fizeram só vai poder satisfazer o pedido de 20.

 

"Até tive mais exemplares [do que é habitual] pois só costumo receber dois, mas desta vez tive 180 pessoas interessadas e só vou consegui vender aos 20 primeiros que encomendaram", disse Vitor Túlio.

 

António Carvalho, designer gráfico, é cliente da Sunrise e teve a sorte de ser um dos primeiros 20 a reservar a edição pós-atentados à redacção do Charlie Hebdo, em Paris, que provocou a morte de 10 jornalistas e de dois polícias.

 

"Gosto muito de ilustração e de imagem, sob a forma de narrativa, mas sou apreciador, acima de tudo, de ilustração e desenho. É a primeira vez que compro, já conheço, costumo ver aqui no expositor. Não sou comprador, mas sei o que a publicação abordava, qual o tema, para mim foi uma oportunidade para conhecer e ficar com um número que também é histórico", disse à Lusa António Carvalho, enquanto segurava o exemplar que vai levar para casa.

 

António Carvalho explicou que não foi difícil fazer a reserva, uma vez que é cliente há vários anos da Sunrise Press, mas "não depositava muita fé em levar já hoje a edição" que chega às sextas-feiras a Portugal.

 

O designer gráfico espera que o tipo de jornalismo que se faz no Charlie Ebdo, que caracteriza de "desenhado" e "satírico e com o qual muita gente não concorda", continue a existir e a fazer o seu trabalho, que "tem lugar, apesar de tudo".

 

A francesa Anne Bergue, designer de jóias a trabalhar em Portugal desde 2004, foi até ao MAG Kiosk, no LxFactory, em Alcântara, Lisboa, para tentar a sua sorte e adquirir um exemplar do Charlie Hebdo, no entanto, Carlota Ferrão, responsável pelo espaço, teve de lhe dizer que os únicos oito exemplares que recebeu já estavam todos reservados.

 

"O meu marido, que está em França, também tentou comprar, mas não conseguiu", disse à Lusa, reconhecendo querer ficar com a edição especial para juntar a outras que possui.

 

Anne Bergue explicou que o Charlie Hebdo faz parte da sua existência, desde sempre que se lembra do jornal, que já conhecia antes da tragédia acontecer, embora não comprasse sempre. De vez em quando lia, contando que houve algumas publicações que a marcaram, como a das caricaturas de Maomé ou quando Sarkozy era Presidente em França.

 

"Eu continuo a pensar que podemos rir de tudo, depende com quem. Não há limite para o humor", frisou Anne Bergue, considerando que este tipo de publicação "faz falta" e que espera que vá continuar com outros cartoonistas.

 

A International News Portugal (INP), importadora do jornal para Portugal, disse à Lusa que chegaram hoje 500 exemplares ao país, avançando que receberam vários pedidos de aumento de número dos pontos de venda, os quais não conseguiram satisfazer. 

 

"Já solicitámos mais exemplares desta edição ao nosso parceiro internacional, mas neste momento, ainda não nos é possível anunciar o dia da sua chegada a Portugal", explicou fonte da INP. 

 

A edição especial do Charlie Hebdo, depois do atentado contra o jornal, esgotou na quarta-feira em França à medida que foi chegando aos quiosques, alguns dos quais com extensas filas de pessoas interessadas em comprar aquele título satírico. 

 

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