Guiné-Bissau inicia exportação de caju. Mais de 80% da população depende disso
Previsão aponta para que a Guiné-Bissau exporte, este ano, 175 mil toneladas de castanha de caju, abaixo das 200 mil inicialmente estimadas.
O ministro do Comércio e da Indústria guineense, Tcherno Djaló, disse, em entrevista à Lusa, que a Guiné-Bissau deve exportar este ano 175 mil toneladas de castanha de caju, mas salientou que as previsões podem ser ultrapassadas.
A castanha de caju da Guiné-Bissau, principal produto de exportação do país e do qual depende direta ou indiretamente mais de 80% da população guineense, está a ser comercializada entre 375 francos cfa (cerca de 0,57 euros) e 400 francos cfa (cerca de 0,60 euros) o quilograma.
"A previsão que temos este ano é de exportar 175 mil toneladas. Inicialmente, as previsões eram de 200 mil toneladas, mas foram revistas por causa do contexto da crise sanitária mundial, com o pressuposto de que havia menos procura. Revimos e estimamos em 175 mil toneladas", afirmou Tcherno Baldé.
Questionado pela Lusa sobre se a situação da pandemia na Índia foi tida em conta na revisão dos valores de exportação, o ministro explicou que apesar de não ser consumidora do caju guineense, a Índia processa e exporta a castanha da Guiné-Bissau.
"Mas estando confrontada com a pandemia, nós partimos do pressuposto de que haveria menos procura para exportação", disse, salientando, contudo, que os dados indicam que haverá possibilidade de ultrapassar as 175 mil toneladas devido à "dinâmica da campanha".
Apesar dos atrasos verificados no arranque da campanha, o ministro confirmou que os exportadores, nomeadamente indianos, vietnamitas e chineses, já estão no país.
"Foram tomadas certas medidas que permitiram desbloquear e a campanha está a ser bastante satisfatória", disse.
Nas duas básculas existentes em Bissau, o preço varia entre os 400 francos cfa (cerca de 0,60 euros) e os 475 francos cfa (0,72 euros).
As básculas são o local onde o intermediário vende a castanha de caju ao exportador, que não pode comprar diretamente ao produtor.
Tcherno Djaló sublinhou que a exportação deverá arrancar dentro de dias.
"Já foi escoada muita castanha e em 29 dias já temos registadas em Bissau cerca de 96,4 mil toneladas, o que significa que a capacidade de armazenamento está quase saturada e isso diminui a procura para compra", disse.
"Como já emitimos licenças de exportação, com o início da exportação vai haver o descongestionamento dos armazéns e naturalmente a compra vai aumentar e conduzir à subida de preços", afirmou o ministro do Comércio e Indústria.