Irão acusa EUA de “exigências excessivas” sobre estreito de Ormuz
"Os Estados Unidos formulam exigências excessivas relativamente ao estreito", assim como "exigências inaceitáveis sobre várias outras questões", segundo a agência iraniana Fars.
Os Estados Unidos têm "exigências excessivas" relativamente ao estreito de Ormuz durante as negociações diretas em Islamabad para alcançar uma trégua duradoura na guerra no Médio Oriente, afirmaram os meios de comunicação iranianos este sábado, 11 de abril.
"Os Estados Unidos formulam exigências excessivas relativamente ao estreito", bem como "exigências inaceitáveis sobre várias outras questões", segundo a agência Fars.
Uma notícia avançada pelo Financial Times apontou que Teerão alegadamente rejeitou uma proposta de Washington para uma gestão conjunta do estreito de Ormuz, uma informação que está a ser divulgada pela agência iraniana IRNA.
Já a agência de notícias Tasmin escreve que "a delegação americana impediu o avanço das negociações com as suas habituais exigências excessivas", acrescentando que a questão do estreito de Ormuz "é um dos temas que suscita fortes divergências".
"A questão do estreito de Ormuz é um dos pontos que suscita sérias divergências", escreveu ainda a Tasnim.
Estas comunicações surgem depois de fontes diplomáticas iranianas terem afirmado que "ambos os lados estão otimistas quanto ao resultado das conversas", segundo a agência de notícias espanhola EFE.
O controlo do estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes da guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados e Israel contra o Irão, está no centro das negociações de paz, em Islamabad, no fim de semana, entre as delegações norte-americana e iraniana.
O Irão e os Estados Unidos tinham afirmado que o estreito de Ormuz seria desbloqueado depois de terem anunciado na terça-feira à noite um cessar-fogo de duas semanas, mas desde então apenas um pequeno número de navios conseguiu utilizar esta via marítima estratégica colocada sob ameaça militar por Teerão.
Dois navios da marinha norte-americana atravessaram hoje o estreito de Ormuz para começar a "criar condições" para a remoção das minas colocadas pelo Irão, afirmou o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM).
Os dois contratorpedeiros operaram no âmbito de "uma missão mais ampla destinada a garantir que o estreito esteja totalmente livre das minas marítimas anteriormente colocadas pela Guarda Revolucionária Iraniana", precisou o CENTCOM num comunicado publicado na rede social X.
O comandante do CENTCOM, o almirante Brad Cooper, afirmou que a marinha norte-americana iniciou assim o processo de criação de uma nova rota pelo estreito.
"Demos início ao processo de criação de uma nova rota e, em breve, partilharemos este corredor seguro com o setor marítimo, a fim de incentivar o livre fluxo do comércio", afirmou o almirante citado no mesmo comunicado.
As duas delegações, do lado dos Estados Unidos liderada pelo vice-presidente, JD Vance, e do Irão pelo líder do parlamento, Mohammed Bagher Qalibaf, discutem como fazer avançar o cessar-fogo, já ameaçado por desentendimentos e pelos ataques continuados de Israel no Líbano.
Além de JD Vance, a delegação norte-americana é constituída pelos enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, Donald Trump.
A delegação do Irão, liderada pelo presidente do parlamento, Mohammed Bagher Qalibaf, aterrou na sexta-feira à tarde em Islamabad, segundo noticiaram então os media iranianos.