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Irão diz que protestos tornaram-se violentos "para dar desculpa" a Trump para intervir

Abbas Araghchi garante ainda que a situação está sob "controlo total" no país. Já Donald Trump afirmou que pode ser necessário uma intervenção antes de uma reunião entre os dois países.

Irão diz que protestos tornaram-se violentos 'para dar desculpa' a Trump para intervir
Irão diz que protestos tornaram-se violentos "para dar desculpa" a Trump para intervir Jose Luis Magana / Associated Press
07:31

O chefe da diplomacia do Irão, Abbas Araghchi, disse esta segunda-feira que os protestos em todo o país "tornaram-se violentos e sangrentos para dar uma desculpa" para uma intervenção militar dos Estados Unidos.

A alegação do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano surgiu num encontro com diplomatas estrangeiros em Teerão e foi citada pela emissora Al Jazeera, financiada pelo Qatar, que tem permissão para operar apesar do corte da internet no Irão.

Araghchi não apresentou provas para suportar esta alegação, mas garantiu que "a situação está sob controlo total" em todo o país, numa altura em que ativistas garantem que pelo menos 544 pessoas foram mortas — a grande maioria manifestantes.

Já o Presidente dos Estados Unidos afirmou que os líderes do Irão o contactaram para negociar, após Donald Trump ter ameaçado com uma ação militar, numa altura em que a República Islâmica enfrenta protestos antigovernamentais.

"Os líderes iranianos ligaram" no sábado, disse Trump aos jornalistas a bordo do avião presidencial no domingo, acrescentando que "está a ser planeada uma reunião". "Eles querem negociar", acrescentou o republicano. Trump disse que está a receber atualizações de hora em hora sobre os protestos e que a administração que lidera "tomará uma decisão".

O Presidente norte-americano alertou, no entanto: "talvez tenhamos de agir antes de uma reunião".

As forças armadas dos Estados Unidos estavam a considerar "opções muito fortes" em relação ao Irão, no meio de crescentes receios de uma repressão violenta contra o movimento de protesto no país.

"Estamos a analisar a questão com muita seriedade. As forças armadas estão a analisar a questão e estamos a considerar opções muito fortes. Tomaremos uma decisão", disse Trump.

O Presidente norte-americano acredita que o Governo iraniano "está a começar" a ultrapassar uma linha, porque "morreram pessoas que não deviam ter morrido", algo que atribuiu ao "reinado de violência" de Teerão.

"Alguns manifestantes morreram espezinhados; eram muitos. E alguns foram baleados", afirmou.

O republicano disse acreditar que o Irão leva as suas ameaças a sério depois de "anos" a lidar com o país, citando as mortes do general da Guarda Revolucionária Qasem Soleimani, do líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi e "a diminuição da ameaça nuclear iraniana".

No domingo, o presidente do parlamento do Irão avisou que os militares norte-americanos e Israel serão “alvos legítimos” caso de ataque por parte de Washington.

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