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Trump ataca Merkel e critica política migratória do governo alemão

O presidente dos Estados Unidos lançou um ataque directamente direccionado contra a chanceler da Alemanha, com Trump a criticar Merkel e os restantes países da UE por permitirem a entrada de refugiados que acabam por transformar as respectivas políticas.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 18 de Junho de 2018 às 15:29
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Donald Trump fez esta segunda-feira um duro ataque contra o governo alemão e, em particular, a chanceler Angela Merkel considerando que a Alemanha, assim como a Europa, cometeu um "grande erro" ao permitir a entrada de vagas de refugiados. Numa série de tweets feitos esta segunda-feira, 18 de Junho, o presidente dos Estados Unidos começa por se referir ao que considera de fracassadas políticas europeias em matéria de refugiados para terminar a defender que o seu país não pode cometer os mesmos erros. 

O presidente norte-americano defende que o governo alemão está a perder o apoio da sua população devido aos problemas originados pelos refugiados e correlaciona o alegado aumento do crime na Alemanha (os dados oficiais não corroboram a afirmação de Trump e, pelo contrário, mostram uma grande descida do número de crimes) com os problemas sociais originados pelos requerentes de asilo. "Foi cometido um grande erro em toda a Europa, que deixou entrar milhões de pessoas que mudaram forte e violentamente a sua cultura", defendeu no Twitter para acrescentar num novo tweet que os EUA não querem que se verifique no país o que está a acontecer com a imigração na Europa. 


O ataque desferido contra Angela Merkel surge num momento em que também nos Estados Unidos o tema da imigração voltou em força. Já esta segunda-feira, as Nações Unidas instaram Washington a parar "imediatamente" com a separação feita na fronteira de filhos (sem documentos) de imigrantes dos respectivos pais numa altura em que, segundo dados oficiais, cerca de 2 mil crianças se encontram detidas e separadas dos progenitores.

 

Por outro lado, também Merkel atravessa uma fase particularmente difícil, que coloca mesmo em causa a estabilidade do governo germânico. A chanceler enfrenta uma divisão no seio do executivo e da própria aliança conservadora entre a CDU e o partido-irmão bávaro CSU, liderado por Horst Seehofer, que é também o ministro alemão do Interior.


Seehofer quer apertar as regras de entrada de refugiados na Alemanha e após discussões nas últimas horas aceitou o repto de Merkel que pediu para esperar até ao Conselho Europeu da próxima semana em que a chanceler esperar alcançar um acordo sobre a questão dos refugiados com os restantes líderes europeus. O líder da CSU aceitou ceder e aguardar até ao final da cimeira europeia, contudo ficou clara a ferida aberta num executivo que demorou longos meses a formar. 

Noutra ocasião, Trump já havia classificado como "louca" a decisão que Merkel proclamou em Novembro de 2014 ao preconizar uma política de portas abertas da Alemanha em relação aos refugiados. No espaço de um ano, a Alemanha recebeu mais de 1 milhão de refugiados sem que estivesse plenamente preparada, logística e socialmente, para receber tantas pessoas. 

A relação entre Merkel e Trump conhece assim um novo capítulo atribulado. Depois de, em 2017, Trump ter aparentemente rejeitado cumprimentar Merkel aquando do primeiro encontro bilateral entre os dois líderes, a última cimeira do G-7 voltou a mostrar como os dois governantes estão em pólos opostos, concretamente também no que diz respeito ao comércio global. 


(Notícia actualizada às 15:55)

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