Antigo governador do banco de Espanha Hérnandez de Cos visto como mais qualificado para liderar BCE

Especialistas inquiridos pelo OMFIF consideram que De Cos lidera uma lista de cinco principais candidatos ao cargo, tendo em conta avaliações feitas aos méritos de cada potencial candidato em nove dimensões, incluindo experiência em bancos centrais e capacidade de gerar consensos.
Pablo Hérnandez de Cos.
David Zorrakino / AP
João Duarte Fernandes 20 de Abril de 2026 às 18:54

O ex-governador do Banco Central de Espanha Pablo Hernández de Cos é visto como o candidato mais qualificado para suceder a Christine Lagarde como presidente do Banco Central Europeu (BCE), segundo revelou um inquérito realizado pelo "think tank" britânico Fórum Oficial das Instituições Monetárias e Financeiras (OMFIF na sigla inglesa) junto de duas dezenas de especialistas em política monetária.

Estes especialistas consideram que Hernández de Cos lidera agora uma lista de cinco principais candidatos ao cargo, tendo em conta avaliações feitas aos méritos de cada potencial candidato em nove dimensões, incluindo experiência em bancos centrais, reputação em termos de liderança e capacidade de gerar consensos, de gestão de crises e experiência.

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Atualmente diretor-geral do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS na sigla inglesa), com sede na cidade suíça de Basileia, De Cos está, segundo o inquérito da OMFIF, à frente do presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, do antigo presidente do banco central holandês Klaas Knot, do governador francês cessante, François Villeroy de Galhau, e de Isabel Schnabel, membro do conselho do BCE, na corrida à liderança do BCE.

Nesta medida, Espanha e a Alemanha são os dois maiores Estados-membros da Zona Euro que nunca tiveram nenhum nacional a ocupar o cargo de presidente da instituição financeira nos 27 anos de história do BCE. E o facto de a Comissão Europeia ser atualmente presidida pela alemã Ursula Von der Leyen é visto, também, como um obstáculo para que Nagel seja nomeado líder do BCE.

Ao Financial Times, o vice-presidente do OMFIF explica que o presidente da autoridade de política monetária é escolhido num processo “opaco” pelos governos da União Europeia (UE), sendo o resultado difícil de prever dado o forte caráter político destas discussões.

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Embora o mandato de oito anos de Lagarde só termine em outubro de 2027, “já começou um processo de 'lobbying' discreto entre alguns dos candidatos”, o que sugere que “há uma possibilidade de a decisão ser tomada mais cedo do que tarde”, resumiu Orchard ao jornal britânico.

Hernández de Cos é geralmente visto como tendo uma ligeira tendência “dovish” (favorável a taxas de juros mais baixas), enquanto Nagel e Knot são vistos como tendo uma postura mais “hawkish” (que defende uma política monetária mais restritiva).

O inquérito levado a cabo pelo OMFIF chega numa altura em que muito se tem discutido . Em fevereiro, surgiram notícias que apontavam para a possibilidade de a presidente do BCE se demitir antecipadamente para permitir que o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, pudessem ter um voto na escolha do próximo líder do banco central antes de enfrentarem eleições nos respetivos países - com Macron impossibilitado de voltar a concorrer ao cargo de Presidente.

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No entanto, os riscos renovados de inflação desencadeados pela guerra no Irão podem interferir nesse plano. “e este capitão não vai abandonar o navio porque há nuvens”, disse Lagarde à Bloomberg TV na semana passada.

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