Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia vence o Nobel da Paz
As quatro organizações tunisinas foram distinguidas pelo "contributo decisivo para a construção de uma democracia" neste país do Norte de África.
O Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia – composto pela União Geral Tunisina do Trabalho (sindicato), a Confederação Tunisina da Indústria, do Comércio e do Artesanato (patronato), a Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia e a Liga Tunisina dos Direitos Humanos – venceu o Nobel da Paz 2015. A decisão foi anunciada em Oslo esta sexta-feira, 9 de Outubro, pela presidente do comité norueguês do Nobel, Kaci Kullmann Five (na foto).
A responsável destacou o "contributo decisivo para a construção de uma democracia pluralista", na sequência da Revolução de Jasmim, que eclodiu neste país do Norte de África no final de 2010 e que levou, a 14 de Janeiro do ano seguinte, à queda do presidente Ben Ali, que estava no cargo desde 1987. "Estabeleceu uma solução alternativa e pacífica" quando o país corria o risco de entrar em guerra civil, assinalou Kaci Kullmann Five, frisando ainda a constituição de "um governo que garante direitos à população".
O comité norueguês do Nobel – constituído por cinco personalidades escolhidas pelo Parlamento local – tinha recebido este ano 273 candidatos: 68 organizações e 205 pessoas. O Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia junta-se assim a um grupo onde estão nomes como Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Theodore Roosevelt ou Barack Obama. Consulte aqui a lista dos premiados.
O reconhecimento do Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia sobe assim para 29 o número de organizações premiadas com o Nobel da Paz, que entre 1901 e 2014 tinha distinguido 25 organizações. E algumas delas por mais do que uma vez: a Cruz Vermelha Internacional foi premiada três vezes (1917, 1944 and 1963) e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados por duas vezes, em 1954 e 1981.
As Nações Unidas já felicitaram o Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia, tendo sublinhado a importância da sociedade civil nos processos de paz um pouco por todo o mundo. "Felicito o Quarteto do fundo do meu coração. Precisamos que a sociedade civil nos ajude a avançar com os processos de paz", disse o porta-voz da ONU em Genebra, durante uma conferência de imprensa, citado pela agência Lusa.
Este "é um exemplo brilhante. A Tunísia é um dos países árabes que se tem saído melhor desde a chamada Primavera Árabe nessa parte do mundo, por isso felicito também os tunisinos e o governo da Tunísia", acrescentou o porta-voz Ahmad Fazwi.
"Inspiração" para a democracia
A atribuição do Nobel da Paz a este grupo de organizações da sociedade civil tunisina, constituído em meados de 2013, está a ser entendida como uma mensagem clara para os restantes países da região que, a seguir à Tunísia, foram também protagonistas da chamada "Primavera Árabe", mas onde a transição democrática não se fez da mesma forma, como o Egipto, a Líbia e a Síria.
Aliás, a porta-voz do comité norueguês, Kaci Kullmann Five, assinalou que este prémio pretende ser não só "um elemento encorajador" para o povo tunisino, mas funcionar igualmente "como uma inspiração para todos os que aspiram à democracia na Tunísia, Norte de África e no resto do mundo".
As quatro organizações tunisinas premiadas com o Nobel da Paz em 2015 vão dividir os oito milhões de coroas suecas (cerca de 863 mil euros). A cerimónia de entrega do prémio, que só por uma vez na história foi rejeitado - em 1973 pelo político vietnamita Le Duc Tho, que venceu com Henry Kissinger -, está marcada para 10 de Dezembro em Estocolmo, na Suécia.
96
Prémios atribuídos entre 1901 e 2015
29
Organizações premiadas
2
Prémios divididos entre três pessoas.
16
Mulheres distinguidas
61
Média de idade dos premiados
1
Prémio declinado, pelo vietnamita Le Duc Tho (1973)
3
Estavam presos quando foram premiados: o alemão Carl von Ossietzky, a política birmanesa Aung San Suu Kyi e o activista chinês dos direitos humanos, Liu Xiaobo.