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Obama deve abrandar ritmo de retirada militar do Afeganistão

O presidente Obama deverá anunciar um plano para a manutenção de 5.500 militares no Afeganistão até 2017. Assim Obama já não deverá cumprir o objectivo de retirar a maior parte das tropas do país até ao final do seu mandato.

Barack Obama durante a declaração a partir da Casa Branca, com Joe Biden
Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 15 de Outubro de 2015 às 14:11
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O presidente norte-americano Barack Obama deverá manter 5.500 militares no Afeganistão até 2017. A informação avançada por fontes da Casa Branca revela que o presidente dos Estados Unidos vai anunciar ainda esta quinta-feira, 15 de Outubro, um plano que prevê o abrandamento da retirada das tropas norte-americanas do Afeganistão.

 

Esta decisão coloca em causa o objectivo de Obama de retirar a generalidade das forças militares norte-americanas do Afeganistão até ao final do seu mandato, que termina no próximo ano. O residente da Casa Branca pretendia manter somente uma reduzida força integrada na pequena base militar adstrita à embaixada dos Estados Unidos em Cabul. O político democrata tinha como objectivo reduzir o número de "homens no terreno" para cerca de mil tropas, todos sediados em Cabul.

 

A presença militar no Afeganistão arrasta-se há já 14 anos, depois de uma intervenção decidida pela administração W.Bush no âmbito de uma luta contra o terror espoletada na sequência do atentado às Torres Gémeas.

 

Uma das fontes avançou ao New York Times que segundo o novo plano da administração Obama, a força militar que permanece no Afeganistão, que é actualmente composta por 9.800 tropas, deverá continuar em território afegão durante grande parte de 2016 antes de ser reduzida para cerca de 5.500 militares no final do próximo ano ou já no início de 2017.

 

A justificar esta decisão está o facto de o caos reinante no Afeganistão estar a servir para reforçar o recrutamento de homens por parte de grupos extremistas como o autoproclamado Estado Islâmico (EI) ou a Al-Qaeda.

 

A antecipada decisão de Washington surge num momento em que o Pentágono parece reconhecer que as autoridades e o exército afegãos não estão ainda capacitados para enfrentar as forças terroristas que operam no país, designadamente os talibãs. Isto depois de há poucas semanas as forças afegãs terem retirado de Kunduz, a primeira grande cidade do Afeganistão perdida por Cabul desde o início da guerra em 2011. Entretanto, a aviação e as forças especiais norte-americanas conseguiram recuperar a cidade.

 

Facto que deverá também ter contribuído para que no plano revisto da administração Obama para o Afeganistão esteja também previsto que o exército norte-americano irá focar os seus esforços a partir de 2016 no treino e apoio ao exército afegão, em especial no que concerne às forças contraterroristas.

 

Pelo que é expectável, aponta o Washington Post, que os Estados Unidos mantenham disponíveis drones e as forças especiais para com ataques cirúrgicos poderem debilitar as forças terroristas, designadamente da al-Qaeda.

 

A este recuo face ao objectivo anunciado por Barack Obama, em Março de 2014, de virar a página face ao fardo das guerras lançadas por George W. Bush, não é alheia a cada vez maior instabilidade que se vive no Médio Oriente e também no Oriente Próximo. Isto porque há poucas semanas as forças extremistas sunitas do EI derrotaram o exército iraquiano, treinado por Washington, conquistando importantes parcelas de território do norte e oeste do Iraque. 

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