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Impacto negativo das tarifas duplica com nova retaliação EUA-China, estima a OCDE

Tanto os EUA como a China reforçaram as tarifas sobre as importações este mês. A OCDE estima que o impacto negativo no PIB das duas maiores economias do mundo possa duplicar face ao que era estimado até ao momento.

Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 21 de Maio de 2019 às 10:15
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As simulações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) estimam que o PIB mundial seja 0,6% inferior ao cenário base por causa do aumento das tarifas entre os EUA e a China. A estimativa consta do Economic Outlook de maio divulgado esta terça-feira, 21 de maio, onde a OCDE baixa a previsão de crescimento económico mundial.

O PIB mundial deverá crescer 3,2% este ano, abaixo dos 3,3% estimados em março pela OCDE. Para 2020 mantém-se uma aceleração para os 3,4%. Em 2019, um dos fatores que mais penaliza a economia mundial é a disputa comercial entre os EUA e a China que marca a agenda económica mundial há um ano, cuja incerteza tem penalizado o comércio mundial e o investimento privado.

No entanto, este mês a disputa entre as duas maiores economias do mundo conheceu um novo capítulo. Os EUA decidiram aumentar de 10% para 25% a tarifa que é aplicada a um grupo de bens no valor de 200 mil milhões de dólares, o que será alvo de retaliação chinesa a partir de 1 de junho. Na mira (por concretizar) está ainda o alargamento da aplicação das tarifas de 25% aos restantes bens chineses que ainda não eram alvo de taxas aduaneiras, no valor de 325 mil milhões de dólares.

"Estima-se que as novas medidas anunciadas em maio, se mantidas, irão reduzir potencialmente o PIB ainda mais nos EUA e na China em 0,2-0,3% adicionais, em média, em 2021 e 2021 (relativamente ao cenário base)", adianta a OCDE, referindo que o impacto no aumento nos preços no consumidor seria de 0,3% em 2020. O resultado é claro: "Isto iria duplicar o impacto do aumento das tarifas introduzidas durante 2018". 

A OCDE alerta ainda que existe o risco de que sejam implementadas tarifas adicionais "cobrindo o espetro total do comércio entre os Estados Unidos e a China". Este cenário poderá ocorrer já a partir de julho deste ano e implicaria que os "custos" de curto prazo para a economia mundial fossem ainda mais "elevados e abrangentes". 

"O comércio mundial iria crescer perto de 1% abaixo do cenário base até 2021, com o volume de importações nos EUA e na China a registar quedas de cerca de 2%", estima a equipa da OCDE, assinalando que o PIB norte-americano seria 0,6% mais baixo e o chinês 0,8%. Os principais parceiros comerciais dos dois países, nomeadamente a União Europeia, seriam afetados dado que a procura iria contrair.
Desde o início desta disputa comercial que a Organização tem sido uma das vozes críticas da política protecionista de Donald Trump. Isto porque os estudos têm concluído nos últimos anos que "maiores restrições ao comércio reduzem as condições de vida dos consumidores, particularmente as famílias com baixos rendimentos, e aumentam os custos de produção das empresas". 

"A queda da intensidade do comércio tem efeitos adversos na produtividade e nas condições de vida no médio prazo por reduzir a concorrência e o incentivo para a especialização e por atrasar a difusão de ideias para lá das fronteiras nacionais", argumenta a OCDE. 

Para já, o cenário base, que incorpora as tarifas existentes até maio (não incluído), aponta para um crescimento dos EUA de 2,8% em 2019, desacelerando depois para 2,3% em 2020, ano de eleições norte-americanas. A China deverá travar para um crescimento de 6,2% em 2019 e depois 6% em 2020. 

Quanto à Zona Euro, a Organização prevê uma desaceleração para 1,2% em 2019, mas com uma ligeira aceleração no ano seguinte para 1,4%. Em todo o mundo, a taxa de desemprego deverá continuar a baixar ligeiramente.
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