Portugal e dezenas de outros países condenam expansão de Israel na Cisjordânia
EUA não estão entre os países que mostraram oposição às ações israelitas na Cisjordânia.
Portugal está entre os mais de 80 Estados-membros da ONU que condenaram as medidas unilaterais de Israel destinadas a expandir a presença na Cisjordânia, anunciou a Missão da Palestina junto das Nações Unidas.
Na terça-feira, na sede da ONU, em Nova Iorque, o representante palestiniano junto da organização multilateral, Riyad Mansour, leu uma declaração conjunta, assinada por 85 países, na qual "condenam veementemente as decisões e medidas unilaterais de Israel que visam expandir a presença ilegal do país na Cisjordânia".
"Tais decisões são contrárias às obrigações de Israel perante o direito internacional e devem ser imediatamente revertidas. Sublinhamos, a este respeito, a nossa forte oposição a qualquer forma de anexação", diz a declaração lida à imprensa por Mansour, rodeado por dezenas de embaixadores, incluindo o de Portugal, Rui Vinhas.
Os mais de 80 países sublinharam coletivamente a rejeição a todas as medidas que visem alterar a composição demográfica, o caráter e o estatuto do Território Palestino ocupado desde 1967.
"Tais medidas violam o direito internacional, minam os esforços em curso pela paz e estabilidade na região, contrariam o Plano Abrangente e comprometem a perspetiva de se alcançar um acordo de paz que ponha fim ao conflito", destaca a nota.
Os signatários reafirmaram o compromisso de tomarem medidas concretas para "ajudar a concretizar o direito do povo palestiniano à autodeterminação e para combater a política ilegal de colonatos no território palestiniano ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, bem como as políticas e ameaças de deslocamento forçado e anexação".
Na rede social X, a Missão da Palestina partilhou as bandeiras de todos os países que assinaram a declaração, estando incluída a de Portugal. Entre as ausências destaca-se os Estados Unidos.
A declaração conjunta é uma resposta à decisão anunciada no domingo pelo Governo israelita, que aprovou a reabertura do processo de registo de terras na Cisjordânia ocupada, pela primeira vez desde 1967, o que permitirá a Telavive registar terras neste território palestiniano de forma vinculativa e definitiva.
A iniciativa foi apresentada pelo ministro das Finanças e líder ultranacionalista, Bezalel Smotrich, pelo ministro da Justiça, Yariv Levin, e pelo ministro da Defesa, Israel Katz, com a intenção de regular as propriedades agrícolas e esclarecer o estado das áreas ocupadas na Cisjordânia, um processo burocrático cuja complexidade levou Israel a abandoná-lo há décadas.
A ONU, diversos países árabes e a União Europeia já haviam denunciado na segunda-feira a adoção por Israel das novas medidas territoriais que reforçam o controlo sobre a Cisjordânia ocupada.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a decisão de Telavive e instou Israel a reverter imediatamente as medidas.
"A decisão poderá levar à expropriação de propriedades palestinianas e arrisca expandir o controlo israelita sobre as terras na área. Tais medidas, incluindo a presença contínua de Israel no Território Palestiniano Ocupado, não são apenas desestabilizadoras, mas, como lembrou o Tribunal Internacional de Justiça, ilegais", indicou Stéphane Dujarric, porta-voz do português, em comunicado.
Guterres advertiu que a atual trajetória no terreno está a corroer a perspetiva de uma solução de dois Estados.
"O secretário-geral reitera que todos os colonatos judaicos na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, e o regime a eles associado, não têm qualquer validade jurídica e violam flagrantemente o direito internacional e as resoluções relevantes da ONU", insistiu Dujarric.
A atividade de colonatos israelitas continuou sob todos os Governos israelitas desde 1967, mas intensificou-se significativamente durante a atual administração de Benjamin Netanyahu, particularmente desde o início da guerra em Gaza, em 07 de outubro de 2023.
Além de Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, mais de 500 mil israelitas vivem atualmente na Cisjordânia, em colonatos que a ONU considera ilegais segundo o direito internacional.