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Negociações sobre nuclear iraniano prosseguem com aproximar de data limite

As negociações em torno do programa nuclear iraniano sofreram avanços e recuos nas últimas semanas. Mas nas últimas horas foi o recuo do Irão a colocar em causa um acordo antes da data limite das negociações marcada para esta terça-feira.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 30 de Março de 2015 às 14:31
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Mais um impasse nas negociações entre o grupo conhecido por P5+1 e o Irão. Quando se aproxima a data limite para se alcançar um acordo preliminar, assinalada para esta terça-feira, 31 de Março, o Irão recuou face às cedências anteriormente assumidas e poderá mesmo impossibilitar a chegada a acordo com o grupo que engloba representantes da Alemanha, Reino Unido, França, Estados Unidos, China e Rússia.

 

Os diplomatas reunidos esta segunda-feira na cidade suíça de Lausanne, pretendem estabelecer um princípio de acordo que permita enquadrar o que se pretende ser um acordo final, a alcançar até ao final do próximo mês de Junho, sobre o nuclear iraniano. As cedências de Teerão serão acompanhadas pelo levantamento de parte das sanções económicas aplicadas pela comunidade internacional ao longo dos últimos anos e que vêm penalizando fortemente a economia iraniana.

 

O Irão parece não aceitar que uma parte do seu stock de urânio fique armazenada num país terceiro, neste caso a Rússia, um tradicional aliado diplomático iraniano. Apesar de estar receptivo a aceitar diminuir a quantidade de urânio prevista para o seu programa de enriquecimento deste elemento químico, Teerão também terá recuado relativamente à quantidade temporal em que teria de limitar a utilização da tecnologia que também pode ser utilizada na construção de armamento nuclear.

 

O P5+1 pretende ainda uma suspensão superior a 10 anos da parte mais sensível  do programa nuclear iraniano, possibilidade rejeitada pelo Irão que assevera não pretender utilizar a capacidade nuclear para fins bélicos mas apenas energéticos.

 

Depois de prolongado o prazo para as negociações por duas vezes, este domingo chegou-se a novo impasse. Resultado mais imediato: a Rússia abandonou as negociações e só admite regressar esta terça-feira, em cima da data limite, caso haja reais possibilidades de se chegar a um acordo preliminar efectivo.

 

"Provavelmente, se houver uma hipótese realista de chegar a acordo amanhã [terça-feira], ele regressará", anunciou a porta-voz do ministro russo dos Estrangeiros Sergey Lavrov, Maria Zakharova, citada pela AlJazeera, em relação a um eventual regresso de Lavrov à mesa de negociações.

 

Pelo seu lado, o ministro alemão dos Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, referiu que nas últimas horas houve "alguns progressos mas também alguns recuos", e admite não poder excluir "que poderão surgir novas crises nas negociações".

 

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, referia no domingo que, chegados a esta fase, cabe aos iraniano aceitar a oferta que lhes foi apresentada. Ao aceitar as referidas restrições, os iranianos "iriam mostrar a credibilidade da retórica de que não pretendem construir armamento nuclear", apontou o porta-voz de Washington.

 

Já Israel voltou a demonstrar as suas preocupações face às negociações entre o ocidente e o Irão, designadamente a aparente aproximação registada entre Washington e Teerão.

 

O recentemente reeleito primeiro-ministro israelita, Benjamin Natanyahu, que esteve há poucas semanas no congresso norte-americano, onde criticou as opções da presidência de Barack Obama nas negociações com o Irão, disse ter expressado "as nossas profundas preocupações face a este emergente acordo com o Irão nas negociações nucleares".

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